As rochas anfibolíticas aflorantes na região de Ovar-Espinho (ZOM),
consideradas de idade precâmbrica, pertencentes à Série Negra, encontramse
intercaladas em filádios da zona do cloritóide (xistos anfibolíticos) e em
migmatitos (anfibolitos).
As rochas anfibolíticas que afloram na região de Oliveira de Azeméis (ZCI) são
anfibolitos, considerados como pertencentes ao Complexo Xisto-Grauváquico
Ante-Ordovícico.
Todas as amostras de rochas anfibolíticas estudadas foram, tal como as
rochas metassedimentares adjacentes, afectadas de metamorfismo e de
deformação Varisca. O estudo das associações mineralógicas metamórficas
destas rochas confirma que estas foram metamorfizadas em condições das
fácies epídoto-anfibolítica (xistos anfibolíticos de Ovar-Espinho) e anfibolítica.
A determinação dos protólitos baseada em dados de campo e/ou petrográficos
não é possível dada a obliteração de características originais pelo processo de
deformação e metamorfismo. Somente algumas amostras na fácies epídotoanfibolítica
preservam texturas possíveis de serem interpretadas como texturas
ígneas relíquia. O estudo geoquímico realizado permite reconhecer que todos
os protólitos dos metabasitos seriam ígneos, de composição basáltica e
basáltica-andesítica de carácter toleítico e representariam líquidos de
composição afectada por processos de diferenciação magmática.
Do ponto de vista geoquímico, os metabasitos de Ovar-Espinho são
classificados em três grupos, atendendo aos diferentes tipos de perfis de REE
e multielementares e às informações dadas pelos diagramas discriminantes.
O grupo 1 está unicamente representado pelos protólitos de algumas amostras
de xistos anfibolíticos e relaciona-se com uma fonte empobrecida tipo MORBN.
O grupo 3 tem carácter oposto ao do grupo 1 destacando-se pelo
enriquecimento global dos teores de elementos incompatíveis, enriquecimento
mais pronunciado em Th, La, Ce, e na razão Th/U e pelas anomalias negativas
em Nb e Ti.
O grupo 2 apresenta características transicionais entre as que caracterizam os
grupos 1 e 3.
O enriquecimento que caracteriza o grupo 3 é similar ao dos basaltos de
margens destrutivas nos diagramas discriminantes em que se utiliza o Th mas
não é reconhecido nos diagramas discriminantes em que se considera a fO2 ou
a ausência de empobrecimento em elementos incompatíveis característicos de
magmas orogénicos. O quimismo é compatível com o efeito produzido por
contaminação de basaltos astenosféricos com rochas ácidas ou com crosta
superior em resultado da assimilação do encaixante durante a ascensão dos
magmas.
A variabilidade composicional dos metabasitos de Ovar-Espinho é interpretada
como reflectindo o processo combinado de cristalização fraccionada e
contaminação por material crustal.
Assim, os metabasitos de Ovar-Espinho são interpretados como sendo
cogenéticos, anorogénicos e correspondentes a toleítos continentais.
A análise preliminar comparativa do quimismo dos metabasitos de Ovar-
Espinho e de outros da ZOM e pertencentes à Série Negra, apresentados na
bibliografia, permite concluir que os mesmos efeitos produzidos por
contaminação crustal em magmas básicos empobrecidos de carácter toleítico
estariam também representados. Os mesmos efeitos geoquímicos podem, de
acordo com os dados bibliográficos e análise de amostras, não estar
representados em metabasitos da região de Oliveira de Azeméis e do
Caramulo, que são considerados como sendo do Paleozóico.
A aplicação do método 39Ar/40Ar em anfíbola de um anfibolito originou uma
idade plateau de 309,8 ± 3,6 Ma, sendo esta considerada uma idade Varisca.
