INTRODUÇÃO: Para estabelecer protocolos racionais de antibioticoterapia é preciso conhecer a epidemiologia local. OBJETIVOS: Descrever a epidemiologia das topografias e das bactérias nas infecções hospitalares na UTI neonatal. MÉTODO: Incluídas as infecções hospitalares identificadas de 2011 a 2013 na UTI neonatal de 6 leitos de hospital secundário de ensino. Os dados foram armazenados e analisados em Excel.\ud
RESULTADOS: Ocorreram 143 infecções, sendo 58% em recém-nascidos de peso ao nascer inferior a 1500g. Foram acometidos 103 pacientes. As infecções ocorreram predominantemente nas 2 primeiras semanas de internação. As topografias mais frequentes foram sepse clínica (19,6%) gastrointestinal (18,9%), pele (16,1%), infecção primária da corrente sanguínea laboratorialmente confirmada (16,1%).\ud
As 4 topografias corresponderam a 70,6% das infecções. Em 24% das infecções o agente foi identificado. S. epidermidis foi o mais frequente (10 infecções). As enterobactérias (K. pneumoniae, E. aerogenes, E. cloacae, E. coli e S. marcescens) foram identificadas em 13 casos. Espécies de Candida ocorreram em 5 infecções. Não se identificaram Gram negativos não fermentadores. Houve surto de infecção da corrente sanguínea associada a cateter de junho a novembro/2013, com infecções por bacté-\ud
rias com perfil de resistência raramente observado nesta unidade, cuja ocorrência pareceu se relacionar a situação multifatorial e transitória, sem aparecimento de novos casos nos meses seguintes. Exceto por esse período, os Gram negativos, tiveram boa sensibilidade às cefalosporinas de terceira geração e aos aminoglicosídeos, sem preferência entre amicacina ou gentamicina. Os S. aureus identificados foram sensíveis a oxacilina. DISCUSSÃO: As infecções mais frequentes foram infecção primária da corrente sanguínea, enterocolite e candidíase perineal. O agente mais frequente foi S. epidermidis, sendo necessário rever periodicamente a técnica de coleta de hemoculturas, evitando uso desnecessário de vancomicina. No momento, a alta prevalência desse agente indica introdução de vancomicina na suspeita de infecção por Gram positivos. Entre os Gram negativos, houve piora temporária da sensibilidade a\ud
cefalosporinas nos meses de julho e agosto de 2013, porém sem novos casos nos meses seguintes, sendo indicados no momento os aminoglicosídeos (amicacina ou gentamicina) como terapia empírica para Gram negativos na sepse sem meningite, e cefalosporina de terceira geração na sepse com meningite.Apresentado no XIV Congresso Brasileiro de Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitala