Estudo microbiológico, epidemiológico e molecular de dermatófitos em cães e gatos atendidos no Hospital Veterinário da UFPR, abrigos de animais e laboratório particular de Curitiba e Região Metropolitana
Orientador: Prof. Dr. Flávio de Queiroz Telles FilhoCoorientador: Prof. Dr. José Francisco Ghignatti WarthDissertação (mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia. Defesa : Curitiba, 29/06/2022Inclui referências: p. 96-104Resumo: A Dermatofitose é uma infecção cutânea superficial de tecidos queratinizados causada por dermatófitos pertencentes aos gêneros Microsporum, Nannizzia, Trichophyton, Paraphyton, Lophophyton, Arthroderma ou Epidermophyton. Dentre as dermatoses de origem infecciosa que mais acometem os animais domésticos, as Dermatofitoses têm importância significativa devido ao seu potencial zoonótico, pois cada vez mais os animais de companhia estão inseridos no convívio familiar e mantendo um contato muito próximo com seus tutores. Portanto o objetivo do presente trabalho foi avaliar a prevalência atual dos principais dermatófitos causadores desta zoonose em Curitiba e região metropolitana, bem como realizar um estudo destas dermatomicoses em caninos e felinos para que perfis epidemiológicos possam ser traçados. Para isso, foram analisados dados de cães e gatos provenientes do atendimento de rotina do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná entre os anos de 2004 e 2021, residentes em abrigos de animais e fungos isolados de amostras cutâneas oriundos de laboratório privado de Curitiba. Foi realizado o diagnóstico fenotípico, através das identificações macro e micromorfológica e diagnóstico molecular, por meio de sequenciamento do gene ITS do DNA ribossomal dos fungos. Ao todo foram analisadas 1571 amostras de pele, pelo e garras de caninos e felinos. Destas 1286 (81,9%) foram de cães e 285 (18,1%) de gatos. A prevalência da Dermatofitose em Curitiba e região metropolitana foi de 12,1% (191/1571). Das amostras caninas, 7,4% (95) e 33,7% (96) das felinas foram positivas para dermatófitos. Foram isolados de cães 60 (63,2%) M. canis, 27 (28,4%) N. gypsea, 7 (7,4%) Microsporum sp. e 1 (1%) N. incurvata. Nos gatos 89 (92,7%) eram M. canis, 3 (3,1%) N. gypsea, 3 (3,1%) Microsporum sp. e 1 (1%) N incurvata. No Brasil não há retados, anteriores a este trabalho, de Dermatofitoses em cães e gatos tendo como agente etiológico a N. incurvata. Desta forma, conclui-se que na população de animais atendida pelo Hospital Veterinário da UFPR, os gatos foram significativamente mais acometidos pela Dermatofitose do que os cães (p0,05). Os gatos da raça Persa foram significativamente mais acometidos que as demais raças (p0,05). Persian cats were significantly more affected than other breeds (p<0.05). Both dogs and cats living in shelters were significantly more affected by dermatophytosis than domiciled dogs and cats that have guardians (p<0.05). Also, according to molecular analyses performed, the ITS rDNA gene presents robust results in the identification at the specific level of Nannizzia species, while for Microsporum species this gene did not present results with good support and the use of other genes for the identification of species of this genus is recommended