Aplicando o método 87Rb/86Sr, em concentrados de plagioclase, anfíbola e em
rocha total da mesma amostra, obteve-se uma pseudo-isócrona de 166 ± 14
Ma. Recalculando os dados para 310 Ma (assumindo como a idade do
metamorfismo Varisco) conclui-se a existência de desequilíbrio isotópico há
época do metamorfismo e que há data da recristalização metamórfica a
plagioclase e anfíbola tinham composições isotópicas diferentes, reflectindo
provavelmente heterogeneidade isotópica dos materiais de onde derivaram.
ABSTRACT: The amphibolitic rocks outcropping in Ovar-Espinho region (OMZ), considered
of precambrian age, belonging to the “Série Negra”, are interlayed in phylites
from the chloritoid zone (amphibolitic schists) and in migmatites (amphibolites).
The amphibolitic rocks that occur in the Oliveira de Azeméis region (CIZ), are
amphibolites considered to be part of the “Complexo Xisto-Grauváquico Ante-
Ordovícico”.
All amphibolitic rock samples studied were, as the adjacent metapelitic rocks,
affected by metamorphism and by Variscan deformation. The study of
metamorphic mineralogical associations of these rocks confirms that they were
metamorphized in conditions of epidote-amphibolitic (Ovar-Espinho
amphibolitic schists) and amphibolitic facies. The determination of the protolith
based in field and/or petrographic data it’s not possible due to the obliteration of
original characteristics from the deformation process and metamorphism. Only
some samples in the epidote-amphibolitic facies preserve textures that can be
interpreted as relict igneous textures.
The geochemical study allows recognizing that all protolith metabasites would
be igneous, from basaltic and basaltic-andesitic composition of tholeiitic
character and would represent liquids of composition affected by magmatic
differentiation processes.
From the geochemical point of view, the Ovar-Espinho metabasites are
classified in three groups, having in account the different types of REE and
multi-element patterns and the information given by the discrimination
diagrams.
The group 1 is only represented by the protolith of some samples of
amphibolitic schists and is related with a N-MORB type depleted source.
The group 3 has an opposite character to group 1 highlighted by the global
enrichment of the incompatible elements contents, an enrichment more
accentuated in Th, La, Ce, and in the ratio Th/U and by the negative anomalies
in Nb and Ti.
The group 2 has transitional characteristics between the ones of the group 1
and 3.
The enrichment that characterizes the group 3 is similar to the one of the
basalts of destructive margins in the discrimination diagrams where the Th is
used. However it is not recognized in the discrimination diagrams where is
considered the fO2 or the absence of depletion in incompatible elements
characteristics of orogenic magma. The geochemical characteristics are
compatible with the effect produced by basalts astenospheric contamination
with acidic rocks or with the upper crust, in result of country rock assimilation
during the magma ascension.
The compositional variability of the Ovar-Espinho metabasites is interpreted as
reflecting the combined process of fractionated crystallization and
contamination by crustal material.
Therefore, the Ovar-Espinho metabasites are interpreted as being cogenetics,
anorogenics and corresponding to continental tholeiites.
The preliminary comparative analysis of the geochemical data of the Ovar-
Espinho metabasites and others from the OMZ, belonging to the “Série Negra”,
referred in the literature, allow to conclude that the same effects produced by
crustal contamination in basic magmas depleted of tholeiitic character would be
also represented. The same geochemical effects can, according to the
literature data and samples analysis, are not represented in metabasites of the
Oliveira de Azeméis and Caramulo region, that are considered to be from the
Paleozoic.
The application of the 39Ar/40Ar method in the amphibole of an amphibolite
resulted in a plateau age of 309,8 ± 3,6 My, being considered from Variscan
age.
The 87Rb/86Sr mineral isopote data of plagioclase, amphibole and whole rock of
the same sample define a pseudoisochron of 166 ± 14 My. Recalculating the
data to 310 My (assuming as the age the Variscan metamorphism) it was
concluded the existence of a isotopic disequilibrium at the time of the
metamorphism and that at the time of the metamorphic recrystallization the
plagioclase and amphibole had different isotopic compositions, reflecting
probably the isotopic heterogeneity of the material from which they derived