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Abstract
A estimulação do nervo vago (VNS) é uma técnica neuromodulatória que usa impulsos elétricos para estimular o décimo nervo craniano, regulando funções involuntárias e sendo aplicada no tratamento de diversas condições neurológicas e psiquiátricas. Este estudo revisa os avanços recentes da VNS, com foco em sua aplicação em epilepsia resistente, reabilitação pós-AVC, transtornos de humor e disfunções cognitivas. A metodologia envolveu uma revisão sistemática qualitativa de estudos publicados entre 2016 e 2024, utilizando descritores específicos nas bases de dados do PubMed, Medline, Cochrane Library e EMBASE. A análise incluiu 7 estudos que abordam tanto a estimulação invasiva quanto a não invasiva. Os resultados mostram que a VNS tem eficácia comprovada na redução de crises epilépticas, especialmente em casos de epilepsia resistente a medicamentos, com efeitos também sobre a neuroplasticidade, facilitando a recuperação motora pós-AVC. Além disso, a VNS demonstrou melhorar sintomas de depressão resistente ao tratamento e ansiedade, com destaque para formas não invasivas, como a estimulação transcutânea. Estudos também indicam o potencial da VNS em suprimir neuroinflamações e melhorar a função cognitiva em pacientes com comprometimento cognitivo vascular. Apesar dos avanços, a personalização dos parâmetros de estimulação e a compreensão completa dos efeitos periféricos ainda requerem mais estudos. A VNS se mostra uma intervenção promissora para uma ampla gama de condições, com potencial crescente para a prática clínica. Nesse sentido, o estudo reforça a relevância da VNS como uma ferramenta terapêutica multimodal, com destaque para seu impacto em condições neurológicas e psiquiátricas