Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO)
Abstract
Marine mammals feed on a wide variety of preys from distinct trophic levels, occupying different niches in short and in long food chains. Studies on feeding ecology of marine mammals are important to understand their trophic relationships, as well as assessing their trophic levels in a food web. These investigations contribute for a better comprehension of trophic structure, energy flow and function of the marine ecosystems. The goal of this review is to present the main methods used in studies of trophic ecology of marine mammals, including requirements to their applications, information that can be generated, as well as their limitations. The more conventional method, also the older one, is the analysis of stomach contents and feces. The importance of this tool is to provide the prey species identification and the estimative of its biomass. These features turn this into a useful tool to be also used as baseline for the other methods. Recently, two methods have been raised involving stable isotope and fatty acid. Both techniques are based on the fact that the isotopic and the fatty acid signature of the consumer reflect those of its preys in a predictable way, which allows investigations on marine mammal foraging in temporal and geographical scales. However, both methods present some limitations characterized by the fact that they do not allow identification of the consumed species, as well as by the necessity of previous knowledge on prey fatty acid signature or isotopic ratio. In fact, none of the three methods answer all questions regarding feeding ecology and trophic relationships of marine mammal. They do constitute complementary tools that should be simultaneously used wherever possible. Besides, micropollutants concentrations and patterns may provide additional information regarding diet and feeding habits of marine mammals.Os mamíferos marinhos predam sobre uma grande variedade de presas de diferentes níveis tróficos, ocupando nichos diferenciados tanto em cadeias tróficas curtas como em cadeias tróficas longas. Estudos a respeito da ecologia alimentar dos mamíferos marinhos são importantes para entender suas interações tróficas, além de identificar as posições que eles ocupam nas teias alimentares. Estes estudos contribuem para um melhor entendimento da estrutura trófica, do fluxo de energia e do funcionamento dos ecossistemas marinhos. O objetivo dessa revisão foi apresentar os principais métodos utilizados nos estudos de ecologia trófica de mamíferos marinhos, incluindo os requisitos para suas aplicações, as informações que podem ser geradas, assim como as suas limitações. O método mais tradicional, e também o mais antigo, é a análise do conteúdo estomacal e das fezes. A importância dessa ferramenta está na possibilidade de identificação das presas e de se estimar a sua biomassa. Estas características também a tornam uma ferramenta útil como base para a aplicação dos demais métodos. Mais recentemente, duas técnicas que envolvem mensurações de isótopos estáveis e de ácidos graxos têm sido aplicadas. Ambas se baseiam no princípio de que as razões isotópicas e as assinaturas de ácidos graxos do predador refletem aquelas das presas de maneira previsível, possibilitando investigações em escala temporal e espacial do forrageamento dos mamíferos marinhos. Entretanto, essas técnicas apresentam limitações pelo fato de não permitirem a identificação das espécies consumidas, e pela necessidade de conhecimento prévio sobre as assinaturas de ácidos graxos ou razões isotópicas das presas. O fato é que nenhum dos três métodos responde a todas as perguntas em relação ao estudo da ecologia alimentar e das relações tróficas dos mamíferos marinhos. Eles constituem ferramentas complementares que devem ser usadas simultaneamente sempre que possível. Além disso, a determinação das concentrações e dos perfis de contaminação por micropoluentes pode trazer informações adicionais sobre a dieta e hábitos alimentares de mamíferos marinhos