Brazilian Journals Publicações de Periódicos e Editora Ltda.
Abstract
Introdução: Endocardite infecciosa (EI) representa um significativo problema de saúde pública, com uma incidência global estimada em 13,8 casos por 100.000 habitantes anualmente e uma elevada morbimortalidade, de 0,87 mortes por 100.000 habitantes. Relato de caso: Homem, 68 anos, portador de hipertensão e dislipidemia, ex-tabagista, com dentes em mau estado de conservação, foi admitido em hospital terciário do estado de São Paulo com lombalgia há 12 dias associada a perda de força em membros inferiores e febre. Tomografia computadorizada evidenciou abscesso do músculo psoas maior em L4-L5, com crescimento de Staphylococcus aureus nas hemoculturas. Foi aventada a hipótese de EI como foco emboligênico séptico, confirmada com ecocardiografia transesofágica com achado de eco anômalo móvel de 4,3 x 2,5 mm em valva aórtica. Discussão: O primeiro caso de associação de EI com espondilodiscite foi publicado em 1965, e desde então são estudados fatores de risco de impacto na evolução clínica, dentre eles sexo masculino, uso de drogas, diabetes mellitus e infecção por Streptococcus viridans e Enterococcus. Espondilodiscite e abscesso de psoas não aumentam mortalidade nem tempo de internação, entretanto aumentam morbidade do paciente. Conclusão: Apesar de não preencher critérios diagnósticos e de alto risco para EI à admissão, o paciente foi corretamente investigado e tratado precocemente devido alta suspeição clínica, possibilitando completa recuperação sem limitações funcionais