O presente artigo destinou-se a explorar a relação que a economia popular mantém com o espaço urbano, considerando, para isso, uma situação particular: a atuação dos vendedores ambulantes nos trens urbanos da periferia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Em um contexto de significativo contingente de pessoas desempregadas e de disseminação de formas diversas de trabalho precário, o objetivo foi esclarecer como aqueles trabalhadores se apropriam de tradicionais “espaços de circulação” – representados pelo sistema de trens metropolitanos – subvertendo normas da empresa concessionária, e evidenciando que, além de infraestrutura para o transporte de pessoas, os trens urbanos também se configuram em espaços de “trabalho” e de “consumo”, sobretudo para as classes mais pobres. Para tanto, adotou-se referenciais teóricos que esclarecessem a origem, as características e as formas de inserção na vida urbana daquelas atividades não pertencentes ao mercado formal de trabalho; formas de ocupação por vezes difíceis de se obterem informações, devido sua condição de marginalidade. Por isso, além de levantamento de dados secundários, optou-se também por realizar pesquisas de campo e estabelecer contato direto com os trabalhadores ambulantes que atuam no espaço ferroviário da metrópole fluminense. Desse modo, foi então possível reconhecer não apenas as diversas funções que atualmente o sistema trens urbanos desempenha (para além de infraestrutura de circulação), mas também o caráter político que esse espaço assume, tendo em vista os conflitos em torno do seu uso envolvendo empresa concessionária, comerciantes e vendedores ambulantes
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