662 research outputs found

    Impacto da prevenção quaternária no envelhecimento bem sucedido

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    La prevención cuaternaria es más que una Filosofía, es una respuesta concreta y una solución para varios problemas delicados que afectan a nuestra Medicina. En 1981, Illich reconoce complicaciones iatrogénicas, como clínica, social y cultural. La primera, adquirida como una dimensión que se ha convertido en la tercera causa de muerte en los EE.UU., en el año 2000 como referencia de Starfield. Cuando se vive más, mucho más, buscas calidad de vida y no sólo vida sujeta a comorbilidades crecientes, con todo el desfile de tratamientos, los medicamentos que ya sabemos no son inocuos, lejos de eso, sabemos que más de cinco medicamentos al día representan el 50% de probabilidad de las interacciones medicamentosas y siete fármacos el 100 %. En los ancianos que se asisten por la reducción de reserva funcional, existe un mayor riesgo de problemas iatrogénicos, reacciones adversas e interacciones medicamentosas verdaderamente impredecibles, en estas sociedades altamente medicadas en que se contabilizan diagnósticos en lugar de investigar patrones de la enfermedad. Así mismo la prevención cuaternaria nos recuerda que tanto los cuidados preventivos como curativos en exceso, se comportan como factores de riesgo para la salud, llegando, en el caso de utilizar medicamentos preventivos, a millones de personas que confían en la medicina. La idea de extender el uso de medicamentos para las poblaciones sanas, a título preventivo, se expande en el mercado farmacéutico, que contabiliza el aumento de los beneficios y al mismo tiempo las enormes pérdidas en las economías de todo el mundo.Quaternary prevention is more than a Philosophy, it is a concrete answer and a solution to many complex problems that affect Medicine. In 1981, Illich recognized iatrogenic complications, as clinical, social and cultural. The first, gained such a dimension that has become the third leading cause of death in the U.S. , in 2000 as referred by Starfield. When you live more, much more, you want quality of life and not just life subject of increasing comorbidities, with all the parade of treatments, medications that we already know are not without riscs, far from it, we know that over five drugs per day represent the 50% probability of drug-drug interactions and seven drugs 100% . In elderly attending the reduction of functional reserve, there is a greater risk of iatrogenic problems, adverse reactions and drug interactions, truly unpredictable , these highly medicalized societies in which are accounted diagnoses instead of investigating patterns of disease. So quaternary prevention reminds us that both preventive and curative care in excess behave as risk factors for health, reaching in the case of using preventive medications, millions of individuals who are confident in Medicine . The idea of extending the use of drugs to healthy populations, as preventive actions, expands the pharmaceutical market, which accounts simultaneously increasing profits and losses in economies around the world. Quaternary prevention itineraries in health and disease, may contribute to successful aging about witch many important authors have spoken on.A prevenção quaternária é mais que uma Filosofia, é uma resposta concreta e uma solução para vários problemas delicados que atingem a nossa Medicina. Em 1981, Illich reconheceu as iatrogenias, clinica, social e cultural. A primeira, ganhou tal dimensão que se tornou a terceira causa de morte nos EUA, como em 2000 refere Starfield. Quando se vive mais, muito mais, deseja-se qualidade de vida e não apenas vida sujeita a comorbilidades crescentes, com todo o cortejo de tratamentos, medicações que já sabemos não serem inóquas, bem longe disso, pois sabemos hoje que mais de cinco medicamentos por dia representam a probabilidade de 50% de interacções medicamentosas e sete medicamentos 100%! Nos idosos atendendo á redução da reserva funcional, há um maior risco de problemas de iatrogenia, reacções adversas e interacções medicamentosas verdadeiramente imprevisiveis, nestas sociedades altamente medicalizadas em que se contabilizam diagnosticos em vez de investigar padrões de doença. Assim a prevenção quaternária lembra-nos que tanto cuidados preventivos como curativos em excesso, comportam-se como factores de risco para a saúde, atingindo no caso notável do uso de medicamentos preventivos, milhões de individuos confiantes na Medicina. A perspectiva de alargar a utilização de medicamentos á população saudável, a titulo preventivo, expande enormemente o mercado farmacêutico, que contabiliza lucros crescentes e paralelamente prejuízos enormes nas economias em rotura no mundo actual. A prevenção quaternária nos itinerários de saude-doença, pode contribuir para o envelhecimento bem sucedido de que tantos e importantes autores nos têm falado

    How can we build a successful response for the prevention and control of chronic disease in Europe?

