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    Taxonomia, macroecologia e ecologia de Gastropoda terrestre (Mollusca, Orthogastropoda) do Estado do Paraná, Brasil

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    Resumo: As florestas tropicais, subtropicais e regiões áridas ao redor do planeta abrigam uma extraordinária diversidade de moluscos terrestres. Esta malacofauna possui importância intrínseca e funcional para a manutenção dos ecossistemas nos quais estão inseridos. Apesar da pesquisa sobre sua taxonomia e biologia ter avançado em nível global nas últimas décadas, o conhecimento sobre esta malacofauna no Brasil permanece incipiente. Considerando o ritmo acelerado de degradação dos ambientes naturais, em virtude do desenvolvimento humano e a vulnerabilidade dos moluscos terrestres em relação à perda de habitat, certamente existem espécies que correm risco de serem extintas antes de serem devidamente conhecidas. Neste contexto está inserida a malacofauna terrestre do Estado do Paraná. A superfície da região se distingue por apresentar cinco zonas de paisagens geográficas, onde se distribuem 16 bacias hidrográficas. A extensão leste-oeste do estado, que era originalmente coberta pelo Bioma Floresta Atlântica (83%), intercalado por formações não-florestadas (17%), é representada por cinco unidades vegetacionais distintas. Diante deste panorama, é a urgente necessidade da realização de inventários e a publicação dos dados que tornem esta malacofauna conhecida, bem como a ameaça que ela enfrenta. Partindo-se da premissa que os gastrópodes terrestres são animais sedentários, que possuem íntima dependência das condições bióticas e abióticas em relação ao ecossistema onde estão inseridos, a hipótese fundamental do presente estudo é de que estes moluscos se constituem um bom modelo para análise de dados biogeográficos e ecológicos. O trabalho foi baseado no levantamento dos moluscos terrestres do Paraná em museus e em campo, tendo como objetivo: 1. Caracterizar taxonomicamente as espécies; 2. Analisar como a malacofauna está distribuída em relação ao perfil orográfico e as formações vegetacionais; 3. Inventariar e comparar a diversidade e a ecologia da comunidade de moluscos terrestres em quatro remanescentes dos planaltos do Paraná em relação a formação vegetacional, composição da serrapilheira, preferência por substrato e variação anual. Para tanto, a taxonomia foi baseada na conquiliologia; a distribuição foi analisada através do Método de Agrupamento Fenético; o inventário foi baseado em coletas padronizadas e sua eficiência avaliada através de curvas de acumulação de espécies e extrapolação (EstimateS 9.0). A diversidade foi comparada pelo Diagrama de Whittaker (Excel) e Perfis de Diversidade (Past 2.17). A ecologia da comunidade foi avaliada através de análises multivariadas, PCoA e PCA, testadas por Anosim e Mantel (Past 2.17). Foram registradas 148 espécies (54 gêneros e 25 famílias), que corresponderam a 105 novos registros e 38 espécies potencialmente novas para ciência. A distribuição das espécies em relação a orografia, formações vegetacionais e bacias hidrográficas, evidenciou a existência de duas regiões biogeográficas: região leste (planície litorânea, serra do mar e vale do Ribeira) e a região oeste (planaltos do interior). A eficiência de coleta e a diversidade variaram entre os remanescentes em relação aos macrogastrópodes e microgastrópodes. Esta variação, no caso dos macrogastrópodes, foi influenciada pela sazonalidade em razão da variação anual. A comunidade de moluscos mostrou-se significativamente distinta entre os remanescentes quanto a composição e abundância de espécies, revelando associação com a formação vegetacional. No verão, o subbosque foi a principal variável relacionada à riqueza e abundância e o substrato mais utilizados pelos moluscos. No inverno, os moluscos predominaram na serrapilheira e as variáveis relacionadas à riqueza e abundância foram subbosque, dossel e umidade, sendo inversamente proporcionais a luz e temperatura

    Moluscos terrestres e a malacologia paranaense: histórico e importância no cenário nacional

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    Os moluscos terrestres são gastrópodos que formam um grupo bastante diversificado, com cerca de 700 espécies registradas para o Brasil, das quais 42 ocorrem no Paraná. O histórico da malacologia no estado está diretamente ligado à criação do Museu Paranaense, instituído em 25 de setembro de 1876. Desde seu surgimento até quase a metade do século XX, o acervo malacológico daquele museu era composto, basicamente, por conchas de moluscos marinhos obtidos em sambaquis. Apenas em 1940, o estudo dos gastrópodes terrestres ganhou destaque, com o trabalho realizado por Lange-de-Morretes. Autor dos principais estudos sobre malacologia no Paraná e do primeiro catálogo de moluscos do Brasil,publicado em 1949, Lange-de-Morretes organizou uma coleção com mais de 2.000 espécimes, provenientes de todas as regiões do estado. A morte precoce do pesquisador, em 1954, gerou uma estagnação da malacologia paranaense, e,atualmente, o conhecimento sobre os moluscos terrestres no Estado do Paraná permanece incipiente. Nesse sentido, muitos desses moluscos devem estar sendo extintos, antes de serem devidamente conhecidos, culminando em significativas perdas ambientais, econômicas e para a saúde humana

    DIAGNÓSTICO DA OCORRÊNCIA DO CARAMUJO GIGANTE AFRICANO Achatina fulica BOWDICH, 1822 NA APA DE GUARAQUEÇABA, PARANÁ, BRASIL.

