12 research outputs found

    Tempo, projetos e vida em O Diário confessional, de Oswald de Andrade

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    Neste ano de 2022, entre homenagens entusiasmadas e posicionamentos contestadores, o centenário da Semana de Arte Moderna é marcado por revisões críticas acerca das tramas da consagração do referido evento. A abertura dos arquivos de seus participantes pode oferecer outras camadas de leituras não somente sobre a Semana, mas também, e especialmente, acerca da dinâmica da vida e do entorno social de figuras célebres do modernismo para além daquela efeméride. A consulta de anotações, correspondências e diários, aliada ao seu inconteste valor literário e apesar do acúmulo de informações – que, no caso do discurso diarístico, podem mais esconder do que supostamente revelar, – permite o exercício de uma mirada crítica mais ampla, sem aprisionar as personalidades modernistas no período festivo da Semana de 22. Neste sentido, o até então inédito Diário confessional, de Oswald de Andrade, organizado por Manuel da Costa Pinto e editado este ano pela Companhia das Letras, é uma contribuição ímpar ao apresentar uma contranarrativa feita pelo próprio Oswald, agora apartado daquela etapa mais vigorosa e juvenil de sua vida

    To Open the Mouth, to Show the Tongue: Anthropophagic Gestures in Brazilian Art

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    This essay seeks to articulate a detailed reading through two anatomical selections –the mouth and tongue— in Brazilian art from the end of the 1960s. The reading is part of a shift in the matrix of Oswald de Andrade’s “Anthropophagic Manifesto,” originally published in the Revista de Antropofagia in 1928, whose interpretations spread in Brazil during the second half of the 20th century. This study mobilises elements of the manifesto and its resonance in the works of artists such as Anna Maria Maiolino, Lygia Pape, Paulo Bruscky, and Lenora de Barros

    Após a Semana (e um pouco mais de) um século

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    Há um pouco mais de cem anos – precisamente entre os dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 –, um grupo de intelectuais e artistas se reuniram no Teatro Municipal de São Paulo para realizar a Semana de Arte Moderna. Neste ano de 2022, debates e discussões elucidam como todo um século foi mobilizado ao redor desse evento. No calor dos debates e das dezenas de publicações recentes relativas ao tema,1 pode-se muito bem parafrasear o célebre clássico de John Reed, Dez dias que abalaram o mundo (2010), para afirmar que a Semana abalou o século, pondo à prova a cada década a crítica, os historiadores e outros artistas a depurar influências locais, rever os discursos historicamente construídos sobre e em torno do evento, quem participou ou quem não esteve presente, as fontes econômicas e mais recentemente as classes sociais e as questões de gênero do grupo participante

    Os poemobjetos de Roberta Camila Salgado: criação e materialidade

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    Resumo: O artigo analisa a produção poética de Roberta Camila Salgado, que, entre 1964-1965, compôs os poemobjetos que viriam a integrar a instalação ambiental Tropicália, de Hélio Oiticica, exibida em 1967 na célebre exposição “Nova Objetividade Brasileira”. Relacionando a escrita poética com materiais como cerâmicas de telhado, blocos de tijolo, isopor e placas de madeira, a poeta torna tais materiais industrializados intrínsecos ao poema. O poemobjeto apresenta-se como uma conexão direta com o ambiente circundante; a poesia transforma-se em matéria aparentemente sem centrali-dade na atenção do leitor-participante, que passa a experienciá-lo como descoberta inesperada. Em suma, o presente artigo pretende examinar como a materialidade dos poemobjetos de Roberta Camila Salgado se situa dentro da esfera de produção poética brasileira. Palavras-chave: poesia brasileira, Roberta Camila Salgado, Hélio Oiticica, poemobjetos Abstract: This article aims to analyze the poetic production of Roberta Camila Salgado. Between 1964-1965 she created the poemobjetos [poemobjects], that would become part of Tropicália, an environmental installation created by Hélio Oiticica in 1967 and launched in the seminal exhibition “Nova Objetividade Brasileira”. Camila Salgado’s poetic writing uses materials such as roofing ceramics, brick blocks, Styrofoam and wooden boards. It appropriates the unusual aspect of those industrialized materials and makes them intrinsic to the poem. In this sense, the poemobjeto presents itself directly connected to the environment. Poetry becomes a sort of materiality that does not intend to control the attention of the observer/reader, who experiences it as an unexpected discovery. In short, this article intends to examine how Roberta Camila Salgado’s poemobjetos and their materiality situate themselves within the Brazilian poetic milieu. Keywords: Brazilian poetry, Roberta Camila Salgado, Hélio Oiticica, poemobjeto

    Editorial

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    Linguagem em delírio: a literatura contracultural brasileira nos anos 60 e 70

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    Durante os anos 60 e 70 quando o Brasil vivia os anos mais acirrados da ditadura, uma série de narrativas literárias apresentava um olhar crítico para o período vigente. Certa parcela de autores afinados com a contracultura buscava uma abordagem da realidade sociopolítica nacional a partir de ficções repletas de imagens alucinógenas/alucinadas. Partindo deste contexto, o presente artigo busca assinalar algumas produções literárias interessadas na abordagem daquele momento brasileiro através do que cunhamos como experiência do delírio, apresentando uma linguagem multifacetada que, por sua vez, desmantela a logicidade e o controle discursivo almejados pelos meios oficiais

    Consumindo o consumo. Linguagem-Brasil e antropofagia cultural nos anos 60/70

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    Apresentação

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    A trama tropical: capítulos da (contra)cultura brasileira

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    Este livro analisa a configuração da noção de trópicos em determinadas produções textuais e visuais brasileiras do final do século XIX e do período de virada entre as décadas de 60 e 70 do século XX, abarcando tanto os discursos oficiais como as contranarrativas produzidas por escritores, artistas e intelectuais das respectivas épocas, tais como Sousândrade, Hélio Oiticica, José Agrippino de Paula e tantos outros. Seja no discurso oficial ou na contraparte artística, o elemento tropical foi posto em circulação para diversos fins, especialmente a serviço da afirmação – às vezes ambígua e oscilante – de certa contribuição brasileira no contexto das nações ocidentais consideradas de maior prestígio cultural, no caso as europeias, e diante do poderio industrial, político e econômico de nações como os Estados Unidos
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