Introdução: A síndrome congênita do zika vírus (SCZV) é um padrão de anomalias
congênitas associadas à infecção do zika vírus (ZIKV) durante a gestação. O espectro
expandido desta anomalia inclui malformações neurológicas e não neurológicas,
sendo de grande destaque, a epilepsia. Há ampla variação nas descrições de
epilepsia, entre 9-88,3% dos pacientes. A hipótese dessa investigação é que a SCZV
cursa com epilepsia, em frequência maior que a anteriormente documentada, com
alterações possivelmente documentadas através de estudo com
videoeletroencefalograma (VEEG) de 12 horas.
Objetivo: Descrever as características da epilepsia na SCZV, através da avaliação
clínica e eletrográfica.
Metodologia: A avaliação foi realizada por meio de videoeletroencefalograma de 12
horas, no Hospital Universitário Walter Cantídio, e as características da epilepsia
foram avaliadas através de questionário. Trata-se de um estudo não randomizado,
transversal e de inclusão consecutiva, sendo os critérios de inclusão a SCZV
confirmada e o seguimento no Hospital Infantil Albert Sabin.
Resultados: Foram avaliados 12 pacientes com a SCZV, com idade média de 4,94
anos, oito do sexo masculino, todos grau V (transportados em cadeira de rodas
manual) na classificação de função motora grossa (do inglês, “Gross Motor Function
Classification System”, GMFCS) e onze (91,6%), com microcefalia ao nascimento.
Todos os pacientes da amostra apresentaram epilepsia, com idade média do início
das crises epilépticas de 12,4 meses. As crises mais comumente observadas foram:
crise focal (91,6%), seguida por crise generalizada tônica, em 66,6%, e crise gelástica,
em 25% da amostra. Três pacientes, entre dois anos e quatro anos, apresentaram
crises reflexas quando posicionados em decúbito dorsal. A politerapia foi utilizada em
75%, e a monoterapia, em 16,6%. Quanto às características eletroencefalográficas,
todos os pacientes apresentavam atividade de base desorganizada. Paroxismos
epileptiformes interictais estavam presentes em 91,6%, sendo 66,67% ativados pelo
sono. Foi flagrado em 66,67% crises eletrográficas e 41,67% estado de mal elétrico
do sono.
Conclusão: A frequência de epilepsia na população de crianças com SCZV
confirmada é muito elevada (100% dos pacientes), com semiologia variada e frequentemente refratária, inclusive subclínicas e ativadas pelo sono, sendo
importante avaliação eletrográfica mais prolongada e periódica.Não recebi financiament