Este estudo desenvolve uma análise interpretativista das políticas de silenciamento dirigidas à Literatura Negro-Brasileira do Encantamento Infantil e Juvenil (LINEBEIJU) no contexto escolar, compreendendo tais práticas como formas contemporâneas de censura. Partindo da concepção da literatura como direito fundamental e dimensão constitutiva da formação humana, por possibilitar experiências estéticas, simbólicas e subjetivas, o estudo problematiza as sanções impostas ao campo literário no espaço educativo. O objetivo central consiste em interpretar à luz do Letramento Racial Crítico (LRC) e da Linguística Aplicada Crítica (LAC) as disputas discursivas mobilizadas no caso de Mãe Zeneida de Navê. O corpus é constituído pela repercussão midiática que narra a perseguição à escritora e líder religiosa, ocorrido após a realização de atividade literária em uma escola pública do estado de Rondônia. O percurso analítico organizou-se em quatro etapas: (i) leitura exploratória do material; (ii) seleção de sequências discursivas que mobilizam controvérsias; (iii) identificação das formações discursivas em disputa; e (iv) interpretação dos efeitos de sentido produzidos. A fundamentação teórica articula contribuições dos estudos sobre censura literária, práticas de leitura antirracistas, decolonialidade, letramento racial crítico e análise do discurso (AD) de filiação francesa. Os resultados evidenciam que a censura direcionada à LINEBEIJU se ancora em um regime de normatividade que privilegia a cultura eurocêntrica como parâmetro de legitimidade, aceitabilidade e tolerância no espaço escolar. Ao marginalizar produções literárias que tensionam tais padrões, esse processo reforça dinâmicas excludentes e silenciadoras, negando às crianças o direito de acesso a narrativas plurais, afrocentradas e esteticamente potentes
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