42 research outputs found

    Dimensão política e de poder da comida régia e do corpo do Rei

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    Comer √© uma necessidade natural e fisiol√≥gica de todos os homens, em todos os tempos. Mas √© tamb√©m uma pr√°tica cultural complexa, que convoca n√£o s√≥ a hist√≥ria e a cultura material, mas tamb√©m a antropologia, a sociologia, a etnologia, a psicologia, a hist√≥ria de arte e a hist√≥ria das ideias. Numa sociedade t√£o fr√°gil como a dos nossos antepassados, o acto de comer era um ‚Äúlugar‚ÄĚ fundamental de diferencia√ß√£o e de distin√ß√£o sociais e significado pol√≠tico. Na verdade, a mesa do rei constituiu um instrumento pol√≠tico para a monarquia, desde as formas relativamente simples da Idade M√©dia at√© √† sua cada vez maior complexidade na √Čpoca Moderna. Neste quadro, e tomando sobretudo por base fontes hist√≥ricas e documentais portuguesas dos s√©culos XV e XVI, este estudo analisar√° a mesa do rei de acordo com as seguintes perspectivas: a dimens√£o pol√≠tica e simb√≥lica da comida r√©gia, os alimentos que iam √† mesa do monarca, o conjunto dos discursos de advert√™ncia ‚Äď religioso/moralista e m√©dico - acerca da comida r√©gia e dos excessos cortes√£os e a magnific√™ncia e ostenta√ß√£o dos grandes banquetes em momentos cerimoniais importantes para a monarqui

    Greek and Latin historians in the Renaissance Library of D. Teodósio I, duke of Bragança

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    UIDB/04666/2020 UIDP/04666/2020This text has as analysis field the library of D. Teod√≥sio I, 5th duke of Bragan√ßa, known only by a 16th century copy of his House‚Äôs inventory made after his death in 1563. As it would be expected, Antique culture is deeply represented in this great aristocratic library in all fields of knowledge ‚Äď Philosophy, Poetry, Astronomy, Medicine, Theology, Civil and Canon Law. We will focus our attention on History, the most important section after Theology and Law, underlining the presence of Greek and Latin books and authors, both in their original version and in translation into vernacular languages, an eloquent testimony of the reception of Ancient Culture in Renaissance‚Äôs Portugal.publishersversionpublishe

    Os santos na Corte de D. Jo√£o III e de D. Catarina

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    The object of this paper is to produce some reflection about holiness in the Portuguese court of King John III and Queen Catherine, in the sixteenth century Aiming at pointing out how holiness has been a subject of study by historiography, we will give relevance to some aspects in their close relationship with the courtly world: saints and names, the royal iconography, the world of relics, which besides being ‚Äúpieces of holiness‚ÄĚ were also object of social and dynastic distinction. All this in a world that in its vision of the cosmos, of objects and men was still signifi cantly divided between the sacred and the profane.Este artigo tem como objectivo sistematizar algumas reflex√Ķes sobre a santidade no s√©culo XVI, num contexto social preciso, que √© o da corte de D Jo√£o III e de D Catarina Procurando evidenciar como a santidade tem sido objecto de estudo pela historiografia, d√°‚ÄĎse relevo a alguns aspectos particulares, na sua estreita rela√ß√£o com o mundo cortes√£o: os santos e os nomes, a iconografia r√©gia, o mundo das rel√≠quias que, al√©m de ‚Äúpeda√ßos de santidade‚ÄĚ eram tamb√©m, em termos sociais, e aqui din√°sticos, objecto de distin√ß√£o. Tudo isto num mundo que, na sua vis√£o do cosmos, das coisas e dos homens, se dividia ainda, em significativa medida, entre o sagrado e o profano

    D. Jo√£o III e D. Miguel da Silva, bispo de Viseu: novas raz√Ķes para um √≥dio velho

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    No Ver√£o de 1540, D. Miguel da Silva (c. 1480-1556), escriv√£o da puridade de D. Jo√£o III e bispo de Viseu, abandonou a cidade de Viseu, fugindo para It√°lia, de onde nunca regressou e onde veio a morrer em 1556. A vers√£o fixada pela cron√≠stica e veiculada, quase ne varietur, pela historiografia, √© de que a causa do √≥dio que D. Jo√£o III veio a conceber por D. Miguel da Silva, a fuga deste para It√°lia e a persegui√ß√£o que o monarca lhe moveu at√© √† sua morte em Roma teria sido, em exclusivo e numa rela√ß√£o causal, a ascens√£o ao cardinalato, em 1539, √† revelia da autoridade r√©gia. Em nosso entender, este acontecimento dever√°, antes, ser visto no √Ęmbito de um conjunto complexo de raz√Ķes em que o cardinalato tem, √© certo, um papel de destaque, mas n√£o exclusivo. Revisitar-se-√°, pois, esta excepcional figura para avaliar e compreender, a uma nova luz, um dos mais perturbadores momentos do reinado de D. Jo√£o III, que teve como protagonista D. Miguel da Silva, bispo de Viseu