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    EditorialPromovida pela Organização Mundial da Saúde a 7 de abril, a comemoração do Dia Mundial da Saúde deste ano será sob o lema da Diabetes (1), na mesma altura em que 66 parceiros de 26 países europeus levam a cabo um projeto de avaliação da situação sobre a diabetes e as doenças crónicas na Europa, JA-CHRODIS (Joint Action on Chronic Diseases and Promoting Healthy Ageing Across the Life Cycle) (2). Em Portugal, são entidades parceiras associadas desta JA a Direção-Geral da Saúde, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), contando-se a Universidade de Coimbra (Faculdade de Medicina) em nome do consórcio Ageing@Coimbra, como entidade colaboradora

    Estudo de necessidades de cuidados de pessoas com 65 e mais anos de idade, proposta de intervenção dos cuidados de enfermagem de reabilitação

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    Descrever necessidades de cuidados de pessoas com 65 e mais anos de idade ao nível dos cuidados de enfermagem de reabilitação

    Study of care needs of people aged 65 and over, proposed intervention of rehabilitation Nursing

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    Objetivo: Descrever necessidades de cuidados de pessoas com 65 e mais anos de idade ao nível dos cuidados de enfermagem de reabilitação. Métodos: Estudo transversal, descritivo; amostra de conveniência, com 95 pessoas com 65 anos ou mais de idade. ECCI de Odivelas. Resultados: Observamos necessidades elevadas e de intervenção ao nível dos cuidados de enfermagem de reabilitação, ao nível do Autocuidado, da Aprendizagem e Funções Mentais, Comunicação e Relação com Amigos e Cuidadores. Conclusão: Propomos como plano de melhoria do comportamento de autocuidado das pessoas com 65 e mais anos de idade, através da intervenção dos cuidados de enfermagem especializados de reabilitação através de planos individuais de intervenção ao nível da: reabilitação funcional motora, de posicionamentos, da reabilitação funcional respiratória e de atividades terapêuticas

    Técnicas de Análise Espacial Aplicadas à Caracterização da População Idosa para Planear Cuidados de Enfermagem

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    O estudo aponta uma metodologia para caracterizar factores geodemográficos condicionantes da acessibilidade geográfica a cuidados de enfermagem, numa das regiões mais envelhecidas de Portugal, a partir do uso de Sistemas de Informação Geográfica. Analisam-se dados provenientes dos censos de população relativos aos idosos. Métodos: Utilizam-se técnicas de estatística espacial, para além das técnicas de estatística clássica. Estuda-se a autocorrelação espacial dos valores de alguns índices demográficos, caracterizando estatisticamente a existência de aglomerados na zona de estudo, recorrendo ao Índice Global de Moran. Igualmente caracteriza-se a concentração de valores elevados e de valores baixos para cada um dos índices, recorrendo ao cálculo da estatística GI*. Resultados: Identificam-se as regiões de maior envelhecimento, aquelas onde se perspectiva a maior utilização de recursos de Enfermagem por parte dos idosos. Conclusões: O estudo faz apelo à necessária gestão programática dos recursos materiais e humanos de enfermagem, perspectivando a minimização dos efeitos que a situação geodemográfica heterogénea condiciona

