Aborto: uma questão de gênero

Abstract

Quando o tema do aborto é disposto em diferentes meios sociais, percebe-se que há impressões que estão intrinsicamente ligadas à sua proposição. Por exemplo, o aborto como um debate relativo ao início da vida, embora a discussão seja sobre um fim em concreto de uma possível vida que detém mera expectativa de existir. Ou mesmo o aborto como um aparato médico ou jurídico, isto é, uma problemática de saúde pública ou de direitos sexuais e reprodutivos da mulher. Contudo, o aborto não costuma ser tratado como uma divergência política entre agentes sociais com objetivos e anseios distintos, assentada sobre os estudos de gênero. Essa mudança de lócus de entendimento é proposta em consonância aos conhecimentos bioéticos, em virtude dos movimentos sociais feministas em função da legalização do aborto no Brasil, em discussão no Supremo Tribunal Federal. Além disso, o trabalho propõe uma reflexão quanto à viabilidade de se pensar o aborto sob uma outra orientação de produção científica, em contraste com a hegemônica, numa sociedade patriarcal que nos socializa numa racionalidade machista de domínio do corpo da mulher. Sob esta égide, o aborto é encarado como uma questão de gênero e sua legalização como uma questão de tempo

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