A consciência e a vida no limite da tragédia: Considerações nietzschianas acerca da disposição afirmativa

Abstract

O pensamento nietzschiano se propõe, em suas máximas e sentenças, desconstruir tudo o que o monumento da razão tem edificado sob a forma de consciência. Por essa razão, diante das situações dramáticas que se apresentam, não é o caso de se conscientizar sobre elas, mas antes as experienciar. A consciência, ao interpor o exercício da razão, falsifica o fato, ao passo que a vivência acolhe o que neste se apresenta de mais amplo e genuíno. Somente para além do exercício da consciência que o filósofo alemão compreende ser possível o encarar da tragédia, pois não se pensa nela, mas simplesmente a vive. E é pela vivência e não ciência do elemento trágico que Nietzsche aponta um caminho possível de afirmação da vida. Este projeto pode ser realizado na medida em que a vida é resgatada em sua dimensão integral e primigênia, sem o influxo de elementos que a ela não pertencem. E um caminho imediato à vida é o da experiência dela, para além de tudo o que se fizer em termos de operação científica. O presente trabalho se propõe mostrar que quando se estabelece qualquer esforço no intuito de se fazer ciência sobre algo se está operando um corte no exercício de se direcionar para a vida, pois se antepõe elementos que não permitem com que ela se apresente como é em si mesma, em seu acontecer, para interpor mecanismos que imiscuem a sua realidade própria da vida. O abandono da experiência mais íntima da realidade em detrimento de seu aspecto formal periférico faz com que toda a vida e ao que dela faz parte se relegue ao plano do irrisório. Toda a teorização sobre a vida nada mais é senão a sua falsificação, que é a própria consciência, como lentes que se apresentam diante da realidade.Nietzsche\u27s thought proposes, in its maxims and sentences, to deconstruct everything that the monument of reason has built in the form of consciousness. For this reason, faced with the dramatic situations that arise, it is not a case of becoming aware of them, but rather experiencing. Conscience, by interposing the exercise of reason, falsifies the fact, while experience embraces what appears to be broader and more genuine in it. Only beyond the exercise of conscience does the German philosopher understand that it is possible to face tragedy, as one does not think about it, but simply lives it. And it is through the experience and not awareness of the tragic element that Nietzsche points out a possible path to affirm life. This project can be carried out to the extent that life can be rescued in its integral and original dimension, without the influx of elements that do not belong to it. And an immediate path to life is that of its experience, beyond everything that is done in terms of its scientific operation. This work aims to show that when any effort is made with the intention of becoming aware of something, there is a cut in the exercise of directing oneself towards life, as elements are put in front of it that do not allow it to present itself as it is in itself, in its happening, to interpose mechanisms that interfere with their own reality of life. The abandonment of the most intimate experience of reality to the detriment of its peripheral formal aspect causes all of life and what is part of it to be relegated to the plane of the derisory. All theorizing about life is nothing more than its falsification, which is consciousness itself, like lenses that appear before reality

Similar works

Full text

Having an issue?

Is data on this page outdated, violates copyrights or anything else? Report the problem now and we will take corresponding actions after reviewing your request.

Licence: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0