    Corte, poder e utopia: o relox de príncepes (1529). De Fr. António de Guevara e a sua fortuna na Europa do século XVI

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    Antonio de Guevara (1480?-1545), es una figura singular de la cultura ib√©rica del siglo XVI. La proximidad al emperador Carlos V marcar√° su trayectoria personal y su producci√≥n literaria. La publicaci√≥n, en 1528, del Libro Aureo de Marco Aurelio, dar√° cominezo a una carrera literaria que har√° de Guevara uno de los autores m√°s leidos y apreciados de la Europa del siglo XVI. Procurando inscribir su carrera vital en la coyuntura hist√≥rica de la Espa√Īa de su tiempo, este texto analiza l trayectoria y fortuna del Relox de Pr√≠ncipes, publicado en 1529, y su irradiaci√≥n ib√©rica y europea, con especial incidencia para el caso portugu√©s

    O peregrino instruído. Em torno de um projecto de viagem setecentista

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    Comunica√ß√£o apresentada no 3," Encontro Internacional de Tomar, subordinado ao tema Odiss√©ias Reais e Odiss√©ias Espirituais em Julho de 1986. pp. 27-58O s√©culo XVIII √© uma √©poca em que pode, com propriedade, falar-se ‚ÄĒainda que numa acep√ß√£o bem diversa, por exemplo, da que comummente se aplica ao universo medieval‚ÄĒ, da exist√™ncia do horno viator. A viagem assume, com efeito, na Europa setecent√≠sta, uma import√Ęncia capital na percep√ß√£o dos espa√ßos e dos homens, na reflex√£o sobre analogias e diferen√ßas, na adop√ß√£o ou rejei√ß√£o de modelos. A experi√™ncia inglesa de Voltaire, entre 1726 e 1728, o p√©riplo europeu de Montesquieu, entre 1728 e 1732, a longa jornada do Cavaleiro de Oliveira s√£o disso exemplos esclarecedores. Viagem filos√≥fica, cultural ou pedag√≥gica, a viagem setecent√≠sta contribui para a constru√ß√£o de um cosmopolitismo europeu que as Luzes definitivamente consagrar√£o. √Č significativo, como sublinha Georges Gusdorf, que o tema da ¬ęrep√ļblica europ√©ia

    “Recipesforthetreatmentofindispositionsaftereating’ in a manuscript of the physician of Juana of Austria, mother of king Sebastião

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    UIDB/04666/2020 UIDP/04666/2020O manuscrito quinhentista de que nos ocuparemos, que veio para Portugal com D. Juana de √Āustria aquando do seu casamento com o pr√≠ncipe herdeiro D. Jo√£o, em 1552, pertenceu decerto ao seu f√≠sico-mor, o prestigiado doutor Hern√°n Abarca Maldonado. Redigido em l√≠ngua italiana, encontra-se inserido numa Compila√ß√£o de not√≠cias v√°rias pelo erudito Manuel Severim de Faria no s√©culo XVII.Entre outros aspectos, o texto destaca o nexo indissoci√°vel entre sa√ļde e alimenta√ß√£o e, portanto, como tantas obras evidenciam desde a Antiguidade, entre medicina e alimenta√ß√£o. Dos rem√©dios e as mezinhas para a cura de v√°rias doen√ßas e indisposi√ß√Ķes, algumas delas, embora em n√ļmero reduzido, est√£o relacionadas com a alimenta√ß√£o. This sixteenth century Italian manuscript came to Portugal with Juana of Austria when she married Jo√£o, the heir of the Portuguese throne, in 1552, and it is certain it belonged to her first physician, the well-known doctor Hern√°n Abarca Maldonado. It is inserted in a compilation of several texts compiled in the seventeenth century by the erudite Manuel Severim de Faria.Among other aspects, this text shows the intimate link between health and food, and in the line of a tradition since Antiquity, between medicine and food. This text contains various recipes and prescriptions for many diseases, and a few of them deal with the stomach and indigestion.publishersversionpublishe

    Olhares estrangeiros sobre Portugal (c. 1450-1571)

