A emergência de qualquer tecnologia tem sido acompanhada pelo surgimento de
grandes expectativas quanto às suas potencialidades, tendo o mesmo acontecido com as
Tecnologias da Informação e da Comunicação. Este otimismo está associado às
perspetivas tecnologicamente deterministas em que a tecnologia é sempre vista como
fonte incontornável de progresso da humanidade. Nesta dissertação parte-se de uma
abordagem mais realista e da evidência empírica sobre desigualdades recorrentes no
acesso às TIC, recorrendo-se a uma abordagem multidimensional do acesso. Face ao
exposto, o objetivo desta dissertação é analisar desigualdades digitais (existentes e
emergentes) de jovens universitários no acesso às TIC, desde a sua frequência na PréEscola até ao Ensino Superior. Optou-se por uma metodologia de carácter qualitativo,
tendo-se utilizado a entrevista semidiretiva como técnica de recolha de dados. O
resultado obtido vai ao encontro de diversos estudos realizados que identificam
desigualdades recorrentes no seio dos jovens, incluindo os que frequentam o ensino
superior. À semelhança de tais estudos, esta pesquisa contribui também para desafiar a
ideia preconcebida de «nativos digitais» associada também a ideia de estarmos perante
a geração mais esclarecida de sempre, como se os jovens pudessem ser considerados
um grupo homogéneo.The surge of any technology has been accompanied by the emergence of great
expectations as to its potential, with the same thing happening to Information and
Communication Technology (ICT). This optimism is associated with the technologically
deterministic perspectives in which technology is always seen as an unavoidable source
of humanity's progress. This dissertation is based on a more realistic approach and
empirical evidence on recurrent inequalities in access to ICT using a multidimensional
approach to access. In view of the above, the goal of this dissertation is to analyze
digital inequalities (existing and emerging) of young university students with access to
ICT from their pre-school attendance to higher education. A qualitative methodology
was chosen, using the semi-directive interview as a data collection technique. The result
obtained is an addition to several studies that identify recurrent inequalities within
young people including those attending higher education. Like such studies, this
research also contributes to challenging the preconceived idea of «digital natives»
associated with the idea that we are before the most enlightened generation ever as if
young people could be considered a homogeneous group