    MM-PT study: Multimorbidity in primary care

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    Chronic diseases are undeniably important as a cause of morbidity and mortality. Most of the patients with numerous chronic diseases (or chronic health problems) – multimorbidity - receive treatment in primary health care. The negative impact of multimorbidity is felt at several levels: patient (and their caregivers), general practitioner (GP), and the health system. Multimorbidity entails increasing complexity in health care (e.g. accessibility and organization of the consultation). International literature shows that it is common for people with multimorbidity to have poor health outcomes, lower quality of life, psychological distress, greater use of health services, greater complications of medical treatments, and greater health expenditure. This thesis aimed to study multimorbidity in the primary health care context in Portugal, from various perspectives (epidemiologic, patient’s and GP’s views), and explore its relevance. To achieve this general objective, the research project was divided into three Phases, specific objectives were defined (PAPER I) and it resulted in four manuscripts published in international scientific journals: 1. Determine the prevalence of multimorbidity in the adult population attending primary care in Portugal, to identify associated sociodemographic factors, and to reveal combinations of chronic health problems (PAPER II). 2. Analyse the relationship between multimorbidity, health-related quality of life, perceived family support and unmet health needs in adult patients attending primary care (PAPER III). 3. Translate the European General Practice Research Network (EGPRN) definition of multimorbidity, according to Portuguese cultural and linguistic features (PAPER IV). 4. Access GPs’ knowledge, awareness, and practices regarding multimorbidity and its management. Evaluate the clarity and usefulness of the EGPRN definition of multimorbidity. Study if providing informational material depicting results of our previous studies on multimorbidity, would change current GPs’ views on the subject (PAPER V). The first study of this thesis (PAPER II), cross-sectional and analytical, conducted from October 2013 to December 2014, across the five mainland Portugal Healthcare Administrative Regions, included 1993 individuals aged 18 and older (1279 women e 714 men), approached by their GPs (98.3% acceptance rate). Through the patient’s self-report (in-person interview), the medical records, and the GP’s knowledge of the patient’s history, information regarding clinical data and sociodemographic characteristics was collected. In the absence of a consensual definition of multimorbidity, two definitions were used: presence of two or more chronic health problems in the same individual, as well as, three or more chronic problems (from a list of 147 possible chronic health problems). In this sample of primary health care users, with a mean age of 56.3 years, 69.5% were married/cohabiting, 41.5% were pensioners/retirees, 48.7% had a low educational level and 54.4% reported a sufficient monthly income. Multimorbidity was present in 72.7% (≥2 chronic problems) and 57.2% (≥3 chronic problems) of the sample. Multimorbidity increased significantly with age. Pensioners/retirees and individuals with low levels of education were more likely to suffer from multimorbidity. Cardiometabolic and mental disorders were the most common chronic health problems. Six combinations of chronic problems were identified. The second study of this thesis (PAPER III), also cross-sectional, conducted from January 2014 to January 2015, in the Centre region of Portugal, included 521 primary health care patients aged 18 and older (334 women e 187 men) with multimorbidity (≥2 chronic health problems, of which at least one was required to be hypertension, diabetes, asthma or osteoarthritis). Through a face-to-face interview, was collected information regarding sociodemographic characteristics, clinical data, health-related quality of life (Portuguese Short Form-12 Health Status Questionnaire), family support (Portuguese Family APGAR), and unmet health needs (medical, surgical and dental care; prescription medications; mental healthcare or counselling; and eyeglasses or other technical aid). In this sample of patients, with a mean age of 58.2 years, 70.2% were married/cohabiting, 43.0% were pensioners/retirees, 57.2% had a low educational level and 46.3% reported a sufficient monthly income. Two to three chronic problems were found in 42.2%, four to five in 27.6% and six or more chronic problems in 30.1% of the patients (mean chronic health problems 4.5). Increased multimorbidity levels were linked to worse health-related quality of life, particularly the physical health. Male patients with high monthly incomes and highly functional families had better physical and mental health. High levels of education and the presence of asthma were also associated with better physical health. Contrariwise, elderly patients with high levels of multimorbidity and with osteoarthritis had lower physical health. The majority of the patients lived in highly functional families and did not have unmet health needs. When health needs were stated they were mostly for generalist medical care, dental care, and eyeglasses/other technical aid. Financial insufficiency was the primary reason for not fulfilling their health needs. In the third study of the thesis (PAPER IV), a panel of experts was assembled, consisting of 23 