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    UID/HIS/04666/2013 UID/HIS/04666/2019 UID/HIS/00749/2013 UID/HIS/00749/2019Restringindo um tema que seria demasiado vasto para abordar em todas as suas componentes, protagonistas e perspectivas, iremos centrar a nossa reflex√£o sobre o testemunho de cronistas, viajantes, humanistas e embaixadores estrangeiros sobre Portugal de in√≠cios de √©poca moderna. √Č talvez escusado dizer da import√Ęncias de que se revestem, de uma forma geral, esses testemunhos para a hist√≥ria portuguesa j√° que muitas vezes revelam pormenores e aspectos que, sobre n√≥s, de outra forma desconhecer√≠amos; ou que, de um outro ponto de vista, revelam a representa√ß√£o que sobre Portugal se fazia a partir de outras paragens e outras zonas da velha Europa. Em todo o caso, √© sempre o olhar do Outro que nos observa e √† nossa realidade, enriquecendo, desta forma, a imagem que podemos, mesmo que fragmentariamente, construir sobre o nosso passado.publishersversionpublishe

    Livros e livrarias de reis e de príncipes entre os séculos XV e XVI. Algumas notas

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    Sem pretender, j√° que n√£o √© esse o objecto do nosso estudo, sistematizar raz√Ķes para que tal asser√ß√£o seja uma realidade geralmente indiscutida, duas constata√ß√Ķes parecem perfilar-se quando avaliamos o conjunto da produ√ß√£o cultural ent√£o realizada. Em primeiro lugar, e numa perspectiva comparada, a chamada ‚Äúcultura dos pr√≠ncipes de Avis‚ÄĚ representa um dos raros momentos em que a cria√ß√£o cultural parece escapar √† ‚Äúfatalidade‚ÄĚ da periferia, que condiciona a cultura portuguesa ao longo dos s√©culos, numa sintonia com o que se fazia noutras terras e noutros lugares que ainda hoje em certos aspectos surpreende. Em segundo lugar, ao situar-se decisivamente num meio social bem definido ‚Äďa corte r√©gia‚Äď pela primeira vez se desenha de forma n√≠tida em Portugal o papel da corte na produ√ß√£o de modelos culturais, facto que testemunha a profunda muta√ß√£o ent√£o em marcha relativamente ao quase absoluto predom√≠nio, no quadro medieval, de uma cultura clerical produzida em meio mon√°stico, e anuncia o lugar da corte na cria√ß√£o e na vida cultural ao longo da √Čpoca Moderna. Ali√°s, o lugar que o livro e a cultura letrada iam ganhando na corte de Avis com o exemplo dos pr√≥prios pr√≠ncipes exprimia, de modo mais amplo, a forma como a aristocracia progressivamente integrava, a par das armas, o interesse pelas letras, num processo que deve ser visto num √Ęmbito peninsular, dado o relevo das rela√ß√Ķes culturais na primeira metade do s√©culo XV, depois de alcan√ßada a paz, entre a corte de Avis e a corte castelhana (Freitas de Carvalho 77-82; Monteiro 89-103; Santos 243-74; Salazar 215-26)

    Corte, poder e utopia: O Relox de Príncipes (1529) de Fr. Antonio de Guevara e a sua fortuna na Europa do século XVI

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    Em Valladolid era publicado, em 1529, o Libro llamado Relox de Pr√≠ncipes, da autoria de fr. Antonio de Guevara, iniciando-se ‚Äú[...] la m√°s fant√°stica carrera y reputaci√≥n literaria del siglo XVI, tanto dentro como fuera de Espa√Īa [...]‚ÄĚ (M√°rquez Villanueva e Redondo 173). A hist√≥ria do Relox de Pr√≠ncipes encontra-se intimamente ligada √† edi√ß√£o, cerca de um ano antes, em Sevilha, nos prelos de Jacobo Cromberger, sem nome de autor, do Libro √Āureo de Marco Aurelio, tamb√©m da autoria de Guevara. Com efeito, a parte mais importante desta obra impressa em 1528 viria a integrar a publica√ß√£o ‚Äúoficial‚ÄĚ de 1529, facto que originaria uma persistente confus√£o entre ambas, at√© porque aquela que pode considerar-se a vers√£o primitiva, o Libro √Āureo, apesar do aparente rep√ļdio do autor, continuaria a ser objecto de sucessivas edi√ß√Ķes aut√≥nomas. Isso mesmo dizia expressamente Antonio de Guevara no pr√≥logo do Relox de Pr√≠ncipes, sustentando que a impress√£o do Marco Aurelio fora feita sem seu consentimento. Ap√≥s referir que, a pedido do imperador, que se encontrava doente na altura, lhe oferecera o manuscrito, incompleto, do Libro √Āureo, Guevara afirmava a sua m√°goa por, sem poder controlar esse processo, o manuscrito ter sido copiado e recopiado na corte pelas mais diversas m√£os, e progressivamente adulterado, publicando-se uma vers√£o na qual ele pr√≥prio n√£o se reconhecia
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