A Construção do Cuidado Farmacêutico: autoetnografia de uma farmacêutica na Residência Multiprofissional em Saúde da Família da UFSC em São José/SC

Abstract

Trabalho de Conclusão (Residência). Universidade Federal de Santa Catarina. Comissão de Residência Multiprofissional e Uniprofissional em Saúde. Residência Multiprofissional em Saúde da Família.No Brasil, a atuação do farmacêutico na Atenção Primária à Saúde (APS) frequentemente se desenvolve em práticas técnico-gerenciais, que constituem componente essencial do cuidado. Contudo, determinadas restrições institucionais podem limitar a ampliação do seu papel em processos interprofissionais. Nesse cenário, a inserção do farmacêutico em espaços colaborativos do processo de trabalho da Estratégia Saúde da Família apresenta-se como uma possibilidade de qualificação do cuidado e de ampliação do uso racional e seguro de medicamentos. Este estudo teve como objetivo analisar a inserção do farmacêutico em espaços interprofissionais consolidados da APS, com foco em visitas domiciliares, consultas compartilhadas e reuniões de equipe. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada na autoetnografia analítica, permitindo a reflexão crítica sobre a experiência profissional da pesquisadora farmacêutica em uma Unidade Básica de Saúde vinculada ao Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A coleta de dados ocorreu entre setembro e dezembro de 2025, por meio de observação participante, análise documental e entrevistas semiestruturadas com profissionais da equipe, com posterior triangulação de dados. Os resultados indicaram que a participação do farmacêutico em práticas interprofissionais contribuiu para a qualificação do uso dos medicamentos, o fortalecimento da segurança do paciente, a ampliação da integralidade e da longitudinalidade do cuidado, bem como a corresponsabilização entre os profissionais da equipe. As reuniões de equipe, visitas domiciliares e consultas compartilhadas favoreceram a integração de saberes, intervenções oportunas, bem como decisões terapêuticas mais contextualizadas às necessidades dos usuários. Entretanto, também foram identificados desafios relacionados ao reconhecimento do papel clínico do farmacêutico, à organização do processo de trabalho e às limitações institucionais que dificultam a consolidação de uma atuação contínua e integrada. Observou-se que a experiência analisada foi viabilizada principalmente pela presença da residência multiprofissional, não se configurando como uma política institucional consolidada, o que evidencia seu caráter pontual e excepcional. Conclui-se que a atuação farmacêutica em espaços interprofissionais potencializa o cuidado compartilhado na APS, desde que sustentada por condições institucionais, organizacionais e culturais, que favoreçam sua inserção estruturante no trabalho coletivo, contribuindo para uma Atenção Primária mais integral, resolutiva e orientada às necessidades do território

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Last time updated on 27/04/2026

This paper was published in Repositório Institucional da UFSC.

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