O Jongo Folclórico de Bias Fortes e as narrativas do patrimônio cultural

Abstract

Este artigo apresenta uma investigação sobre o Jongo Folclórico de Bias Fortes, localizado na Zona da Mata Mineira. Por meio do levantamento da história, das características e do ritual dessa comunidade, é discutida a relação entre o jongo e o patrimônio cultural, tendo em vista que o Jongo no Sudeste é reconhecido pelo IPHAN como patrimônio cultural do Brasil desde 2005. Busca-se demonstrar como o registro do Jongo no Sudeste feito pelo instituto constrói uma narrativa daquilo que seria o jongo, sem abarcar toda a complexidade da prática, em especial a sua relação com a ação laboral, a magia e a religião. Dessa forma, aponta-se para a natureza classificatória da política de patrimônio cultural imaterial. Para a reflexão proposta, são tomados como procedimentos metodológicos levantamentos bibliográficos e documentais sobre o jongo e trabalhos de campo. As relações estabelecidas entre o IPHAN e o Jongo Folclórico de Bias Fortes são problematizadas, principalmente no que diz respeito às questões identitárias dessa comunidade, dando atenção, sobretudo, às falas e às ações dos praticantes em contextos nos quais lhes foi permitido negociar o jongo, seja como prática, seja como patrimônio cultural. Além disso, também é analisado o significado de patrimônio cultural para a comunidade em questão

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