Outras histórias. Ativismos mnemónicos, género e interseccionalidades

Abstract

[Excerto] É comum afirmar-se que a imprensa constitui o primeiro rascunho da história. As dinâmicas da esfera pública influenciam e são influenciadas pela memória histórica, num processo em que o velho se mistura com o novo, transformando-se reciprocamente. Nos últimos anos, diversos movimentos sociais de luta contra o sexismo, o racismo e outras formas de discriminação ganharam uma visibilidade sem precedentes na esfera pública, contribuindo para fomentar o debate sobre os “perigos de uma história única” (Adichie, 2009). Apesar do princípio da igualdade de direitos entre os seres humanos estar consagrado nas sociedades formalmente democráticas, persistem significativas desigualdades em função de critérios de género, cor da pele, classe social, orientação sexual, grupo étnico-linguístico, origem geográfica, etc. Recentes acontecimentos, um pouco por todo o mundo, mostram-nos que os direitos que considerávamos conquistados e indiscutíveis podem ser revogados a qualquer momento. Mostram-nos que direitos alcançados através de tão longas e persistentes lutas não estão garantidos e, parafraseando as palavras de Angela Davis (2020), não podemos esquecer que a liberdade é uma luta constante

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