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Um programa para aprimorar envolvimento paterno : impactos no desenvolvimento do filho

By Fabiana Cia

Abstract

Crianças que não possuem uma relação positiva, segura e afetuosa com o pai ou cujo pai usa práticas disciplinares rígidas, oferece supervisão inadequada e mantém baixa qualidade ou freqüência de interação com seu filho, possuem elevado risco de apresentar problemas no seu desenvolvimento socioemocional e de ter menor desempenho acadêmico. No entanto, a maioria dos homens tem pouco conhecimento da importância do seu envolvimento com seus filhos. Este estudo teve por objetivo principal avaliar uma intervenção que visava aprimorar o envolvimento do pai e estimular seu uso de práticas parentais favorecedoras de comportamentos próacadêmicos por parte dos filhos, comparando medidas obtidas antes e depois da intervenção e um ano depois (follow-up). Os objetivos específicos foram: (a) comparar alguns indicadores das condições de trabalho, do bem-estar pessoal e familiar, do envolvimento paterno e do repertório de habilidades sociais dos pais, nas fases do préteste, pós-teste e follow-up, entre o Grupo Experimental 1 (GE1 composto pelos pais que foram aleatoriamente selecionados para participar da intervenção), Grupo Experimental 2 (GE2 composto pelas mães que participaram da intervenção, com possibilidade de impactos indiretos sobre os pais) e o Grupo Controle (GC composto pelos demais pais interessados, mantidos num grupo de espera); (b) comparar o desempenho acadêmico, o autoconceito, os problemas de comportamento e o repertório de habilidades sociais das crianças, no pré-teste, no pós-teste e no follow-up, entre o GE1, GE2 e GC; (c) avaliar a força das correlações entre essas variáveis e (d) analisar a avaliação dos pais sobre os temas abordados e os procedimentos adotados na intervenção. Participaram deste estudo 97 pares de pais e mães (29 do GE1, 34 do GE2 e 34 do GC) no pré-teste e no pós-teste e 82 destes pares no follow-up (24 do GE1, 29 do GE2 e 27 do GC). Na época dos pré- e pós-testes, dados também foram coletados com 99 crianças, contando com dois pares de gêmeos (29 do GE1, 36 do GE2 e 34 do GC). Na época do pré-teste, estas crianças estavam com média de idade de oito anos, sendo que 78,8% estavam na 2 série e as demais na 1 série. Na época do follow-up, 84 destas crianças participaram novamente (24 do GE1, 31 do GE2 e 27 do GC). Além disso, no primeiro ano foram participantes desta pesquisa 20 professoras (85% com 3 grau completo), nas fases do pré-teste e pós-teste e um segundo conjunto de 12 professoras (todas com 3 grau completo) no follow-up, uma vez que as crianças haviam mudado de série entre o pós-teste e o follow-up. A coleta de dados ocorreu com crianças de três escolas públicas de ensino básico. Realizou-se a intervenção com os pais em 12 sessões, com encontros semanais de 90 a 120 minutos de duração, participando os pais do GE1 e as mães do GE2. Para responder aos objetivos: (a) os pais avaliaram suas condições de trabalho, seu bem-estar pessoal e familiar e seu repertório de habilidades sociais; (b) ambos os pais e seu filho avaliaram o grau de envolvimento paterno por parte dos pais; (c) as crianças foram avaliadas em relação ao seu desempenho acadêmico, autoconceito e repertório de habilidades sociais; (d) ambos os pais avaliaram os problemas de comportamento e o repertório de habilidades sociais de seus filhos; (e) as professoras avaliaram o desempenho acadêmico, os problemas de comportamento e o repertório de habilidades sociais das crianças e (f) os pais do GE1 e as mães do GE2 avaliaram o programa de intervenção. Para comparar os dados obtidos nos três momentos do estudo, para cada um dos três tipos de informantes (os pais, as crianças e as professoras), foram utilizados testes estatísticos (ANOVA, MANOVA); para verificar as relações bivariadas entre estas variáveis, usou-se correlações de Pearson. Em relação ao primeiro objetivo, ao comparar os resultados dos pré e póstestes, verificou-se que os pais do GE1 tiveram uma diminuição no nível de estresse e apontaram um menor número de comportamentos do filho que os desagradavam; os pais do GE1 e do GE2 apresentaram maior satisfação quanto ao desempenho no papel familiar, maior freqüência de comunicação com o filho, maior freqüência de participação nas atividades escolares, culturais e de lazer do filho, maior participação nas reuniões escolares do filho, maior freqüência de contato com a professora do filho e listaram um maior número de comportamentos do filho que os agradavam. No que diz respeito aos ganhos obtidos pelas crianças, ao comparar os resultados entre o pré e pósteste, verifica-se que as crianças do GE1 apresentaram: (a) melhores resultados no Teste de Desempenho Escolar (TDE) em relação ao sub-teste de leitura e à pontuação total, junto com avaliações melhores do seu desempenho acadêmico, por parte das professoras; (b) menor índice de problemas de comportamento internalizantes (segundo os pais, mas não as mães), externalizantes e total (segundo ambos os pais); (c) um repertório de habilidades sociais mais adequados em termos de Autocontrole (segundo as crianças e os pais) e Autodefesa (segundo as professoras) e (d) avaliações