BABILÔNIA SELÊUCIDA: HELENIZAÇÃO OU ISOLAMENTO? EVERGETAS, RAINHAS E AMIGOS NAS FONTES GREGAS E ACADIANAS DA CULTURA ESCRIBAL BABILÔNICA (SÉCS. IV E III AEC)
Após as guerras entre os sucessores de Alexandre no final do século IV A.E.C., o império selêucida afirmou-se como uma das três potências de primeira ordem do mundo helenístico, estendendo-se da Índia ao Mediterrâneo. Diante da grande diversidade cultural e sócio-política das várias regiões do império, a dinastia adotou formas diferentes de construção da autoridade. Este artigo discute tal processo a partir da Babilônia, um dos centros mais importantes do império, onde os selêucidas confiaram aos sacerdotes do templo de Esagila, dedicado ao deus Marduk, a posição de retransmissores locais do poder imperial, promovendo uma interação entre a cultura escribal babilônica e a koinḗ helenística. Para discutir os modos desta interação, primeiro, identificamos a forma como os textos histórico-literários babilônicos e as inscrições se envolvem com topoi literários e conceitos da koinḗ helenística. Segundo, analisamos o modo como os sacerdotes relacionaram esses motivos helenísticos àqueles de sua tradição. A partir desses dois passos, argumentamos que os textos babilônicos mostram três novas tendências ligadas à cultura helenística e à ideologia selêucida — isto é, o foco nas rainhas, a valorização dos amigos do rei (phíloi toû basiléōs / kên šarri), e o engajamento com o discurso evergético. Com isso, argumentamos que, além de incorporar topoi típicos da literatura helenística, a apropriação desses temas representa uma tentativa dos sacerdotes babilônicos em entender o funcionamento do império selêucida a partir de seus próprios conceitos helenísticos
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