O aracnídeo conhecido como aranha-marrom pertence ao gênero Loxosceles. Na área da medicina veterinária, os incidentes causados por mordidas desses aracnídeos são raramente descritos, e seu diagnóstico é considerado um desafio formidável. O presente trabalho traz à luz os desfechos alcançados na terapêutica empregada em um cão sem raça definida (SRD), de oito anos, que apresentou lesão dermonecrótica após ser atingido por aranha pertencente ao gênero Loxosceles. O paciente apresentou lesões de considerável extensão, livres de infecções secundárias e notavelmente desafiadoras na cicatrização. Para o tratamento, foi preconizada a utilização de hepatoprotetores, antieméticos, antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, complexos vitamínicos, pomadas e soluções antissépticas. Ademais, uma terapia de reposição de fluidos foi aplicada, sua seleção pautada nos sinais clínicos manifestados pela paciente. Por fim, submeteu-se a cuidados medicinais por um período de três dias, seguido por tratamento domiciliar, conduzido com destreza por sua guardiã, utilizando o pó derivado da casca da planta Stryphnodendron adstringens, conhecida como barbatimão. Esta intervenção ocorreu em ambiente domiciliar duas vezes ao dia, até a completa regeneração dos tecidos afetados. Ao fim do ciclo terapêutico que abrangeu cinco semanas, registrou-se a restauração integral dos tecidos previamente acometidos. O fenômeno de cicatrização revelou-se sobretudo vinculado à presença substancial de taninos na casca da mencionada planta. Os benefícios da etnoveterinária foram observados com tratamento à base do pó obtido da casca do barbatimão foram análogos àqueles previamente descritos para extratos derivados da mesma casca da planta. Após trinta dias de tratamento, observou-se uma significativa melhora tanto nas lesões de dermonecrose quanto nos níveis das enzimas hepáticas