As prisões de um delinquente rebelde: João Pereira Lima, 41 anos como reincidente genérico e incorrigível

Abstract

This article investigates the practical effects of the medical-positivist discourse in the criminological evaluations of João Pereira Lima throughout his 41 years of imprisonment in various institutions of deprivation of liberty in the state of São Paulo. By recovering his experience of incarceration from the medical records produced by the Institute of Criminal Biotypology (IBC) of the São Paulo State Penitentiary, we investigate the relationship between criminological theories and the construction of his institutional identity as an individual with a psychopathic and dangerous personality. We showed how the construction of his image as a rebellious delinquent contributed to a process of stigmatization, suffered both inside and outside prison, and resulted in the extension of his sentences. Inserted in this universe of the discursive operation of designation, Pereira Lima became the narrator of his own trajectory when he published an autobiography in the pages of the newspaper Última Hora in the first months of 1964. Based on this self-writing, we conclude the article by showing how, by assuming to be the author of the narrative of his own life, Pereira Lima reveals his ability and desire to reconstruct his identity in a way that contrasts with that established by medical knowledge.Este artigo investiga os efeitos práticos do discurso médico-positivista nas avaliações criminológicas de João Pereira Lima ao longo de seus 41 anos de prisão em diversas instituições de privação da liberdade do estado de São Paulo. Ao recuperar sua experiência de encarceramento a partir dos prontuários produzidos pelo Instituto de Biotipologia Criminal (IBC) da Penitenciaria do Estado de São Paulo, investigamos as relações entre as teorias criminológicas e a construção de sua identidade institucional como um indivíduo de personalidade psicopática e perigosa. Demonstramos como a construção de sua imagem como um delinquente rebelde contribuiu para um processo de estigmatização, sofrido dentro e fora da prisão, e resultou no prolongamento de suas penas. Inserido nesse universo da operação discursiva da designação, Pereira Lima se fez narrador de sua própria trajetória ao publicar uma autobiografia nas páginas do jornal Última Hora nos primeiros meses de 1964. A partir dessa escrita de si, encaminhamos a conclusão do artigo demonstrando como, ao assumir-se autor da narrativa de sua própria vida, Pereira Lima revela capacidade e desejo de reconstruir sua identidade de modo a se contrapor àquela estabelecida pelo saber médico

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