Tese de Mestrado em Psicologia,
área de especialização em Avaliação
Psicológica apresentada à Faculdade de
Psicologia e de Ciências da Educação da
Universidade de CoimbraA Inteligência inclui a capacidade mental de raciocinar, resolver problemas, planear,
compreender ideias e aprender, sendo tradicionalmente examinada por instrumentos de avaliação
fundamentados do ponto de vista teórico, psicométrico e normativo. O incremento de instrumentos
disponíveis que possibilitem precocemente, em idades pré-escolares, a avaliação da inteligência
corresponde no nosso país a uma necessidade sentida pelos profissionais.
O teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR; Raven, 1947; Simões, 2000) é
um dos instrumentos de avaliação da inteligência não verbal mais utilizados neste contexto. Porém,
em Portugal não existem estudos publicados com esta prova em idade pré-escolar.
Na presente investigação foi observada uma amostra de 210 crianças, de ambos os sexos,
com desempenho escolar normal e frequência do pré-escolar e primeiro ciclo, oriundas de 8
agrupamentos de escolas do Distrito de Leiria, maioritariamente provenientes de escolas públicas,
com o objectivo de estudar as características psicométricas e obter dados normativos numa faixa
etária entre os 4 anos e 0 meses e os 6 anos e 11 meses. Para efeitos de estratificação da amostra
consideraram-se adicionalmente as percentagens nacionais relativas às áreas de residência
(urbana/rural).
Os estudos psicométricos incluíram o exame da precisão: (i) a estabilidade temporal testereteste
com um intervalo de 3 semanas (r = .75); e (ii) a análise da consistência interna (alfa de
Cronbach = .73). Os estudos de validade com o teste das MPCR foram realizados com base numa
amostra de 25 crianças e no recurso a 2 subtestes da WPPSI-R (Quadrados e Vocabulário)
(Wechsler, 2003), ao teste do Desenho da Figura Humana (DAP; Naglieri, 1988) e ao Rivermead
Behavioural Memory Test for Children (RBMT-C; Wilson, Ivani-Chalian & Aldrich, 1991). As
correlações mais elevadas foram observadas entre pontuações nas MPCR e os subtestes de
Vocabulário (r = .65) e Quadrados (r = .56) da WPPSI-R, tendo sido obtidas correlações
relativamente baixas com as pontuações no RBMT-C (r = .39) e DAP (r = .20). Do ponto de vista
normativo e de acordo com o esperado é observado um incremento sistemático e progressivo dos
resultados com a idade.
Considerados globalmente, os resultados da presente investigação apontam para valores
de precisão e validade aceitáveis, sugerindo que o teste das MPCR pode ser utilizado com utilidade
nestas faixas etárias