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Indexicais e operadores-monstros no português brasileiro

By Lovania Roehrig Teixeira

Abstract

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão. Programa de Pós-Graduação em LinguísticaEsta dissertação tem por objetivo abordar as principais ideias sobre a indexicalidade e sobre as questões que ainda são motivo de desacordo em relação ao fenômeno. Para dar conta disso, no Capítulo 1 apresentamos a principal teoria semântica para os indexicais, proposta por Kaplan (1989). Essa teoria tem as seguintes linhas gerais: define os indexicais como termos diretamente referenciais e como designadores rígidos; classifica-os em indexicais puros e demonstrativos; caracteriza-os como termos que são sempre dependentes do contexto de proferimento hic et nunc; e trata o significado desses itens como sendo composto por duas funções, o caráter e o conteúdo. Se, por um lado, essa distinção representa um dos méritos da teoria de Kaplan (1989), por outro lado, a teoria dos indexicais proposta pelo autor é muito criticada por causa da proibição contra operadores-monstros e indexicais monstruosos em língua natural. O segundo capítulo apresenta as refutações de Schlenker (1999, 2003, 2010) em relação à Kaplan (1989), principalmente no que diz respeito à proibição da existência de operadores-monstros e indexicais monstruosos. Apoiado em línguas como amárico e o inglês, Schlenker argumenta que o operador de atitude pode ser um operador-monstro em alguns casos. Na verdade, sempre que houver uma indexical com o comportamento monstruoso na sentença, há um operador de atitude atuando. No entanto, também podem ser encontrados indexicais kaplanianos no escopo do operador de atitude. Apresentamos, também, os critérios estabelecidos pela teoria de Schlenker (1999, 2003, 2010) para encontrar operadores-monstros e indexicais monstruosos nas línguas naturais. Com base neles, analisamos alguns indexicais do domínio temporal do PB; as expressões 'em dois dias' e 'dois dias atrás' se adequaram aos critérios de Schlenker. Assim sendo, essas expressões podem ser avaliadas num contexto diferente do contexto de proferimento (c*). Além disso, foram feitas algumas especulações em relação ao indexical 'aqui', que pode ser considerado um indexical monstruoso se for aceita a ideia de que apesar do termo não estar expresso em algumas sentenças, ele tem papel fundamental na interpretação dessas sentenças. No terceiro capítulo, lidamos com os problemas decorrentes da relação entre o discurso metaficcional (sentenças sobre ficção) e as expressões indexicais. Isso foi feito pelas suspeitas de que a interpretação de certas sentenças metaficcionais pode exigir mudanças nos contextos de avaliação dos indexicais. Essa suspeita foi fundamentada pela abordagem de Predelli (2008), em que é proposto um operador-monstro-modal. Verificamos que, de fato, afirmar a existência de indexicais monstruosos no discurso metaficcional e utilizar uma teoria baseada em operadores-monstros explica os casos em tela de maneira adequada e econômica. Para dar conta da sentença metaficcional 'Eu acho que eu poderia morar mais perto dela', para qual o operador-monstro-modal de Predelli (2008) é insuficiente, propomos, no Capítulo 3, o operador metaficcional (BASSO; TEIXEIRA, 2011) (ampliação do operador de Predelli). Esse operador tem por incumbência modelar que o agente do contexto do segundo 'eu' e o indivíduo apontado, representado pelo indexical 'dela', devem ser fixados no contexto ficcional. Por fim, verificamos que para dar conta dos indexicais monstruosos encontrados no PB, analisados nos Capítulos 2 e 3, é necessário que as concepções de operadores-monstros e de indexicais monstruosos de Kaplan (1989) sejam assumidas, visto que as de Schlenker (1999, 2003, 2010) são muito estreitas e não permitem que os indexicais monstruosos do discurso metaficcional sejam avaliados de maneira satisfatória.This dissertation aims to investigate indexicals, highlighting the main related issues that have causing divergences in the literature. The first chapter presents the main semantics approach for indexicals, proposed by Kaplan (1989). Basically, this theory exploits indexicals according to the following lines: it defines them as directly referential terms and rigid designators; it classifies them as pure and demonstratives; it characterizes them as terms that are always dependent on the utterance context hic et nunc; and, finally, it deals with their meaning as being composed by two functions: the character and the content. If on one hand this distinction represents on of the most important merit of the Kaplan#s theory, on the other hand, it is criticized by prohibiting operators and indexicals monsters in natural language. The second chapter presents the refutations of Schlenker (1999, 2003, 2010) to Kaplan, with respect to the prohibition against operators and indexicals monsters. Supported by languages such as Amharic and English, Schlenker has argued that the attitude operator can be a monster operator, in some cases. In fact, whenever there is an indexical with monstrous behavior in the sentence, there is an attitude operator acting. However, it may also exist kaplanian indexicals under the scope of the attitude operator. We also present the criteria established by Schlenker to find operators and indexicals monsters in natural languages. Based on that, we have analyzed some indexicals in the Brasilian Portuguese temporal domain, which have shown that expressions like #em dois dias# and #dois dias atr´as# are monsters indexicals. Hence, they can be evaluated in a different context than the utterance context (c*). Finally, we also have speculated the indexical #aqui#, which can be considered a monster indexical, since we accept that, although the word #aqui# is not expressed in some sentences, it plays a fundamental role in their interpretation. In the third chapter, we deal with the problems arising from the relationship between the metafictional discourse (sentences about fiction) and the indexicals expressions. The interpretation of some sentences related with the fiction, may require shiftings in the contexts. It has been supported by the Predelli#s approach, which proposes a monstermodal-operator for these cases. In fact, we verify that to claim the existence of the indexicals monsters in metafictional discourse and to use the operators monsters theory to describe the cases in question is a elegant and a economic explanation. In addition, to take into account sentences like #Eu acho que eu poderia morar mais perto dela#, in which the operator-monster-modal of Predelli (2008) is insufficient, we propose the metafictional operator (BASSO; TEIXEIRA, 2011) (extending operator Predelli (2008)). This operator focus on modeling that the agent of the context of the second #eu# and the appointed person, represented by the indexical #ela#, both must be set in the fictional context, unlike the first #eu#, that has its value set in the context of utterance. Finally, it worth to notice that explaining the indexicals monsters found in Brasilian Portuguese (Chapters 2 and 3) requires to assume as correct the Kaplan#s conceptions about operators and indexicals monsters, since the conceptions of Schlenker are narrow and do not allow to account the metafictional indexicals monsters

Topics: Linguistica, Lingua portuguesa, Semântica, Brasil, Gramatica comparada e geral -, Sentencas, Lingua portuguesa, Gramatica comparada e geral, Lingua portuguesa, Contexto (Linguística)
Publisher: Florianópolis, SC
Year: 2012
OAI identifier: oai:agregador.ibict.br.RI_UFSC:oai:repositorio.ufsc.br:123456789/96140
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