Portuguese GPs, who using the Delphi technique translated into Portuguese, after two rounds, the EGPRN definition of multimorbidity, with a consensus score of 8.43 out of 9: “A multimorbilidade é definida como qualquer combinação de uma doença crónica com pelo menos uma outra doença (aguda ou crónica), ou com um fator biopsicossocial (associado ou não), ou com um fator de risco somático. Qualquer fator biopsicossocial, qualquer fator de risco somático, a rede social, a carga das doenças, o consumo de cuidados de saúde e as estratégias de adaptação do doente podem funcionar como modificadores (dos efeitos da multimorbilidade). A multimorbilidade pode modificar os resultados em saúde e levar a um aumento da incapacidade, à diminuição da qualidade de vida ou à fragilidade.” The fourth and final study of this thesis (PAPER V), a web-based qualitative descriptive study, carried out in the first trimester of 2016, included 74 GPs from the districts of Coimbra and Aveiro. The sample was highly aware of multimorbidity and pointed out several difficulties and challenges in its management. Extrinsic factors were associated with the healthcare system logistics’ management (consultation time, organization of care teams, clinical information) and society (media pressure, social/family support). Intrinsic factors related to the GP, patient, and physician-patient relationship were also stated. The fundamental characteristics of family medicine were pointed out as the tools to deal with the difficulties. Also, the complex care required by multimorbid patients needs an adequate consultation time, multidisciplinary teamwork, and more education/training. The clarity and usefulness of the EGPRN definition of multimorbidity was evident, as well as the added value of disclosing to the GPs the data of the first Phases of this thesis. In conclusion, multimorbidity is a common and complex problem in primary health care in Portugal. The knowledge of its determinants and consequences, as described in this research project, may have an important role in improving the management of patients with multimorbidity. The studies of multimorbidity frequently deal with the diagnosis of medical conditions, but one should never forget that GPs also deal with the burden of a person’s suffering. Thus, one must dare to design future guidelines not just for the patient with multimorbidity, but mostly for the person with multimorbidity.As doenças crónicas assumem inegável importância como causa de morbilidade e mortalidade. Aos Cuidados de Saúde Primários é comum recorrerem doentes que apresentam múltiplas doenças crónicas (ou problemas crónicos) – multimorbilidade. O impacto negativo da multimorbilidade é sentido a nível do doente (e dos seus cuidadores), do médico e do sistema de saúde. A multimorbilidade acarreta crescente complexidade aos cuidados de saúde (p. ex. acessibilidade e organização da consulta). A literatura internacional demonstra que é comum a pessoa com multimorbilidade apresentar fracos resultados em saúde, diminuição da qualidade de vida, sofrimento psicológico, maior utilização dos serviços de saúde, maior número de complicações dos tratamentos médicos e maior despesa em saúde. Esta tese teve como objetivo o estudo da multimorbilidade no contexto dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal, a partir de várias perspetivas (epidemiológica global, do doente e do médico de família) e a exploração da sua relevância. Para alcançar este objetivo geral, a investigação foi dividida em três Fases, foram definidos objetivos mais específicos (PAPER I) e resultou em quatro manuscritos publicados em revistas científicas internacionais: 1. Estimar a prevalência da multimorbilidade na população adulta observada nos Cuidados de Saúde Primários em Portugal, identificar os fatores sociodemográficos associados, e caracterizar as combinações de problemas crónicos de saúde (PAPER II). 2. Analisar a relação entre a multimorbilidade, a qualidade de vida relacionada com a saúde, o apoio familiar percecionado, e as necessidades não satisfeitas em saúde, em doentes adultos observados nos Cuidados de Saúde Primários (PAPER III). 3. Traduzir a definição de multimorbilidade da European General Practice Research Network (EGPRN), de acordo com as características culturais e linguísticas portuguesas (PAPER IV). 4. Avaliar o conhecimento, a compreensão e as práticas percecionadas pelos médicos de família em relação à multimorbilidade e ao seu controlo. Avaliar a clareza e a utilidade da definição de multimorbilidade da EGPRN traduzida para português. Analisar se ao ser fornecido material informativo descrevendo os resultados dos estudos anteriores sobre multimorbilidade, este mudaria as opiniões dos médicos de família sobre o assunto (PAPER V). O primeiro estudo da tese (PAPER II), transversal e analítico, realizado no período compreendido entre outubro de 2013 e dezembro de 2014, nas cinco Administrações Regionais de Saúde de Portugal Continental, englobou 1993 indivíduos com 18 anos ou mais (1279 mulheres e 714 homens), convidados a participar pelos seus médicos de família (taxa de participação de 98.3%). Através de uma entrevista presencial aos utentes, da consulta dos seus processos clínicos e do conhecimento que cada médico de família tem da história clínica dos utentes, foram recolhidas informações sobre a história individual de doença e as características sociodemográficas. Na ausência de uma definição consensual de multimorbilidade, foram utilizadas duas definições: presença de dois ou mais problemas crónicos de saúde