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Boas de bola

By Caroline Soares de Almeida

Abstract

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2013O futebol, como prática esportiva, permaneceu quase que totalmente na esfera masculina até 1979, quando foi revogada a proibição imposta às mulheres logo no início da ditadura militar. Já na década seguinte, clubes de futebol de mulheres pipocaram de por todo país, entre eles, o Esporte Clube Radar fundado em 1981 no Rio de Janeiro. Com sede no bairro de Copacabana, o Radar representou durante a década de 1980 o principal clube do país: foi hexacampeão da Taça Brasil de Futebol Feminino, campeão do Torneio Brasileiro de Clubes em 1989, além de representar a Seleção Brasileira no mesmo ano em Campeonato Mundial. Esta dissertação tem como objetivo compreender, através de uma pesquisa etnográfica direcionada a essas jogadoras de futebol, como era ser futebolista na época. A partir da construção histórica de proibições desse esporte e do espaço de sociabilidade dado a tal modalidade feminina, procurarei identificar questões como: identidade de grupo; imagem criada em torno dessas atletas; perspectivas dentro do esporte; perspectivas sociais e financeiras, entre outras. Tais categorias são permeadas por estigmas que podem ser observados ainda hoje quando nos deparamos tanto com a memória social quanto com a realidade dessa classe de atletas na atualidade. Tendo em vista todas essas observações, concluo que ser jogadora de futebol na década de 1980 no Brasil representou muito mais que a luta pela consolidação do esporte, mas uma luta pela resistência das mulheres às normas paternalistas existentes no país <br>Football, as a sport, remained almost entirely in the male sphere until 1979 when the prohibition imposed to women was abolished at the beginning of military dictatorship. During the following decade, women#s football clubs sprung up across the country, among them, the Radar Sports Club, founded in 1981 in Rio de Janeiro. Based in Copacabana, Radar represented during the 1980s the main country club: it was six times champion of the Taça Brasil de Futebol Feminino, champion of Torneio Brasileiro de Clubes in 1989, besides representing the Brazilian National Team in the World Cup in the same year. The present work introduces an ethnographic study about the women-players in the 1980#s. From the historical construction of prohibitions in this sport, as well as the sociability space given to this #female# modality, I will identify issues such as group identity, image created around these athletes; prospects in the sport, social and financial perspectives, among others. These categories are permeated by stigmas that we can observe today when facing both the current social memory and reality of this class of athletes. Considering all these observations, I conclude that being a football player in the 1980s in Brazil represented much more than the struggle to consolidate the sport, but a fight for women's resistance to paternalistic standards in the country

Topics: Antropologia, Futebol feminino, Relações de gênero, Mulheres atletas
Year: 2013
OAI identifier: oai:agregador.ibict.br.RI_UFSC:oai:repositorio.ufsc.br:123456789/106921
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