A autoficção pode ser definida a partir do pacto de leitura que ela instaura, o pacto ambíguo, conforme Alberca, o qual agrupa os pactos autobiográfico e romanesco, de Lejeune, mas também demanda a forma de recepção específica do leitor-ideal, o qual, conforme Iser, estabelece o pacto a partir do reconhecimento do gênero literário da obra para, durante a leitura, apreender suas especificidades. Conforme Searle, toda obra literária é elaborada a partir de uma intencionalidade. A intenção do autor de autoficção é a configuração dessa ambiguidade, que é durativa, ou seja, os elementos autobiográficos são apreendidos ao longo da leitura, após o reconhecimento do gênero como ficcional.DOI: https://doi.org/10.47295/mren.v10i7.351