A questão da empregabilidade dos graduados converteu-se nos tempos mais recentes numa das
preocupações centrais das Instituições de Ensino Superior. O acompanhamento do percurso
socioprofissional dos diplomados é hoje, não só uma forma de aferir o sucesso do ensino, mas também
uma necessidade de ajustar as estratégias das instituições em resposta às necessidades desse mesmo
mercado. Tal acompanhamento constitui uma ferramenta particularmente importante para a
definição de políticas de melhoria da qualidade da formação ministrada nos diversos ciclos de estudos.
A própria Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) releva para fins de avaliação
e acreditação de cursos um conjunto de informação sobre a empregabilidade dos diplomados. A recolha
desta informação está atualmente a ser objeto de tentativas de sistematização de procedimentos entre
várias universidades, nomeadamente por ação quer da própria A3ES, quer do Conselho de Reitores das
Universidades Portuguesas (CRUP).
Foi neste contexto que a Reitoria da Universidade de Aveiro (UA) criou o Observatório do Percurso
Socioprofissional dos Diplomados da Universidade de Aveiro. Este relatório faz a apresentação
pública dos principais resultados obtidos no âmbito do Estudo sobre a Empregabilidade e Situação
perante o Emprego dos Diplomados da UA no Triénio de 2008/09 a 2010/11. Os resultados são assim
apresentados por tipo de ensino – universitário e politécnico; ciclo de estudos – 1º ciclo, 2º ciclo, 3º ciclo
e mestrado integrado; e por área CNAEF – Educação, Humanidades, Ciências Sociais, Ciências Exatas,
Engenharias, Saúde e Serviços.
O inquérito incidiu sobre um universo de 7195 diplomados dos cursos de todos os ciclos de estudos
ministrados na UA no triénio de 2008/09 a 2010/11, tendo sido inquiridos um total de 2693 diplomados
(correspondendo a uma taxa de sondagem efetiva de 37,4%). O inquérito foi realizado através de
entrevistas telefónicas efetuadas entre março e setembro de 2012 tendo sido obtida uma taxa de
resposta de 76,8%.
Os resultados apresentados neste documento permitem concluir que, de uma forma global, o
panorama da UA ao nível da empregabilidade dos seus diplomados no triénio em análise é bastante
positivo, face à atual crise económica que o país enfrentava no período de recolha dos dados. As taxas
de emprego dos diplomados da UA, considerando os diferentes tipos de ensino, ciclos de estudo e
áreas de formação dos mesmos, rondam em média os 80%, situando-se entre os 75% para os cursos
da área dos Serviços, e os 88% para os cursos da área da Educação. Por outro lado, é maior a taxa de
empregabilidade entre os detentores de um 2º ou 3º ciclo, face aos detentores de um 1º ciclo. Ao nível do
1º ciclo a maior parte dos diplomados (60%) prosseguem os seus estudos imediatamente após a conclusão
da licenciatura (nomeadamente nas áreas das Ciências Exatas e Engenharias). Relativamente ao
desemprego, e sobretudo se tivermos em conta o elevado nível de desemprego jovem em Portugal, mesmo
que qualificados, pode afirmar-se que a formação da UA dá efetivamente uma proteção relativamente
a esse risco. A este nível são de destacar as baixas taxas de desemprego ao nível das formações em
Engenharias e Educação e dos Mestrados Integrados. Por seu lado, as melhores perspetivas de
integração dos alunos das áreas de Engenharias e Educação, tais como as dos alunos de segundo ciclo, são também visíveis se analisarmos o número médio de meses de transição para o primeiro emprego
(que ronda os quatro meses).
Finalmente, é de referir que os dados apurados são globalmente positivos, tanto mais que os dados do
desemprego de diplomados, disponibilizados pelo IEFP (baseados na taxa de desempregados inscritos nos
centros de emprego) mostram, para o período em análise, uma percentagem de desemprego dos diplomados
da UA de 9,6% (contra 11,2% para a média nacional) para todos os diplomados do ensino superior.
Em termos de condição face ao emprego, a grande maioria dos diplomados da UA encontra-se
numa situação de emprego por conta de outrem, sendo que os vínculos estabelecidos com a entidade
empregadora correspondem na maioria dos casos a um contrato de trabalho sem termo (efetivo) ou a
um contrato de trabalho a termo certo. A esmagadora maioria dos diplomados aufere salários médios
mensais líquidos que se situam entre os 500 e os 1500 euros, sendo que, a este respeito, os diplomados
de cursos universitários de um 2º ciclo ou mestrado integrado e das áreas da Educação e Engenharias
são aqueles para quem se registam maiores salários.
Relativamente ao emprego encontrado pelos diplomados, é de salientar a significativa percentagem
daqueles que se encontram empregados na área de formação dos seus cursos (globalmente cerca de 80%
dos diplomados). Mais uma vez, esse facto é sobretudo relevante no caso dos alunos que completam
o segundo ciclo e no caso dos diplomados das áreas de Educação, Engenharias e Saúde. Igualmente
significativo é o facto de cerca de 85% dos diplomados considerarem que as competências exigidas no
curso em que se diplomaram são compatíveis com as exigidas no atual emprego.
Finalmente, outro resultado importante tem a ver com o facto dos diplomados, na sua grande maioria,
voltarem não só a escolher a Universidade de Aveiro (mais de 90%), mas também o curso em que se
diplomaram (cerca de 80%)