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    O molusco exótico Achatina fulica é classificado como uma das piores espécies invasoras do mundo, sendo considerado sério problema ambiental, de saúde pública e econômico. A espécie ocorre associada a ambientes alterados, porém a sua presença em áreas de preservação, principalmente em ilhas, pode causar sérios danos ambientais, sendo urgentemente necessário o seu extermínio. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo diagnosticar a ocorrência do caramujo africano em Guaraqueçaba. Foi realizado um levantamento dos locais de ocorrência da espécie em diferentes comunidades e em Guaraqueçaba sendo caracterizado o sítio de ocorrência e feita a estimativa do tamanho da população. O caramujo ocorre em grandes quantidades na Ilha Rasa, Ilha das Peças e Superagui. Na cidade de Guaraqueçaba, foram coletados 3.507 animais em três dias de amostragem, o que possibilitou estimar que haja mais de 3.000 caramujos em toda área urbana. As características locais e o registro do conhecimento da população a respeito tanto do caramujo exótico quanto dos nativos, foram fundamentais para subsidiar uma proposta de manejo, que deve envolver a sensibilização da comunidade para o problema e a conscientização de que eles são os atores principais dessa ação

    Uma viagem pela história da Malacologia

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    O filo Mollusca constitui o segundo maior grupo zoológico conhecido pela ciência. Seus representantes conquistaram com êxito quase todos os ambientes naturais do planeta e são fundamentais para a manutenção do ecossistema em que estão inseridos. Os moluscos configuram entre os animais mais evidentes e intimamente relacionados à sociedade humana desde a pré-história até os dias atuais, sendo importantes como recurso econômico e vetores de doenças. A Malacologia, ciência que se ocupa do estudo sobre moluscos, têm avançado em nível global nas últimas décadas; porém, diante da diversidade e importância atribuída ao grupo, seu conhecimento pode ser considerado ainda incipiente. No Brasil não existe uma área prioritária para ser incrementada dentro da Malacologia e o recurso mais urgente para o desenvolvimento dessa ciência no país é a formação de pessoal especializado para manter e coordenar pesquisas e as coleções científicas

    Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil: Setting the baseline knowledge on the animal diversity in Brazil

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    The limited temporal completeness and taxonomic accuracy of species lists, made available in a traditional manner in scientific publications, has always represented a problem. These lists are invariably limited to a few taxonomic groups and do not represent up-to-date knowledge of all species and classifications. In this context, the Brazilian megadiverse fauna is no exception, and the Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB) (http://fauna.jbrj.gov.br/), made public in 2015, represents a database on biodiversity anchored on a list of valid and expertly recognized scientific names of animals in Brazil. The CTFB is updated in near real time by a team of more than 800 specialists. By January 1, 2024, the CTFB compiled 133,691 nominal species, with 125,138 that were considered valid. Most of the valid species were arthropods (82.3%, with more than 102,000 species) and chordates (7.69%, with over 11,000 species). These taxa were followed by a cluster composed of Mollusca (3,567 species), Platyhelminthes (2,292 species), Annelida (1,833 species), and Nematoda (1,447 species). All remaining groups had less than 1,000 species reported in Brazil, with Cnidaria (831 species), Porifera (628 species), Rotifera (606 species), and Bryozoa (520 species) representing those with more than 500 species. Analysis of the CTFB database can facilitate and direct efforts towards the discovery of new species in Brazil, but it is also fundamental in providing the best available list of valid nominal species to users, including those in science, health, conservation efforts, and any initiative involving animals. The importance of the CTFB is evidenced by the elevated number of citations in the scientific literature in diverse areas of biology, law, anthropology, education, forensic science, and veterinary science, among others

    Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil: setting the baseline knowledge on the animal diversity in Brazil

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    The limited temporal completeness and taxonomic accuracy of species lists, made available in a traditional manner in scientific publications, has always represented a problem. These lists are invariably limited to a few taxonomic groups and do not represent up-to-date knowledge of all species and classifications. In this context, the Brazilian megadiverse fauna is no exception, and the Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB) (http://fauna.jbrj.gov.br/), made public in 2015, represents a database on biodiversity anchored on a list of valid and expertly recognized scientific names of animals in Brazil. The CTFB is updated in near real time by a team of more than 800 specialists. By January 1, 2024, the CTFB compiled 133,691 nominal species, with 125,138 that were considered valid. Most of the valid species were arthropods (82.3%, with more than 102,000 species) and chordates (7.69%, with over 11,000 species). These taxa were followed by a cluster composed of Mollusca (3,567 species), Platyhelminthes (2,292 species), Annelida (1,833 species), and Nematoda (1,447 species). All remaining groups had less than 1,000 species reported in Brazil, with Cnidaria (831 species), Porifera (628 species), Rotifera (606 species), and Bryozoa (520 species) representing those with more than 500 species. Analysis of the CTFB database can facilitate and direct efforts towards the discovery of new species in Brazil, but it is also fundamental in providing the best available list of valid nominal species to users, including those in science, health, conservation efforts, and any initiative involving animals. The importance of the CTFB is evidenced by the elevated number of citations in the scientific literature in diverse areas of biology, law, anthropology, education, forensic science, and veterinary science, among others

    Especiação e seus mecanismos: histórico conceitual e avanços recentes

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