Sustentabilidade e corporações : uma análise sobre as Políticas de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática de grandes bancos privados

Abstract

Após mais de cinquenta anos desde a emergência das discussões ambientais, as condições de vida no planeta seguem se deteriorando. Nesse contexto, apesar da ampla difusão do discurso sobre o desenvolvimento sustentável, o que se percebe é uma ausência de resultados que permitam imaginar outro destino possível para além do “fim do mundo”. Por meio de uma análise do discurso mobilizado nas Políticas de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática (PRSAC) dos três maiores bancos privados do país, este trabalho investiga de que forma a narrativa sobre a sustentabilidade é mobilizada e como esta é relacionada aos interesses das grandes corporações. Compreende ainda o surgimento e a conformação de uma versão hegemônica sobre sustentabilidade a partir da necessidade, por parte das grandes corporações, de buscarem a manutenção dos seus lucros em um contexto de esgotamento da Natureza Barata (Moore, 2022), o qual possibilitou o surgimento da era do Capitaloceno (uma proposta que visa a matizar questões ignoradas por estudiosos do Antropoceno). Da mesma forma, a noção de risco social corporativo, tal qual a define Giffoni Pinto (2019), surge como mecanismo de materialização do discurso hegemônico sobre o desenvolvimento sustentável. O trabalho conclui apontando que os indícios encontrados na análise permitem inferir que a narrativa sobre o desenvolvimento sustentável é modulada pelo objetivo principal da manutenção dos lucros das empresas, ainda que este processo não seja realizado de forma completamente harmônica

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