Este artigo revisita os conceitos de tonalidade, função harmônica e prolongamento a partir de um olhar crítico sobre a disciplina da teoria e a análise musical, mais especificamente, sobre o caráter colonial da teoria tonal institucionalizada no ocidente e seu cânone. Na primeira parte do artigo, concilia-se diferentes concepções de função harmônica com uma compreensão espaço-temporal da tonalidade na qual se manifestam propriedades paradigmáticas e sintagmáticas. Sobre a base desta perspectiva bidimensional da função harmônica, propõe-se um modelo analítico que se distancia do hábito hegemônico de se priorizar sintaticamente a dominante, colocando em pé de igualdade forças plagais e autênticas. Esta redistribuição de forças tonais dá suporte à sistematização de um catálogo ampliado de fórmulas cadenciais, exemplificado com um repertório que vai desde o rock argentino e a MPB até a música clássica. Na segunda parte do artigo, propõe-se um conjunto de técnicas de elaboração sintagmática que tem como objetivo liberar o conceito de prolongamento da presença de uma malha contrapontística complexa. Ao posicionarmos em um espectro único práticas tonais que têm se mantido afastadas epistemológica e ideologicamente, visa-se dar um lugar a práticas tonais subalternizadas pela teoria harmônica institucionalizada e o cânone centro-europeu. O artigo conclui com uma análise estrutural da canção Dindi de Tom Jobim