mais positivas por parte das professoras, em vários indicadores. De forma parecida, em comparação com o pré-teste, no pós-teste, as crianças do GE2 apresentaram: (a) melhores resultados no Teste de Desempenho Escolar (TDE) em relação ao sub-teste de leitura e à pontuação total, junto com avaliações melhores do seu desempenho acadêmico, por parte das professoras; (b) menor índice de problemas de comportamento externalizantes e total (segundo ambos os pais); (c) um repertório de habilidades sociais mais adequados em termos de Cooperação e Autocontrole (segundo os pais), Asserção de enfrentamento (segundo as mães) e Cooperação com pares (segundo as professoras) e (d) avaliações mais positivas por parte das professoras, em vários indicadores. A maioria dos ganhos adquiridos pelos pais e pelas crianças, após o programa de intervenção, se mantiveram ou aumentaram mais ainda na fase de follow-up, com exceção da avaliação das crianças, quanto ao próprio repertório de habilidades sociais, no fator Autocontrole, em que houve uma queda significativa de repertório entre as fases de pós-teste e follow-up. Respondendo ao terceiro objetivo, o envolvimento paterno estava significativamente correlacionado com o desempenho acadêmico, o autoconceito, os problemas de comportamento externalizantes e o repertório de habilidades sociais das crianças e as medidas envolvendo as crianças estavam correlacionadas entre si. Por fim, de modo geral, o programa de intervenção ajudou os pais (GE1) e as mães (GE2) na educação dos filhos. Por exemplo, alguns (22,2%) comentaram que passaram a tratar com mais facilidade os problemas enfrentados na educação dos filhos e outros (19%) estavam lidando melhor com os problemas de comportamento dos filhos, ocorrendo em casa ou na escola. Os pais atribuíram várias contribuições importantes ao grupo de intervenção: 27% deles mudaram a maneira de educar o filho, 19% passaram a respeitar mais as opiniões do filho e 15,9% apontaram que o filho estava sendo mais obediente. Quanto ao aprendizado de novas habilidades socioeducativas, 31,7% comentaram que aprenderam a importância de respeitar a opinião do filho e 30,2% que aprenderam a impor limites aos seus filhos. Esses dados mostram a importância de realizar intervenções educativas para maximizar o envolvimento parental e, conseqüentemente, melhorar o desenvolvimento socioemocional e comportamento dos alunos em sala de aula.Children who do not have a positive, secure and affectionate relationship with their fathers, or whose fathers use rigid disciplinary practices, provide inadequate supervision and have infrequent or poor quality interactions with their children, are at greater risk for developing socio-emotional problems and for remaining at lower levels of academic achievement. However, the majority of fathers have little understanding of the importance of their involvement with their children. As such, the primary objective of this study was to evaluate a program designed to improve father involvement and to stimulate the use of parenting practices that foster childrens pro-academic behaviors, using measures obtained before and after the intervention as well as one year later (follow-up). The specific objectives included: (a) the comparison of indicators of work conditions, personal and family wellbeing, father involvement and the parents social skills on the pre, post and follow-up tests among the Experimental Group 1 (EG1 composed of fathers who were randomly selected to participate in the intervention program), Experimental Group 2 (EG2 composed of randomly selected mothers who participated in the intervention program) and a Control Group (the remaining, waitlisted parents); (b) comparison of the academic achievement, self concept, behavior problems and social skills of their children at the time of the pre, post and follow-up tests, for those in the EG1, EG2 and CG; (c) examination of the strength of the correlations among these variables, and (d) analysis of parent evaluations of the topics that were addressed and the procedures used in the intervention program. At the times of the pre and post-tests, parent participants included 97 father-mother pairs (29 in the EG1, 34 in the EG2 and 34 in the CG) and 82 of these father-mother pairs at the time of the follow-up tests (24 in the EG1, 29 in the EG2 and 27 in the CG). At the time of the pre and post-tests, data were also obtained from 99 children (there were two sets of twins) 29 from the EG1, 36 from the EG2 and 34 from the CG. At the time of the pretest, these children were eight years old, on average, and 78,8% of them were in Grade 2 while the others were in Grade 1. At the time of the follow-up tests, 84 of these children were re-evaluated (24 from the EG1, 31 from the EG2 and 27 from the CG). In addition, in the first year of the study, 20 teachers (85% of whom had completed university studies) participated in the pre and pos-test phases and a second set of 12 teachers (all of whom had completed university studies) participated in the follow-up phase, given that the children had advanced to the next grade between the post-test and the follow-up. Data were collected with children from three different, public elementary-schools. The intervention program was