O uso terapêutico da Cannabis e seus derivados no tratamento de doenças neurodegenerativas

Abstract

Introdução: Dentre as principais DNs pode-se citar a Doença de Alzheimer, a Doença de Parkinson, a Coreia de Huntington, a Esclerose Múltipla e a Esclerose Lateral Amiotrófica, todas elas progressivas relacionadas à idade e a fatores de risco como nutrição, infecção, stress oxidativo e associadas à perda e/ou disfunção de neurônios em diferentes regiões do encéfalo. Assim, com milhões de pessoas sendo afetadas com declínio cognitivo, disfunção motora e outros sinais e sintomas neurológicos, o manejo das doenças esboça um impacto direto no bem-estar dos pacientes e de seus familiares, constando como um grande fardo social, salutar e econômico, uma vez que exige ampla necessidade de cuidados paliativos. À vista disso, diversos estudos foram conduzidos nas últimas décadas acerca do uso de canabinóides e sua relação com a fitoterapia. Objetivo: Este estudo tem como objetivo principal realizar uma análise dos atuais estudos sobre o uso de Cannabis e seus derivados na terapêutica de um amplo leque de doenças neurodegenerativas, a fim de verificar sua real eficácia e nível de segurança. Métodos: Foi realizada uma busca nas bases de dados MEDLINE, LILACS e SciELO. Na fase de identificação, utilizando-se os descritores, foram encontrados 76 artigos, não duplicados. Sendo assim, tendo como base os critérios de inclusão, foram filtrados os artigos publicados entre Janeiro de 2014 e Julho de 2024, totalizando 66 artigos. Ainda na elegibilidade, verificando o tema focal da pesquisa, foi excluído 1 artigo que estava incompleto. Ao final, foram selecionados 65 artigos científicos entre revisões da literatura e relatos de pesquisa. Discussão:Apesar das promessas terapêuticas da Cannabis e seus derivados, a pesquisa sobre sua aplicação em doenças neurodegenerativas ainda enfrenta várias limitações que precisam ser abordadas para consolidar seu uso clínico. Uma das principais preocupações é a variabilidade na dosagem e na formulação dos produtos à base de Cannabis utilizados nos estudos, o que dificulta a comparação direta entre os resultados. Além disso, a legislação sobre o uso medicinal da Cannabis varia significativamente entre países, impactando a disponibilidade e a aceitação desses tratamentos. Ademais, a maioria dos ensaios clínicos realizados até agora apresenta tamanhos de amostra pequenos e períodos de acompanhamento relativamente curtos, o que limita a capacidade de generalizar os achados e de avaliar os efeitos a longo prazo. A heterogeneidade nos desenhos dos estudos e nas populações de pacientes também contribui para a inconsistência dos resultados. É essencial que os tratamentos com Cannabis sejam acompanhados de perto por profissionais de saúde para garantir que os benefícios superem os riscos, sendo crucial continuar a investigação para entender completamente os mecanismos de ação, os benefícios e os riscos associados, garantindo que os tratamentos sejam baseados em evidências robustas e seguras. Conclusão: Nota-se a necessidade de mais estudos sobre o tema, como a realização de ensaios clínicos bem projetados com grandes amostras de pacientes e acompanhamento a longo prazo, para validar os achados preliminares e fornecer evidências robustas sobre a eficácia e segurança do uso de Cannabis em doenças neurodegenerativas

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