Pro-Inclusão, Associação Nacional de Docentes de Educação Especial
Abstract
O ensino para todos e para cada um tem sido alternado por interesses pedagógicos ou por vezes meramente financeiros.
Políticas educativas conjunturais não têm em consideração o médio nem o longo prazo. Querer que todos atinjam os mesmos
objetivos com os mesmos meios tem-se revelado ineficaz, dispendioso e cada vez mais perigosamente excludente. Em 2012 faz
100 anos que Faria de Vasconcelos (1880-1939) abriu a primeira escola nova na Bélgica, considerada modelo para o movimento
da educação nova, mas essa «utopia, já velha» de um século torna-se hoje uma «utopia necessária» ainda longe de estar
realizada e mesmo apoiada pelas maiorias.
Que aprendizagem inclusiva e individualizada é possível e desejável hoje?
Analisa-se reflexivamente, numa perspectiva histórico-comparativa e organizacional-curricular, o caso da escola nova de Faria de
Vasconcelos como contributo para a implementação da aprendizagem inclusiva e individualizada.
Este estudo de caso mostra que os três pontos fundamentais da educação nova foram aplicados de forma a constituir uma
indispensável reflexão sobre a educação e formação inclusivas: a ultrapassagem da antinomia cidade-campo; a aprendizagem
inclusiva baseada nas literacias a partir da experiência e a ela retornando; a autonomia e a responsabilidade aplicadas na vida
concreta. As consequências daí resultantes transformam profundamente o conceito de escola e as suas práticas, nomeadamente
na organização de grupo aberto/turma móvel.
Portugal é dos países onde parte do território está em vias de desertificação, onde diferenças sociais e profissionais são das mais
acentuadas, onde menos se trabalha a meio-tempo, onde a «sagrada» família encobre muitas clivagens e onde ainda não se
educa para a autonomia e a responsabilidade. Mesmo em tempos de crise, massificar, unificar e estereotipar a educação leva ao
aumento do insucesso escolar, da exclusão social e a ruturas que se tornarão muito dispendiosas no futuro