Caracterização dos comportamentos relacionados com a saúde oral numa população com paralisia cerebral

Abstract

Teses de mestrado, Medicina Dentária, Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina Dentária, 2012Os pacientes com Paralisia Cerebral (PC), pelas características da sua doença, apresentam dificuldades no desempenho de atividades da rotina diária, inclusive as de higiene oral e de alimentação. Objetivos: 1) Caracterizar uma população com PC relativamente aos comportamentos relacionados com a saúde oral; 2) Conhecer as barreiras destes pacientes no acesso aos cuidados de saúde oral. Metodologia: Estudo observacional e transversal, com aplicação de um questionário efetuado aos prestadores de cuidados dos pacientes com PC. Resultados: Foram incluídos no estudo 35 indivíduos. Para executar a sua higiene oral, 88% dos pacientes necessitava de ajuda. A maior parte dos pacientes escovava os dentes em casa (69%), duas ou mais vezes por dia (63%) com um dentífrico fluoretado (80%) e apenas 9% usava do fio dentário. O consumo de alimentos açucarados “às vezes” foi referido por 77% dos participantes e o consumo de bebidas açucaradas por 66%. A grande maioria (76%) não fazia medicação de forma frequente e 57% tinha uma alimentação sólida. As visitas ao dentista foram feitas regularmente para 63% dos inquiridos, sendo as principais razões da última visita a dor (35%), a consulta de rotina (31%) e presença de cárie (22%). As principais barreiras relativamente ao acesso às consultas de medicina dentária foram a dificuldade em encontrar um profissional experiente (38%), clínicas sem espaços adequados (21%) e motivos económicos (18%). Conclusões: A maioria dos pacientes com PC não tem autonomia para realizar a sua higiene oral, pelo que o prestador de cuidados do doente com PC é um elo essencial para a prevenção da saúde oral. Apesar de tudo, a rotina da higiene oral está implementada na maioria dos pacientes. Pela dificuldade em encontrar um profissional adequado, os programas curriculares de medicina dentária deveriam incluir uma abordagem não só teórica, mas também prática neste tipo de pacientes.Patients with Cerebral Palsy (CP), with theirs disease characteristics, have difficulty in performing daily living activities, including oral hygiene and feeding. Purpose: 1) Characterize a population with CP behavior with respect to oral health, 2) Knowing the barriers of these patients in the access to oral health care. Methodology: Observational and cross-sectional study, with application of a questionnaire made for caregivers of patients with CP. Results: This study included 35 individuals. To run their oral hygiene, 88% of the patients needed help. Most patients brushed their teeth at home (69%), two or more times per day (63%) with a fluoride toothpaste (80%) and only 9% used the floss. The consumption of sugary foods "sometimes" was reported by 77% of the participants and the consumption of sugary drinks by 66%. The vast majority (76%) had no medication frequently and 57% had a solid food. The visits were made to the dentist regularly for 63% of respondents, the main reason for last visit was pain (35%), the routine consultation (31%) and caries (22%). The main barriers for access to dental consultations were the difficulty in finding an experienced professional (38%), clinics without adequate spaces (21%) and economic reasons (18%). Conclusions: Most patients with CP don’t have autonomy to do their own oral hygiene, so the provider of the patient with CP is an essential link for the prevention of oral health. Nevertheless, the routine of oral hygiene is implemented in most patients. Because of the difficulty in finding an appropriate professional, the dental curriculum should include an approach not only theoretical but also practical in such patients

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This paper was published in Universidade de Lisboa: Repositório.UL.

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