Mestrado em Engenharia Zootécnica - Produção Animal - Instituto Superior de AgronomiaNum mundo industrial, esforços para aumentar a eficiência estão ainda a ser
aperfeiçoados. A carne de frango continua a ser a mais saudável e mais barata na maioria
dos países, devendo-se a isto a principal razão do seu êxito mundial. Assim, na indústria de
frangos de carne, os produtores apontam para uma redução dos seus custos valorizando a
investigação a nível genético e nutricional.
Muitos investigadores afirmam que os frangos de carne alimentam-se de forma a
preencher as suas necessidades energéticas. Deste modo, a sua alimentação torna-se o
factor mais dispendioso para os seus produtores. Assim, a energia é uma variável a ter em
em grande consideração na formulação de dietas.
Com esta preocupação em mente, investigadores desenvolveram vários
procedimentos experimentais para medir a energia metabolizável nos alimentos e nas dietas
para frangos. Como resultado, a energia metabolizável tornou-se a medida mais usada para
calcular a disponibilidade de energia na alimentação de frangos. A energia metabolizável é
determinada através de variados procedimentos experimentais, relacionando a entrada de
alimento com a produção de dejectos pelo animal. Dois destes procedimentos
experimentais, foram eleitos e amplamente usados para formulação de rações. São eles o
cálculo da energia metabolizável aparente e verdadeira, com correcção para o nível de
azoto no animal. A energia metabolizável verdadeira tem em conta as perdas de energia a
nível endógeno e urinário.
Com processos experimentais eficientes para medir a energia nos alimentos através
dos animais, os produtores agrícolas em conjunto com os investigadores começaram a
desenvolver novas variedades de ingredientes contendo nutrientes que fornecessem
eficientemente proteína e/ou energia. Neste contexto, o milho é o ingrediente mais usado
para fornecimento de energia na alimentação das aves. Como resultado, a selecção
genética desenvolveu novas variedades de grãos de cereais, principalmente o milho, com
características nutritivas aperfeiçoadas, resultando em estirpes de milho com concentrações
superiores em nutrientes como o óleo de milho e aminoácidos (Hastad et al., 2005). Uma tal
variedade de milho híbrido seleccionada é conhecida por milho "Nutridense" e tem no
mínimo mais 1 % de óleo e mais 1 a 2 % de proteína comparado com o milho convencional
(CC), contendo maiores quantidades de aminoácidos essenciais, incluindo lisina,
aminoácidos sulfurados, treonina e triptofano (Akay et al., 2001).
Com o intuito de comparar uma nova variedade de milho híbrido geneticamente
seleccionado, "Nutridense" (ND), com o milho convencional usado em dietas “standard”, emtermos de digestibilidade e performance, realizou-se um ensaio experimental de
digestibilidade e dois de performance, com frangos de carne.
No estudo da digestibilidade, 288 pintos foram seleccionados e divididos por 24
gaiolas que se dividiam, por sua vez, em dois tratamentos com uma inclusão de 92,25 % de
CC (tratamento 1) e de ND (tratamento 2). Aos 18 dias de idade, foi medida a digestibilidade
da energia ao nível do íleo e das fezes e dos aminoácidos ao nível das fezes. Galos adultos
foram também usados para a medição da digestibilidade verdadeira da energia e dos
aminoácidos.
Os resultados obtidos neste ensaio, indicaram que a energia metabolizável do ND é
superior à do CC. No entanto, para a digestibilidade dos aminoácidos, o ND não mostrou
diferenças significativas perante o CC.
Nos estudos de performance, o primeiro ensaio foi realizado dos 0 aos 20 dias de
idade, com 384 frangos seleccionados e divididos por 6 tratamentos diferentes. Os
tratamentos 1, 2 e 3, proporcionaram 3084, 3108 e 3084 kcal/kg de energia metabolizável, e
uma inclusão de 56,69 % de CC, 56,69 % de ND e 55,00 % de ND, respectivamente. Por
sua vez, e a um nível energético mais baixo, os tratamentos 4, 5 e 6, proporcionaram 2852,
2874 and 2852 kcal/kg de energia metabolizável, e uma inclusão de 55,20 % de CC, 55,20
% de ND e 54,35 % de ND, respectivamente. Aos 6, 13 e aos 20 dias de idade, foram
registados os pesos vivos e o consumo de ração de modo a calcular a eficiência alimentar
dos animais. Os resultados neste estudo indicaram que, dos 0 aos 6 dias de idade, a
interpretação dos resultados teria demasiados factores a considerar para se fazer um juízo
correcto e fiável, em oposição aos intervalos que se seguiram. Assim, os resultados
indicaram que não houve diferenças significativas ao nível da performance dos animais,
relativamente ao tipo de milho utilizado.
O segundo ensaio, relativo a performance, foi realizado dos 15 aos 33 dias de idade, e
com 960 frangos que foram distribuídos por 4 tratamentos com 3084, 2852, 2874 e 2852
kcal/kg de energia metabolizável e com uma inclusão de 56,69 % de CC, 55,02 % de CC,
55,02 % de ND e 54,35 % ND, respectivamente. A eficiência alimentar dos animais foi
calculada aos 33 dias de idade.
Os resultados mostraram que os animais com acesso à ração com o nível energético
mais alto, obtiveram performances significativamente superiores (P < 0.05) para um peso
final semelhante aos dos restantes tratamentos em dietas com valores energéticos
inferiores. Ainda assim, diferenças significativas resultantes do tipo de milho utilizado, não
foram registadas.
Estes resultados indicaram, assim, que performances similares dos frangos, podem
ser obtidas quando o CC é substituído pelo ND.
SUMARY - One digestibility and two performance experiments were conducted with broilers to
compare the feeding value of conventional corn (CC) with Nutridense corn (ND).
In experiment 1, 288 chicks were assigned to 24 experimental pens consisting of two
treatments with an inclusion of 92.25% CC (treatment 1) and ND (treatment 2). At 18 days of
age, birds were measured for energy and amino acids digestibility. Also, mature roosters
were used for true amino acid and energy digestibility. Results in this experiment indicated a
higher metabolizable energy value of ND over CC. However, for total digestible amino acids,
ND registered no significant differences over CC.
In experiment 2, for trial 1, 384 birds were assigned into 6 dietary treatments.
Treatments 1, 2 and 3 provided 3084, 3108 and 3084 kcal/kg, and an inclusion of 56.69%
CC, 56.69% ND and 55.00% ND, respectively. Treatments 4, 5 and 6 provided 2852, 2874
and 2852 kcal/kg, and an inclusion of 55.20% CC, 55.20% ND and 54.35% ND, respectively.
For trial 2, 960 birds, were distributed through 4 dietary treatments that provided 3084, 2852,
2874 and 2852 kcal/kg. For both trials there were no significant differences in growth
performance due to the type of corn