For many years, what the majority of the Brazilian population knew about
Indigenous peoples, including their literary expressions, was presented by
anthropologists and researchers who did not belong to Indigenous cultures. In
contemporary times, Indigenous writers such as Ailton Krenak, Eliane Potiguara,
Daniel Munduruku, Julie Dorrico, Graça Graúna, among others, began to use
literature to denounce the horrors they have suffered for decades since the
process known as colonization, and which they still endure today. This research
focuses on analyzing how Eliane Potiguara’s narrative in *Metade Cara, Metade
Máscara* contributes to the appreciation of ancestry perpetuated through orality
and to the preservation of Indigenous cultural identity, using literature as a tool
for resistance and the affirmation of Indigenous worldview. This represents an
opportunity for Indigenous peoples to rewrite their history through their own
protagonists, as literary works produced by Indigenous authors offer the chance
to narrate a different version of their traditions, which, over time, have been
distorted by those who have appropriated them from the outside. The significance
also lies in breaking the stereotypes created in Brazilian literature to represent
Indigenous peoples. That is, the idealization of Indigenous characters is a
stereotype that does not reflect the complexity of real Indigenous cultures. The
main theoretical contributions that supported this research were composed of
authors such as Munduruku (2019), Graúna (2013; 2014), Krenak (2019),
Marques, Simas, and Silva (2019), among others, mostly comprised of
Indigenous writers. The methodology used in this research was bibliographic in
nature and qualitative, drawing on existing material to provide the theoretical
foundation for this analysis. The main findings indicate that Eliane Potiguara’s
narrative places great emphasis on the appreciation of ancestry, perpetuated
through oral tradition and now written and rewritten. Through the preservation of
Indigenous identity via the teachings passed down by her family, as described in
the work, Eliane uses her writing to reaffirm these memories, to recover individual
and collective identity, which had been silenced for many years by the colonizers.
Finally, it is concluded that *Metade Cara, Metade Máscara* is of great
importance in the Brazilian Indigenous literary landscape in its discussion of
identity, ancestry, and the preservation of Indigenous culture.Durante muitos anos, o que a maioria da população brasileira sabia sobre os
povos originários, incluindo suas manifestações literárias, era apresentado por
antropólogos e pesquisadores não pertencentes à cultura indígena. Na
contemporaneidade, escritores indígenas, como Ailton Krenak, Eliane Potiguara,
Daniel Munduruku, Julie Dorrico, Graça Graúna, entre outros, passaram então a
utilizar a literatura para denunciar os horrores que sofreram por décadas desde
o processo chamado colonização e que no presente ainda sofrem. Essa é a
oportunidade que os povos originários possuem de reescrever a sua história
através de seus protagonistas, pois as obras literárias produzidas por autores
indígenas proporcionam a chance de narrar uma versão diferente de suas
tradições, que, ao longo do tempo, foram deturpadas por aqueles que se
apropriaram de maneira alheia. A presente pesquisa delimita-se à análise de
como a narrativa de Eliane Potiguara na obra Metade Cara, Metade Máscara,
contribui com a valorização da ancestralidade perpetuada através da oralidade,
e a preservação da identidade cultural indígena, utilizando a literatura como um
instrumento de resistência e valorização da cosmovisão indígena. Os principais
aportes teóricos que embasaram esta pesquisa foram compostos por autores
como Munduruku (2019), Graúna (2013; 2014), Krenak (2019), Marques, Simas
e Silva (2019), dentre outros, em sua maioria compostos por escritores
indígenas. A metodologia utilizada na pesquisa foi a bibliográfica de natureza
qualitativa, buscando em material já existente o aporte teórico para a construção
desta análise. Os principais resultados apontam que a narrativa de Eliane
Potiguara confere grande ênfase à valorização da ancestralidade, perpetuada
através da tradição oral e hoje, escrita e reescrita. A partir da preservação da
identidade indígena através dos ensinamentos repassados por sua família,
descritos na obra, Eliane utiliza sua escrita para reafirmar estas memórias,
resgatar a identidade individual e coletiva, que por muitos anos foram silenciadas
pelos colonizadores. Por fim, conclui-se que a obra Metade Cara, Metade
Máscara é de grande importância no cenário literário indígena brasileiro na
discussão da identidade, ancestralidade e preservação da cultura indígena