Introdução. No desenvolvimento do tumor a alta proliferação das células malignas que libertam citocinas desencadeia um processo inflamatório crónico. A obesidade, que contribui para inflamação crónica de baixo grau, pode estimular o desenvolvimento do cancro, levando a progressão e pior prognóstico. Também o estado nutricional do doente pode impactar no prognóstico e sobrevida por alterações metabólicas geradas pelo excesso de gordura, principalmente, visceral, somado à inflamação sistémica. Por isso, marcadores hematológicos e nutricionais vêm sendo estudados. O objetivo é testar se os parâmetros de inflamação e de sobrepeso/obesidade podem predizer a sobrevida livre de progressão e sobrevida global através de cinco marcadores inflamatórios: Índice de Imunoinflamação sistémica (SII); Índice de prognóstico nutricional (PNI), Relação neutrófilo-linfócito (NRL), Índice de inflamação pulmonar avançada (ALI) e Relação plaqueta-linfócito (PRL). Metodologia. Foram recolhidos dados clínicos e antropométricos a cada três meses após diagnóstico de cancro colorretal de utentes adultos e idosos entre os anos de 2009 e 2023 na Unidade Local de Saúde de São João. A evolução do IMC e dos dados bioquímicos ao longo do tratamento foi demonstrada em gráficos e a análise de sobrevida livre de progressão e de sobrevida global foi realizada através da curva de Kaplan-Meier. Para testar associação, foram realizados o teste qui-quadrado e o forest plot dos marcadores inflamatórios com a progressão de doença. Foi realizada regressão de Cox dos marcadores inflamatórios com a sobrevida livre de progressão e a sobrevida global. Resultados. Foram recolhidos dados de 214 utentes, a maioria homens (57%) em idade adulta (60,8 anos ±12 anos). Mais da metade dos utentes apresentaram progressão de doença (57,9%) e metade faleceu (49,5%). Observamos que mais de 50% dos adultos tiveram progressão. Dos 124 doentes que progrediram, 65 tiveram ganho de peso do diagnóstico até antes da progressão, sendo que a variação de peso neste período entre os grupos com e sem progressão, apresentou diferença significativa (p<0,002). Comparando os grupos IMC na primeira consulta e IMC antes da progressão também houve uma diferença significativa (p=0,009) para o grupo IMC antes da progressão. No teste qui-quadrado, a associação entre IMC antes da progressão com o outcome progressão, mostrou que o doente eutrófico antes da progressão tem quase o dobro de chance de um indivíduo obeso de ter progressão. Ao testar as associações entre todos os dados recolhidos e os marcadores inflamatórios com o desfecho de progressão de doença, verificamos associação positiva, estatisticamente significativa, com o desfecho progressão para IMC (p=0,02), ALI (p=0,015), e PNI (p=0,003). Ao realizar a regressão de Cox, apenas o marcador PNI se associou a progressão (p=0,023) e para a sobrevida global, três deles apresentaram diferença significativa SII (p=0,008), PLR (p=0,014) e PNI (p=0,022). Conclusão. Neste estudo, concluímos que os parâmetros inflamatórios são boas formas de auxiliar os profissionais de saúde na sua conduta clínica, pois podem ser bons preditores de sobrevida livre de doença e sobrevida global nos doentes com CCR, sendo o PNI, o que apresentou maior associação com os outcomes. Assim, mais estudos são necessários para determinar quais índices de inflamação são fatores de prognóstico nos doentes com cancro colorretal.Introduction. During tumor development, the high proliferation of malignant cells that release cytokines triggers a chronic inflammatory process. Obesity, which contributes to chronic low-grade disease, can stimulate the development of cancer, leading to progression and a worse prognosis. The patient's nutritional status can also impact prognosis and survival due to metabolic changes generated by excess fat, mainly visceral, in addition to systemic inflammation. Therefore, hematological and nutritional markers have been trained. The goal is to test whether inflammation and overweight/obesity disruptions can predict progression-free survival and overall survival through five inflammatory markers: Systemic Immunoinflammation Index (SII); Nutritional Prognostic Index (PNI), Neutrophil-Lymphocyte Ratio (NRL), Advanced Lung Inflammation Index (ALI), and Platelet-Lymphocyte Ratio (PRL). Methodology. Clinical and anthropometric data were collected every three months after diagnosis of colorectal cancer from adult and elderly patients between 2009 and 2023 at the Unidade Local de Saúde de São João. The evolution of Bdy Mass Index (BMI) and biochemical data throughout treatment was demonstrated in graphs and the analysis of progression-free survival and overall survival was performed using the Kaplan-Meier curve. To test the association, the chi-square test and Forest Plot of inflamed markers with disease progression were performed. Cox regression of inflamed markers with progression-free survival and overall survival was performed. Results. Data were collected from 214 patients, the majority of whom were men (57%) of adult age (60.8 years ±12 years). More than half of patients experienced disease progression (57.9%) and half died (49.5%). We observed that more than 50% of adults had progression. Of the 124 patients who progressed, 65 had weight gain from diagnosis until before progression, and the variation in weight during this period between the groups with and without progression showed a significant difference (p<0.002). Comparing the BMI groups at the first appointment and BMI before progression there was also a significant difference (p=0.009) for the BMI group before progression. In the chi-square test, an association between BMI before progression and the progression outcome, showed that a eutrophic patient before progression has almost twice the chance of an obese individual of having progression. When testing the associations between all collected data and inflammatory markers with the stage of disease progression, we found a positive, statistically significant association with progressive advancement for BMI (p=0.02), ALI (p=0.015), and PNI (p=0.003). When performing Cox regression, only the PNI marker was associated with progression (p=0.023) and for overall survival, three of them highlighted a significant difference SII (p=0.008), PLR (p=0.014) and PNI (p=0.022). Conclusion. In this study, we conclude that inflammatory parameters are good ways to assist health professionals in their clinical management, as they can be good predictors of disease-free survival and overall survival in patients with CRC, with PNI being the one that showed the greatest association with outcomes. Therefore, more studies are needed to determine which indices of inflammation are prognostic factors in patients with colorectal cancer