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Etiquette school manuals in Portugal in the 19th century
A versão depositada corresponde ao pre-print da publicação.Etiquette (Civilidade) was included in the school curriculum, at the level of the first
arts, as part of the pombalina reforms which, at the end of the 18th century and still within an
absolutist context, led to the creation of a public school system. The generalisation of the school
model - a task which Portuguese liberalism sought to put into practice, especially following its
consolidation in 1834 - reinforced the role of the school as a privileged space for the socialisation
of children and young people and their integration into the values of the new society.
At the primary level the subjects chosen for this end were diverse. In some cases they
were aimed more towards the instruction of the voting citizen, free and aware of the rights and
duties which a liberal society requires in theory. In other cases, their purpose was to conform to the
moral and religious principles of Catholicism or the normalisation of behaviour in accordance with
the patterns considered to be socially legitimate, as was provided for in the etiquette manuals. The
tension between the desire for liberation and the integration vocation is one of the constants of
liberal education and one of its greatest paradoxes.
In this article, we will concentrate on the latter case. Our main source will be the
etiquette school manuals published in Portugal between 1820, the year that the first liberal
experiment began, and 1910, when the constitutional monarchy was deposed by a victorious
republican revolution. Based on these manuals, we will endeavour to reflect on the finalities,
content and sense of the socialising component of the curriculum in the liberal education system,
its continuity and changes.
Although Civilidade - as this subject is commonly known - only appears on occasion
as autonomous education material in study plans, the profusion of compendiums, especially in the
second half of the 19 th century, makes us raise the hypothesis that, at an everyday school level and
in association with Catholic religious and moral teachings, these were one of the main instruments
for social and cultural integration that were necessary to legitimise the embryonic nation-state. By defining appropriate behaviour and by forbidding that which was considered
improper in "civilised" man, etiquette introduced a policy of "control and distinction" in social and
cultural practices. Ideas such as order, hierarchy, respect, decency and moderation, among others,
would be considered essential for the integration of all in a "civilisation of customs" which, in
terms of social relations, attempted to be the counterpoint of a liberal society in which the facts of
a courtly way of life and the fascination for the aristocratic tradition harmonised, without apparent
contradiction, with the utilitarian values and attitudes typical in the burgeoning bourgeois societies
Educação liberal e conformação social: dos catecismos constitucionais aos manuais de civilidade
Na sequência da implantação do liberalismo em Portugal foram publicados, à semelhança do que havia acontecido em França e em Espanha, diversos catecismos políticos ou constitucionais. As reformas de ensino, ao nível da instrução primária, que se sucedem a partir de 1835 dão corpo a essa mesma preocupação, ao criarem espaços curriculares vocacionados para o ensino dos preceitos constitucionais ou dos direitos e deveres dos cidadãos. Aparenta estar-lhes subjacente a finalidade de libertar os portugueses dos preconceitos em que o absolutismo os mantinha, transformando-os no cidadão-eleitor consciente, necessário à consolidação da nova sociedade.
No entanto, não se esgota aqui a vocação socializadora do currículo liberal. Mantém-se como central a tradicional área da civilidade, com expressão pontual nos planos de estudo, mas conduzindo à proliferação de manuais escolares, os quais tinham como finalidade modelar a consciência das crianças e jovens, que frequentavam a escola primária, à luz das normas de comportamento social consideradas legítimas e, simultaneamente, integrá-los no “processo civilizacional” conduzido pela elite política e intelectual do liberalismo. Mantém-se, ao mesmo tempo, o ensino da moral e da religião católica, suportada por uma abundante produção editorial de tipo catequético, tendo em vista a socialização dos portugueses com base nos princípios religiosos tradicionais.