no mesmo indivíduo e também de três ou mais problemas crónicos (de uma lista de 147 problemas crónicos de saúde possíveis). Nesta amostra de utentes dos Cuidados de Saúde Primários, com uma média etária de 56.3 anos, 69.5% eram casados/coabitantes, 41.5% eram pensionistas/reformados, 48.7% tinham escolaridade baixa e 54.4% tinham rendimentos médios. A multimorbilidade estava presente em 72.7% (≥2 problemas crónicos) e 57.2% (≥3 problemas crónicos) dos indivíduos. A multimorbilidade aumentou significativamente com a idade. Os pensionistas/reformados e os indivíduos com escolaridade baixa apresentaram maior probabilidade de sofrer de multimorbilidade. As patologias cardiometabólica e mental foram as mais comuns. Foram identificadas seis combinações de problemas crónicos de saúde. O segundo estudo da tese (PAPER III), também transversal, realizado no período compreendido entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, na Região Centro de Portugal, englobou 521 doentes (334 mulheres e 187 homens) dos Cuidados de Saúde Primários com 18 anos ou mais e com multimorbilidade (≥2 problemas crónicos de saúde e em que pelo menos um teria de ser hipertensão, diabetes, asma ou osteoartrose). Através de uma entrevista presencial aos doentes, foram recolhidas informações sobre as características sociodemográficas, a história individual de doença, a qualidade de vida relacionada com a saúde (questionário de estado de saúde SF-12), o apoio familiar (questionário APGAR familiar), e as necessidades não satisfeitas em saúde (cuidados médicos generalistas, cirúrgicos e dentários; receitas/renovação de receituário; psiquiatra/aconselhamento em saúde mental; óculos ou outras ajudas técnicas). Nesta amostra de doentes, com uma média etária de 58.2 anos, 70.2% eram casados/coabitantes, 43.0% eram pensionistas/reformados, 57.2% tinham escolaridade baixa e 46.3% tinham rendimentos médios. Dois a três problemas crónicos foram encontrados em 42.2%, quatro a cinco em 27.6% e seis ou mais problemas crónicos em 30.1% dos doentes (média de problemas crónicos de saúde 4.5). Com o aumento dos níveis de multimorbilidade verificou-se um agravamento na qualidade de vida relacionada com a saúde, particularmente a saúde física. Doentes do sexo masculino com rendimentos elevados e famílias altamente funcionais apresentaram melhor saúde física e mental. Um nível de escolaridade mais elevado e a presença de asma também estiveram associados a melhor saúde física. Pelo contrário, idosos com elevada multimorbilidade e com osteoartrose obtiveram pior saúde física. A maioria dos doentes vivia em famílias altamente funcionais e não referiu necessidades em saúde não satisfeitas. Os restantes declararam necessidades de cuidados médicos, dentários, e óculos/outras ajudas técnicas. A incapacidade financeira foi a principal razão para não satisfazerem as suas necessidades em saúde. No terceiro estudo da tese (PAPER IV), foi formado um painel de peritos constituído por 23 médicos de família portugueses, que através da técnica Delphi traduziu para a língua portuguesa, em duas etapas, a definição de multimorbilidade da EGPRN com uma concordância de 8.43 em 9: “A multimorbilidade é definida como qualquer combinação de uma doença crónica com pelo menos uma outra doença (aguda ou crónica), ou com um fator biopsicossocial (associado ou não), ou com um fator de risco somático. Qualquer fator biopsicossocial, qualquer fator de risco somático, a rede social, a carga das doenças, o consumo de cuidados de saúde e as estratégias de adaptação do doente podem funcionar como modificadores (dos efeitos da multimorbilidade). A multimorbilidade pode modificar os resultados em saúde e levar a um aumento da incapacidade, à diminuição da qualidade de vida ou à fragilidade.” O quarto e último estudo da tese (PAPER V), descritivo e qualitativo, baseado num questionário online, realizado no primeiro trimestre de 2016, englobou 74 médicos de família dos distritos de Coimbra e Aveiro. A amostra apresentou elevada consciência sobre a multimorbilidade e assinalou várias dificuldades e desafios na sua gestão. Fatores extrínsecos foram associados à gestão e logística do sistema de saúde (tempo de consulta, organização das equipas de saúde, informação clínica) e à sociedade (pressão dos média, apoio social/familiar). Fatores intrínsecos relacionados com o médico de família, o doente e a relação médico-doente também foram enumerados. As características fundamentais da medicina geral e familiar foram apontadas como as ferramentas para lidar com as dificuldades. Além disso, para gerir a complexidade do doente com multimorbilidade é necessário um tempo de consulta adequado, trabalho em equipa multidisciplinar e mais educação/treino. A clareza e a utilidade da definição de multimorbilidade da EGPRN ficou patente, assim como, a mais-valia da divulgação aos médicos de família dos dados das primeiras Fases desta tese. Em conclusão, a multimorbilidade é um problema comum e complexo nos Cuidados de Saúde Primários em Portugal. O conhecimento dos seus determinantes e suas consequências, tal como são descritos neste projeto de investigação, pode ter um importante lugar na melhoria da gestão do doente com multimorbilidade. Os estudos de multimorbilidade lidam frequentemente com o diagnóstico dos problemas de saúde, mas nunca se deve esquecer que os médicos de família também lidam com o peso do sofrimento da pessoa. Assim, no futuro deve-se ousar desenhar guidelines não apenas para o doente com multimorbilidade, mas principalmente para a pessoa com multimorbilidade

