Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saude Mental
Doi
Abstract
Post‐traumatic stress disorder (PTSD) is a common psychiatric illness, usually chronic, with severe implications for the quality of life of the affected person and their family, and which has been increasingly recognized as a Public Health problem. In the last two decades, clinical studies with 3,4‐methylenedioxymethamphetamine (MDMA) have been demonstrating its promising role as a psychotherapeutic catalyst in patients with PTSD, and in 2017 MDMA‐assisted psychotherapy was named breakthrough therapy by the Food and Drug Administration (FDA).
These studies have been replicated in several locations around the world, according to strict protocols, and its approval for clinical use is currently scheduled for 2023. In May 2021, the first results of phase III studies were published, in which participants who received MDMA‐Assisted Psychotherapy experienced a significant and lasting reduction in PTSD symptoms. The acute prosocial and interpersonal effects of MDMA have been shown to significantly improve
the quality of the therapeutic alliance, enhancing adherence to PTSD treatment and its outcome. Clinicians suggest that MDMA can catalyze therapeutic processing, allowing patients to remain emotionally engaged while revisiting traumatic experiences without becoming overwhelmed.Taking into account the prevalence of PTSD and the limitations found with currently available treatments, a literature review was carried out with the aim of examining the use of MDMA assisted psychotherapy in post‐traumatic stress disorder, presenting a historical contextualization of this molecule, its potential effects on different symptoms of this disorder and identifying priority areas for intervention and future investigations.A perturbação de stress pós‐traumático (PSPT) é uma doença psiquiátrica comum, geralmente crónica, com severas implicações na qualidade de vida da pessoa afetada e da sua família, e que tem vindo a apresentar um crescente reconhecimento enquanto problema de Saúde Pública. Nas últimas duas décadas, estudos clínicos com 3,4‐metilenodioximetanfetamina (MDMA) têm vindo a demonstrar o seu papel promissor enquanto potencializador psicoterapêutico em doentes com PSPT, tendo a psicoterapia assistida por MDMA inclusivamente recebido em 2017 a designação de breakthrough therapy.
Estes estudos têm vindo a ser replicados em vários locais do mundo, segundo estritos protocolos, estando atualmente asua aprovação para uso clínico prevista para 2023. Em maio de 2021, foram publicados os primeiros resultados de estudos de fase III, nos quais os participantes que receberam psicoterapia assistida por MDMA experienciaram uma redução significativa e duradoura nos sintomas de PSPT. Os efeitos pró‐sociais e interpessoais agudos do MDMA têm demonstrado melhorar significativamente a qualidade da aliança terapêutica, potenciando a adesão ao tratamento da PSPT e o seu outcome. Os clínicos sugerem que o MDMA pode catalisar o processamento terapêutico, permitindo que os pacientes permaneçam emocionalmente envolvidos enquanto revisitam experiências traumáticas sem se tornarem oprimidos.Tendo em conta a prevalência da PSPT e as limitações encontradas com os tratamentos atualmente disponíveis, foi realizada uma revisão narrativa da literatura com o objetivo de examinar a utilização da psicoterapia assistida por MDMA na perturbação de stress pós‐traumático, apresentando uma contextualização histórica desta molécula, os seus potenciais efeitos nos diferentes sintomas desta patologia e identificando áreas prioritárias para intervenção e investigações futuras