Pretende-se, com este texto, reflectir acerca do carácter aparentemente paradoxal das finalidades da educação liberal, ao analisar o conteúdo da componente socializadora do currículo escolar no período correspondente à monarquia constitucional portuguesa, tal como se expressa, em particular, nos catecismos constitucionais e nos manuais de civilidade, os quais constituem - juntamente com a legislação - as principais fontes deste trabalho
Deslumbrando no contexto atual uma (nova) cidadania pela educação ativa, intercultural e valores cívicos
Assistimos a tempos complexos e de mudanças, com acontecimentos que afetam as virtudes e valores cívicos e sociais, apesar dos contributos das teorias éticas e políticas (comunitarismo, republicanismo), alternativas ao neoliberalismo dominante. O conceito de ‘crise (s) passou a ser habitual, numa variedade e contingência de acontecimentos, cada vez mais definidores do contexto social (económico, educativo, cultural, político). As alterações nas sociedades democráticas, nas condições dos cidadãos, a mobilidade, a multiculturalidade, a segurança cidadã, a intervenção de movimentos sociais, o poder do consumo, a globalização na sociedade digital, etc., tudo fez mudar hábitos, estruturas, formas de vida, que estão a evidenciar uma nova cartografia de tipologias de
organização social. A educação cívica incide na educação dos indivíduos, numa sociedade que transformou a conceção moderna de cidadania, devido aos influxos da sociedade do conhecimento, num rumo unilateral de economicismo e consumismo, onde as problemáticas cívicas e cidadãs se agudizam, exigindo novas formulações e soluções. O ‘deslumbrar’ no título refere-se à aposta pela cidadania ativa, complexa e intercultural, ancorada nos valores cívicos, sociais/morais. Teremos como referência teórica algumas perspetivas de autores (Klein, Raussell & Raussel, Ph. Pettit, Colom, A. Cortina, Toffler), que assentam em objetivos articulados com a diversidade cultural, as propostas educativas e os valores na formação do cidadão. O estudo assenta em quatro pontos: A teoria crítica da sociedade e os argumentos sociocriticos da educação cívica; A educação cívica e formação da civilidade; Uma pedagogia para a sociedade civil; A educação para a cidadania ativa, complexa e intercultural pelas virtudes cívicasWe have seen changes and complex times, with events that affect the virtues and civic and social values, despite the contributions of ethical theories and policies (communitarianism, republicanism), alternatives to neoliberalism. The concept of ' crisis (s) became usual in a variety and contingency events, increasingly defining the social context (economic, educational, cultural, political). Changes in democratic societies, citizens ' conditions, mobility, multiculturalism, citizen security, the intervention of social movements, the power consumption, globalization in the digital society, etc., everything did change habits, structures, ways of life, which are to show a new mapping of types of social organization. Civic education focuses on education of individuals in a society that has transformed the
modern conception of citizenship, due to inflows of the knowledge society, in a unilateral direction of economist and consumerism, where the civic issues and citizens if constraints, requiring new formulations and solutions. The ' dazzle ' in the title refers to the commitment to active citizenship, intercultural, anchored in complex civil, social/moral values. We reference some theoretical perspectives of authors (Klein, Raussell & Raussel, Ph. Pettit, Colom, a. curtain, Toffler), which are based on objectives linked to cultural diversity, educational proposals and the values in the formation of the citizen. The study is based on four points: critical theory of society and the sociocritical arguments of civic education; Civic education and training of civility; the pedagogy for civil society; Education for active citizenship, intercultural and civic virtues by complex.info:eu-repo/semantics/publishedVersio
Competitividade e inovação para o desenvolvimento: desafio do conhecimento e da confiança
No século XX assistimos ao colapso de mitos ideológicos, a confrontos nos domínios da
ética e do comportamento humano e a conquistas surpreendentes da ciência e da tecnologia,
com directas consequências na economia, na ordem social e na configuração do poder mundial.
No entanto, a lógica do progresso que derivou da Ciência não tem sido facilmente
compatibilizada com a “luta pelo reconhecimento de valores e de identidades” que, na visão de
Kant e de Hegel, são o “motor da história”. Aliás constatamos que perduram raízes do passado.
Vale a pena, embora não seja fácil, reflectir sobre o futuro
Educação escolar indígena e o Estado Novo
Artigo apresentado como trabalho de conclusão de curso da Especialização em História e América Latina pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)O artigo analisa o papel da educação escolar indígena oferecida dentro dos postos indígenas comandados pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), na vigência do Estado Novo. Através de uma revisão bibliográfica, buscamos analisar como a educação e especialmente a educação escolar indígena foi usada como aparelho ideológico do governo, aliado à um discurso de proteção e assistência aos povos indígenas durante o governo do presidente Getúlio Vargas. Através de relatórios produzidos pelo SPI, entre os anos de 1941-1945, buscamos evidenciar como a instrução moral, o ensino cívico, e a promoção do nacionalismo foi reproduzida, também dentro dos postos indígenas, seguindo a ideologia do governo. Criado em 1910, seguindo uma orientação positivista, o Serviço tinha, inicialmente, como objetivo, a atração e possível incorporação lenta e gradual dos povos indígenas à sociedade