    Funcionalidade e bem-estar psicológico em idosos residentes na comunidade : um estudo exploratório

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    Tese de mestrado, Psicologia (Secção de Psicologia Clínica e da Saúde - Núcleo de Psicologia Clínica Dinâmica), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2010Este é um estudo exploratório que teve como objectivo investigar as associações que se estabelecem entre funcionalidade (Botelho, 2000) e bem-estar psicológico (Ryff, 1989) na velhice. Foram também investigadas as influências da idade e género sobre aquelas duas variáveis. No estudo participaram 30 indivíduos de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 60 e 84 anos, sem deterioração cognitiva e residentes nos respectivos domicílios. Foram aplicados, individualmente, o Método de Avaliação Biopsicossocial- MAB (Botelho, 2000) e a Versão Portuguesa das Escalas de Bem-Estar Psicológico de Carol Ryff (Novo, Silva, & Peralta, 1997). Os resultados obtidos não registaram quaisquer correlações significativas entre a funcionalidade e o bem-estar psicológico. No entanto, foi possível observar a existência de uma associação entre as variáveis género e autonomia funcional, assim como uma correlação significativa e negativa da autonomia funcional com a idade. Finalmente, a dimensão do bem-estar psicológico «Relações Positivas com os Outros» mostra uma correlação positiva fraca com a idade.This is an exploratory study and its aim is to examine the relationship between functionality (Botelho, 2000) and psychological well-being (Ryff, 1989) in old age. The influence of age and gender on those two variables was also examined. The sample consisted of thirty, both gender participants, aged 60 to 84, with no cognitive deterioration and living in their own homes. A bio-psycho-social assessment method (Botelho, 2000) and a Portuguese Version of Carol Ryff ´s Psychological Well-Being Scale (Novo, Silva e Peralta, 1997) were applied individually to each participant. Results show no significant correlations between functionality and psychological well-being. However, gender and functional autonomy were associated to each other and there was a significant and negative correlation between functional autonomy and age. Results also show that the psychological well-being dimension «Positive Relations with Others» is low and positively correlated with age

    Defining Multimorbidity: From English to Portuguese Using a Delphi Technique

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    Objective. To translate the EuropeanGeneral Practice ResearchNetworkmultimorbidity definition according to Portuguese cultural and linguistic features. Methods. Similar to the process completed in several other European countries, a forward and backward translation of the English multimorbidity definition using the Delphi technique was performed in Portugal. Results. Twenty-three general practitioners (GPs)—14 males and 9 females—agreed to form the Portuguese expert panel for the Delphi process (59% acceptance rate).The Portuguese definition of multimorbidity was achieved after two Delphi rounds with a mean (SD) consensus score for final round of 8.43/9 (0.73). Conclusion. With this paper the definition of multimorbidity is now available in a new language—Portuguese. Its availability in the local language will raise Portuguese GPs’ awareness about multimorbidity and allow future national and international research. The operationalization of the definition will allow an easier identification of patients with multimorbidity.info:eu-repo/semantics/publishedVersio

    Social Isolation or Loneliness? Distinct associations with Multimorbidity among adults from the EPIPorto cohort

