Dentro do livro La forme d’une ville change plus vite, hélas, que le coeur d’un mortel (1999), de Jacques Roubaud, reúnem-se sonetos sob o título “Square des Blancs-Manteaux” (algo como “Praça dos Mantos-Brancos”). Investigo neles o diálogo com a memória cultural da poesia devocional francesa, e penso a tarefa de traduzir um deles. Ao investigar o jogo entre temporalidades que se cria nele, explicito-o por meio das categorias de “memória” e “agora” de sua obra ensaística, que modulam a relação entre passado e presente. Noto detrás de suas formulações a hipótese da temporalização da apercepção histórica – formulada principalmente pelo historiador Reinhart Koselleck –, perceptível na poesia em suas vertentes românticas e pós-românticas. Conduzido por ela, destaco como seu procedimento central de escrita a inversão. Isso resulta na investigação da maneira como traduzi um soneto, que esclarece a tarefa mais ampla, e mais geral, de como traduzir esse tipo de sobreposição de tempos
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