nacional, através, sobretudo do trabalho no campo. Os postos indígenas comandados pelo SPI desenvolveram através do ensino, a função de “despertar” valores nacionalistas nas populações indígenas sob sua tutela. A partir de 1934, anos iniciais do governo de Getúlio Vargas, o órgão passa por uma reestruturação, deixando de integrar o Ministério da Agricultura e passando a integrar o Ministério da Guerra. Em consequência da conjuntura política do período, algumas mudanças foram feitas no órgão, entre elas, a criação de postos indígenas em áreas estratégicas do território, a fim de assegurar a proteção das fronteiras. Relatórios produzidos pela própria entidade nos dão mostras do ensino oferecido dentro dos postos e um panorama da política indigenista do período, colocando em evidência a promoção de valores morais entre os povos indígenas, com o intuito de integrá-los à sociedade, através de uma coerção socialEl artículo analiza el papel de la educación escolar indígena ofrecida dentro de los puestos
indígenas comandados por el Servicio de Protección Indígena (SPI) bajo el Estado Novo. A
través de una revisión de la literatura, buscamos analizar cómo se utilizó la educación y
especialmente la educación escolar indígena como un dispositivo ideológico del gobierno,
junto con un discurso de protección y asistencia a los pueblos indígenas durante el gobierno del presidente Getúlio Vargas. A través de informes producidos por el SPI, entre 1941 y
1945, buscamos destacar cómo se reproducían la instrucción moral, la enseñanza cívica y la
promoción del nacionalismo, también dentro de los puestos indígenas, siguiendo la
ideología del gobierno. Creado en 1910, siguiendo una orientación positivista, el Servicio
inicialmente tenía como objetivo la atracción y la posible incorporación lenta y gradual de
los pueblos indígenas a la sociedad nacional, especialmente a través del trabajo en el
campo. Los puestos indígenas comandados por el SPI desarrollaron, a través de la
educación, la función de "despertar" los valores nacionalistas en las poblaciones indígenas
bajo su tutela. Desde 1934, los primeros años del gobierno de Getúlio Vargas, el cuerpo
sufre una reestructuración, desde el Ministerio de Agricultura hasta el Ministerio de Guerra.
Como resultado de la coyuntura política del período, se realizaron algunos cambios en el
cuerpo, incluida la creación de puestos indígenas en áreas estratégicas del territorio, para
garantizar la protección de las fronteras. Los informes producidos por la propia entidad nos
muestran la enseñanza ofrecida en las publicaciones y una visión general de la política
indígena de la época, destacando la promoción de los valores morales entre los pueblos
indígenas, con el objetivo de integrarlos en la sociedad a través de la coerción socia
Educação, democracia e sociedade civil
O objetivo da comunicação é fazer uma revisitação ao tema já clássico da relação entre a
educação e a democracia partindo da hipótese de trabalho segundo a qual se verifica, nos países
mais severamente colonizados pela governamentalidade neoliberal, uma des-democratização das
finalidades da educação e que esse fenómeno é tanto mais funesto quanto compromete a resposta
a desafios que hoje assolam a democracia, como é o caso da sua reconstrução como projeto de
vida em comum numa era de tensões étnicas, culturais e religiosas, e, ainda, a questão da
sustentabilidade ambiental do seu padrão de vida. O texto da comunicação analisa criticamente
essa situação e sustenta a necessidade de rearticular mais intensamente a educação com a
democracia ao nível das finalidades do ato educativo, não só na escola e nas instituições de
ensino, mas também no próprio âmbito da sociedade civil, aí onde ocorre uma grande parte da
nossa formação em atitudes, valores e comportamentos. A esta luz, procura-se mostrar que é
legítimo esperar da sociedade civil um contributo na formação de cidadãos aptos a
corresponderem aos desafios atuais da democracia, seja em termos de interculturalidade, seja em
termos de sustentabilidade, e que essa ação ganha pertinência e relevância pedagógica no âmbito
das organizações mais emblemáticas da sociedade civil percorrendo determinados caminhos
educativos
A componente socializadora do currículo escolar oitocentista
A consolidação do sistema estatal de ensino criado por Pombal e, em particular, a generalização do modelo escolar a sectores da população até aí não abrangidos por ele – tarefa que o liberalismo português procurou concretizar – reforçaram o papel da escola como lugar privilegiado para a socialização das crianças e jovens nos valores, regras e comportamentos considerados legítimos.
Se é verdade que instrução e educação sempre estiveram associadas, é nossa opinião que a formalização do currículo escolar público tornou mais explícita a finalidade integradora de que ele é investido. Os espaços curriculares (e os instrumentos a eles associados) visando, ao nível da escola primária, a formação (ou conformação?) do cidadão – essa figura idealizada pelas recém-instauradas sociedades liberais – vão-se suceder, numa curiosa dialéctica continuidade-ruptura: moral e religião cristã, civilidade, direitos e deveres do cidadão e, finalmente, educação cívica (e moral), entre outras formulações.
Pretendemos, neste texto, analisar a forma como se concretiza, ao nível do ensino primário, a componente socializadora do currículo, quais as suas finalidades e conteúdos, quais as permanências e inovações que se fazem sentir e qual o seu significado no quadro da sociedade liberal portuguesa. Utilizaremos, para o efeito, a legislação produzida, designadamente as reformas de ensino e respectivos planos de estudo e, ainda, os manuais escolares publicados – catecismos, compêndios de civilidade, entre outros
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