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    Introdução: Com o envelhecimento da população mundial, a prevalência de doenças crónicas em adultos tem aumentado, levando a uma prevalência mais elevada de multimorbilidade - a coexistência de duas ou mais doenças crónicas num indivíduo -, particularmente entre adultos mais velhos. A multimorbilidade está associada a um aumento da mortalidade, limitações funcionais e uma redução da qualidade de vida, tanto para os indivíduos afetados como para os seus cuidadores, o que apresenta desafios consideráveis para os sistemas de saúde, tradicionalmente centrados na gestão individual de doenças. O isolamento social e a solidão são determinantes sociais da saúde inter-relacionados, mas distintos, que influenciam uma série de outcomes na saúde. No entanto, os seus efeitos independentes sobre a multimorbilidade continuam pouco explorados. Objetivos: O principal objetivo deste estudo foi investigar as associações independentes entre isolamento social e solidão com a multimorbilidade em adultos portugueses. Especificamente, pretendemos avaliar de que forma estes fatores psicossociais influenciam o número e o tipo de doenças crónicas. Métodos: Este estudo utilizou dados da coorte EPIPorto, composta por 2.485 adultos recrutados entre 1999 e 2003, com o último seguimento em 2022. Para responder à existência de heterogeneidade na medição da multimorbilidade, este estudo seguiu os critérios do consenso internacional de Delphi para a definição e avaliação da multimorbilidade. Foram criados diferentes outcomes de multimorbilidade: 1) a contagem total de doenças crónicas; 2) um subgrupo específico de doenças que envolvem os sistemas cardiovascular, metabólico/endócrino, mental/comportamental e musculoesquelético, identificado por análise de componentes principais; e 3) a contagem de doenças dentro de cada um destes subgrupos. O isolamento social foi determinado pelo tamanho do agregado familiar, categorizado como viver sozinho, viver com 1 pessoa ou viver com ≥2 pessoas, enquanto a solidão foi medida com recurso à Escala de solidão da UCLA, incluindo as suas diferentes dimensões (isolamento social e afinidades). Utilizámos Modelos Lineares Generalizados com uma distribuição de Poisson para explorar as associações entre isolamento social, solidão e outcomes de multimorbilidade. Foram calculados os riscos relativos ajustados (aRR) com intervalos de confiança (IC) de 95%. Resultados: O isolamento social não apresentou associação com a contagem total de doenças, mas os agregados familiares maiores (viver com ≥2 pessoas) mostraram-se associados a um risco aumentado de doenças metabólicas/endócrinas (aRR=1,50, IC 95%: 1,11-2,02). A solidão não se mostrou significativamente associada à contagem total de doenças, mas mostrou associação com um maior risco de desenvolvimento de multimorbilidade no subgrupo específico de doenças (aRR=1,13, IC 95%: 1,05-1,21), especificamente em condições mentais/comportamentais (aRR=1,25, IC 95%: 1,11-1,40). A dimensão de isolamento social da escala UCLA demonstrou associação com o subgrupo específico de doenças (aRR=1,20, IC 95%: 1,08-1,35), especificamente com um aumento do risco de doenças cardiovasculares (aRR=1,17, IC 95%: 1,05-1,32), metabólicas/endócrinas (aRR=1,20, IC 95%: 1,05-1,37) e mentais/comportamentais (aRR=1,29, IC 95%: 1,07-1,56). Conclusão: Este estudo sugere que o isolamento social e a solidão estão associados de forma distinta à multimorbilidade, com efeitos que variam consoante o tipo de doenças crónicas e o método de medição. Estes resultados realçam a necessidade de intervenções de saúde pública baseadas em evidência e desenhadas de modo a abordar as formas específicas através das quais os fatores sociais influenciam os outcomes de saúde em adultos mais velhos. Os programas de educação para a saúde devem sensibilizar os profissionais de saúde, as comunidades e os decisores políticos para os efeitos prejudiciais do isolamento social e da solidão.Background: As the global population ages, the prevalence of chronic conditions in adults has increased, leading to a higher prevalence of multimorbidity - the coexistence of two or more chronic conditions within one person -, particularly among older adults. Multimorbidity is associated with increased mortality, functional limitations, and a reduced quality of life for both affected individuals and their caregivers, posing significant challenges for healthcare systems, traditionally focused on managing single diseases. Social isolation and loneliness are related, yet distinct, social determinants of health that influence a wide range of health outcomes. However, their independent effects on multimorbidity remain underexplored. Objectives: The main objective of this study was to investigate the independent associations between social isolation and loneliness with multimorbidity among Portuguese adults. Specifically, we aimed to assess how these psychosocial factors influence the number and type of chronic conditions. Methods: This study used data from the EPIPorto cohort, comprising 2,485 adults recruited between 1999 and 2003, with the latest follow-up in 2022. To address the heterogeneity in multimorbidity measurement, the research followed the international Delphi consensus criteria for multimorbidity definition and assessment. Different multimorbidity outcomes were computed: 1) the total count of chronic conditions; 2) a specific subgroup of conditions involving cardiovascular, metabolic/endocrine, mental/behavioural, and musculoskeletal systems, identified by principal component analysis; and 3) the count of conditions within each of these subgroups. Social isolation was determined by household size, categorized as living alone, living with 1 person, or living with ≥2 persons, while loneliness was measured using the UCLA Loneliness Scale, including its different dimensions (social isolation and affinities). We employed Generalized Linear Models with a Poisson distribution to explore the associations between social isolation, loneliness, and multimorbidity outcomes. Adjusted relative risks (aRR) with 95% confidence intervals (CI) were calculated. Results: Social isolation did not show an association with the total disease count, but larger households (living with ≥2 persons) were linked to an increased risk of metabolic/endocrine conditions (aRR=1.50, 95% CI: 1.11-2.02). Loneliness was not significantly associated with the total disease count but was associated with a higher risk of developing multimorbidity from the specific subgroup of conditions (aRR=1.13, 95% CI: 1.05-1.21), specifically mental/behavioural conditions (aRR=1.25, 95% CI: 1.11-1.40). The social isolation dimension of the UCLA scale was associated with the specific subgroup of conditions (aRR=1.20, 95% CI: 1.08-1.35), specifically with an increased risk of cardiovascular (aRR=1.17, 95% CI: 1.05-1.32), metabolic/endocrine (aRR=1.20, 95% CI: 1.05-1.37), and mental/behavioural (aRR=1.29, 95% CI: 1.07-1.56) conditions. Conclusion: This study suggests that social isolation and loneliness are distinctly associated with multimorbidity, with effects varying according to the type of chronic conditions and the measurement method. These findings stress the need for evidence-based public health interventions to address the specific ways in which social factors influence health outcomes. Health education programs should raise awareness about the detrimental effects of social isolation and loneliness among healthcare providers, communities and public decision-makers for an efficient allocation of resources

