Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Abstract
Ministrado em 1984 por Michel Foucault, pouco antes da morte do filósofo, o curso A coragem da verdade ganha contornos especiais em tempos de cinismo disseminado na cena pública e política. Retraçando certas relações entre o pensamento de Nietzsche e o trabalho genealógico foucaultiano, e relembrando a noção de verdade factual em Hannah Arendt, ênfase é atribuída a uma noção de coragem capaz de reativar o problemático termo verdade. Conforme lembrou oportunamente Foucault, o cinismo antigo estava vinculado à noção de parresia, o dizer-verdadeiro que implica riscos, tensões, ao indexar a palavra a certas formas e estilos de vida. O dizer-verdadeiro grego antigo sustenta-se na ética, na identidade entre o sujeito da ação e o sujeito da verdade, tal como Foucault já havia sublinhado no curso anterior, em torno da Hermenêutica do sujeito. Ao investigar e ressaltar os liames entre bios e parresia no falar-franco do cinismo antigo, identificamos com mais nitidez um aspecto problemático da atualidade: o cinismo como corrosão de qualquer lastro de uma palavra radicalmente descomprometida com a vida, com o mundo e a ética
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