Aquisição de estruturas clivadas e semiclivadas em português brasileiro

Abstract

A focalização é uma construção sintática que veicula uma informação não pressuposta, isto é, uma informação nova (Rizzi, 1997; Quarezemin, 2009). A focalização pode ocorrer através das estruturas clivadas (ex: “Foi o João que quebrou o vaso”), semiclivadas (ex: “O João foi que quebrou o vaso”), pseudoclivadas (ex: “Quem quebrou o vaso foi o João”), foco+que (ex: “Ontem que o João quebrou o vaso”), cópula+foco (ex: “É o vaso quebrado por João”) (Quarezemin, 2009). Entender o processo aquisitivo dessas construções implica a observação de como as crianças, gradualmente, dominam essas operações sintáticas e de como as mesmas estruturas exigem que as crianças já tenham a noção de movimento e de hierarquia sintática. Nesta pesquisa, destacam-se as estruturas focais clivadas e as semiclivadas pelo fato de ambas comportarem-se de maneira mais complexa, uma vez que envolvem várias camadas de mudança nas orações de ordem direta, tanto no nível gramatical quanto no comunicativo. Frente a isso, o objetivo geral deste trabalho é contribuir para os estudos de representação sintática de foco. O objetivo específico é investigar a ordem de aquisição de clivadas e semiclivadas afirmativas a partir da fala espontânea de crianças adquirentes do português do Brasil. A hipótese é a de que estruturas semiclivadas afirmativas são adquiridas anteriormente a estruturas clivadas afirmativas no português do Brasil. A justificativa para essa hipótese advém do entendimento de que clivadas seriam estruturalmente mais complexas do que semiclivadas em Narrow Syntax, uma vez que estas são representadas por estrutura mais simples. A metodologia deste trabalho consiste na análise qualitativa e quantitativa de dados secundários de Rodrigues (2023) da fala espontânea de três crianças adquirindo o português do Brasil. A hipótese adotada foi refutada, uma vez que uma das participantes produziu uma clivada antes de uma semiclivada. Como as duas outras crianças produziram semiclivadas antes de clivadas, discutiu-se que tanto a frequência do input quanto a complexidade estrutural desempenham papéis importantes na aquisição dessas estruturas no português brasileiro

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This paper was published in Pantheon.

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