    Psicologia positiva do “desenrascanço” na multimorbilidade: a perspetiva dos médicos de família

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    The untranslatable word desenrascanço, a Portuguese construct related to people’s ability to skilfully negotiate complex issues and to solve them with originality and creativity, was studied using a common medical complex scenario – multimorbidity. An online qualitative survey was carried out in the last trimester of 2018. A total of 117 general practitioners (GPs) completed the full survey. Ninety-one (77.8%) were familiar with the concept of desenrascanço. Responses were coded using thematic analysis. Desenrascanço is commonly used by GPs; 77 out of 91 GPs use desenrascanço in at least half of the appointments with multimorbid patients. Three components of desenrascanço were identified: adaptive response; creativity and art; and positivity. It could conceivably be hypothesised that the positive drive of desenrascanço (e.g. creativity) are used by GPs collectively to adapt to multimorbidity – a medical complex situation. Nonetheless, one should not forget that it may not be the ideal solution, as stated by participant GPs. Keywords: multimorbidity, primary care, desenrascanço, untranslatable word.A palavra desenrascanço, sem tradução para inglês, construto português relacionado com a habilidade das pessoas em negociar, com habilidade, questões complexas, e de resolvê-las com originalidade e criatividade, foi estudado usando um cenário médico complexo e frequente: a multimorbilidade. Uma investigação qualitativa, online, foi realizada no último trimestre de 2018. Um total de 117 médicos de família (MF) completaram a pesquisa. Noventa e um (77,8%) estavam familiarizados com o conceito de desenrascanço. As respostas foram codificadas por meio de análise temática. Desenrascanço é comummente usado por MF; 77 de 91 participantes usam desenrascanço em pelo menos metade das consultas com pacientes com multimorbilidade. Foram identificados três componentes do desenrascanço: resposta adaptativa; criatividade e arte; e positividade. Pode-se supor que o impulso positivo do desenrascanço (por exemplo, a criatividade) é usado pelos MF coletivamente para se adaptarem à multimorbilidade – uma situação médica complexa. No entanto, não se deve esquecer que esta pode não ser a solução ideal, conforme afirmado pelos MF participantes.info:eu-repo/semantics/publishedVersio
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