Negative repercussions caused by current food systems highlight the
urgency of adopting healthier and more sustainable diets. The analysis of
environmental impacts from populations’ diet and eating practices can help identify
solutions to achieve sustainable food, considering the environmental, social, and
economic dimensions. This work aims to estimate the environmental footprints of food
consumption (EFF) of people living in Natal/RN and their associations with
socioeconomic characteristics and food purchase practices. Data from 411 people
aged ≥20 years from the BRAZUCA Natal Study were used. Food consumption data
were assessed through a Propensity Questionnaire (PQ), where the frequency of
consumption of food groups was evaluated. The EFF (Water Footprint - WF, Carbon
Footprint - CF, and Ecological Footprint - EF) were estimated considering
standardization of 1,000 kcal/day. The relationship between socioeconomic and
demographic data, food purchase practices with EFF was investigated. To verify the
difference in EFF values between categories of a variable, the Mann-Whitney and
Kruskal-Wallis U tests were performed. EFF was divided into tertiles (Low, Medium,
and High) to assess association with other variables using Correspondence Analysis.
The estimated per capita value of CF, WF and EF was 1,901.88 g
CO2eq/person/day/1,000 kcal, 1,834.03 L/person/day/1,000 kcal and 14.29
m2/person/day/1,000 kcal, respectively. Meat was the food that most contributed to all
three EFF, with emphasis on red meat (CF and WF) and fish (EF). The highest values
of CF and WF were observed in adults, male, Caucasian, with higher per capita family
income, and higher education, who had more meals in cafeterias, consumed more fast
food, and used more food delivery services. Lower EFF values were observed in
elderly, female, non-Caucasian, with lower per capita family income, and lower
education, who had fewer meals in cafeterias, consumed less fast food, and used food
delivery services less. People with the highest EFF consumed more red meat, dairy
products, and ultra-processed products, while those with the lowest EFF consumed
more chicken, bread, sugar, couscous, and tapioca. The findings indicate that better
dietary practices were associated with lower EFF, however; it is important to highlight
the relationship between lower EFF and aspects of the population’s socioeconomic vulnerability. Recognizing these relationships enables the adoption of individual and collective actions aimed at promoting healthier and more sustainable diets for all.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESRepercussões negativas ocasionadas pelos sistemas alimentares atuais
evidenciam a urgência da adoção de dietas mais saudáveis e sustentáveis. A análise
dos impactos ambientais provenientes da dieta e práticas alimentares de populações
pode auxiliar na identificação de soluções para o alcance de uma alimentação
sustentável, considerando as dimensões ambientais, sociais e econômicas. Este
trabalho tem como objetivo estimar as pegadas ambientais da alimentação (PA) de
pessoas residentes em Natal/RN e suas associações com características
socioeconômicas e práticas de compra de alimentos. Foram utilizados dados de 411
pessoas com idade ≥20 anos, participantes do Estudo BRAZUCA Natal. Os dados da
alimentação foram obtidos por meio de um Questionário de Propensão (QP), onde
foram avaliadas a frequência de consumo de grupos de alimentos. As PA (Pegada
Hídrica - PH, Pegada de Carbono – PC, e Pegada Ecológica - PE) foram estimadas
considerando padronização para 1.000 kcal/dia. Investigou-se a relação entre
variáveis socioeconômicas e demográficas, práticas relacionadas à compra de
alimentos com as PA. Para verificar diferença dos valores das PA entre categorias de
cada variável foram realizados os testes de U de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, e
para avaliar associações entre as PA e demais variáveis foi realizada a divisão das
PA em tercis e feita a análise de correspondência. O valor estimado per capita da PC,
PH e PE da alimentação foi de 1.901,88 gCO2eq/pessoa/dia/1.000 kcal, 1.834,03
L/pessoa/dia/1.000 kcal e 14,29 m2
/pessoa/dia/1.000 kcal, respectivamente. As
carnes foram os alimentos que mais contribuíram para o valor de todas as três
pegadas, com destaque para carne vermelha (PC e PH) e peixe (PE). Os maiores
valores de PC e PH foram observados em adultos, do sexo masculino, de raça branca,
de maior renda familiar per capita, de maior escolaridade, que realizaram mais
refeições em lanchonetes, consumiam mais fast food e utilizavam mais serviços de
delivery de alimentos. Menores valores de PA foram observados em idosas, do sexo
feminino, de raça não branca, com menor renda familiar per capita, menor
escolaridade, que realizavam menos refeições em lanchonetes, consumiam menos
fast food e utilizavam menos os serviços de delivery de alimentos. Pessoas que
apresentaram as maiores PA consumiam mais carne vermelha, laticínios e produtos ultraprocessados, enquanto as com menores PA consumiam mais frango, pão,
açúcar, cuscuz e tapioca. Os achados apontam que melhores práticas alimentares
estavam associadas a menores PA, no entanto é importante destacar a relação entre
PA mais baixas com aspectos de vulnerabilidade socioeconômica da população.
Reconhecer essas relações possibilita a adoção de ações de âmbito individual e
coletivo visando a promoção de dietas mais saudáveis e sustentáveis para todos.2024-12-3