O presente artigo discute as relações entre linguagem, poder e produção da diferença no campo das teorias linguísticas sobre a surdez, a partir do conceito de ouvintismo estrutural. Historicamente, as análises sobre a surdez foram fortemente influenciadas por perspectivas biomédicas e por modelos linguísticos centrados na oralidade, o que contribuiu para a marginalização das línguas de sinais e das experiências linguísticas das comunidades surdas. Nesse contexto, o estudo tem como objetivo problematizar de que maneira determinadas abordagens linguísticas participaram da construção de hierarquias entre diferentes formas de linguagem e comunicação. Trata-se de uma pesquisa de natureza teórica e bibliográfica, fundamentada em contribuições dos estudos surdos, da linguística aplicada crítica e das teorias sociais do poder. A análise evidencia que a produção do conhecimento linguístico sobre a surdez esteve historicamente atravessada por regimes de normalização que privilegiaram a audição e a oralidade como parâmetros universais de linguagem. Conclui-se que a crítica ao ouvintismo estrutural contribui para ampliar o debate sobre linguagem e diferença, possibilitando novas perspectivas para o reconhecimento das línguas de sinais e para a construção de abordagens linguísticas mais sensíveis à diversidade humana
Is data on this page outdated, violates copyrights or anything else? Report the problem now and we will take corresponding actions after reviewing your request.