conducted with the parents during 12 weekly sessions that were 90 120 minutes long, with the GE1 fathers and GE2 mothers. To address the objectives of this study: (a) the parents evaluated their work conditions, their personal and family wellbeing and their social skills repertoire; (b) both parents and their child evaluated the fathers level of involvement as a parent; (c) the childrens academic achievement, self concept and social skills were assessed; (d) both parents evaluated their childs behavior problems and social skills repertoire; (e) the teachers evaluated the childrens academic achievement, behavior problems and social skills, and (f) the fathers from the EG1 and the mothers from the EG2 evaluated the intervention program. Statistical testes (ANOVA and MANOVA) were used to compare the data obtained in the three different phases of the study, for each of the three different types of informants (parents, children and teachers). Pearson correlations were used to examine the bivariate relationships among these variables. With respect to the first objective, comparisons of the results on the pre and post-intervention tests revealed that the fathers in the EG1 were significantly less stressed and there was a significant decrease in the number of disagreeable behaviors that their children presented; both the GE1 and GE2 fathers presented greater satisfaction with respect to their family-role performance, higher frequency of communication with their child, greater frequency of participation in school, cultural and leisure activities with their child, greater participation in school meetings concerning their child, more frequent contact with their childs teacher and listed a greater number of their childs behaviors that pleased them. In terms of the childrens gains, a comparison of the pre and post-test results indicate that children in the EG1 presented: (a) higher scores on the Academic Achievement Test (AAT) with respect to the reading sub-test and their overall score, along with higher teacher evaluations of their academic performance; (b) a lower number of internalizing behavior problems (according to their fathers), externalizing and total problems (according to both parents); (c) social skills that were more adequate with respect to self control (for both self and father ratings) and self defense (according to the teachers), and (d) more positive teacher evaluations, across various indicators. Similarly, in comparison with the pre-test, on the post-test, children in the EG2 presented: (a) higher scores on the Academic Achievement Test (AAT) with respect to the reading sub-test and their overall score, along with higher teacher evaluations of their academic performance; (b) a lower number of externalizing and total problems (according to both parents); (c) social skills that were more adequate with respect to Cooperativeness and Self control (according to their fathers) Assertiveness in their coping strategies (according to their mothers), and Cooperation with peers (according to the teachers), and (d) more positive teacher evaluations, across various indicators. The majority of the gains obtained by the fathers and their children by the end of the intervention program were maintained or further improved at the time of the follow-up tests, with the exception of the childrens self-evaluations of their social skills on the Self control factor, for which there was a significant decline between the post-test and follow-up test. With respect to the third objective, father involvement was significantly correlated with the childrens academic performance, self concept, externalizing behavior problems and social skills, and measures involving the children were significantly inter-correlated. Finally, in general, the intervention program helped the fathers (EG1) and mothers (EG2) in bringing up their children. For example, some parents (22,2%) commented that it became easier for them to deal with the difficulties of parenting, while others (19%) were better able to handle their childrens behavior problems, occurring either at home or at school. The parents attributed various important contributions to the intervention program: 27% changed their parenting behaviors, 19% were giving greater importance to their childs opinions and 15.9% commented that their child was more obedient. With respect to the parents acquisition of new social educational skills, 31.7% said that they learned about the importance of respecting their childs opinion and 30.2% said that they learned to set limits for their children. These results indicate the importance of educational interventions for maximizing parental involvement and, as a consequence, improving their childrens social emotional development and classroom behavior

Topics: Educação especial, Programa de intervenção, Educação - participação dos pais, Desempenho acadêmico, Problemas de comportamento, Desenvolvimento emocional, Autoconceito, EDUCACAO ESPECIAL, Intervention, Father involvement, Self concept, Academic achievement, Behavior problems, EDUCACAO ESPECIAL
Publisher: Universidade Federal de São Carlos
Year: 2009
OAI identifier: oai:agregador.ibict.br.BDTD_UFSCAR:oai:ufscar.br:2240
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