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Avaliações químicas, nutricionais e microbiológicas das silagens de bagaço de laranja e de milho

By Andréa Pereira Pinto

Abstract

Este trabalho teve como objetivo avaliar as características químicas, nutricionais e microbiológicas, os parâmetros de fermentação e a estabilidade aeróbica das silagens de bagaço de laranja (SBL) e de milho (SM). Foram confeccionados minisilos experimentais de bagaço de laranja e de milho. No primeiro experimento, analisou-se os diferentes tempos de abertura dos silos. Determinou-se: pH, ácido lático (AL), nitrogênio amoniacal (NNH3), capacidade tampão (CATP), matéria seca (MS), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), cinzas (CIN) para cálculo de matéria orgânica (MO), fibra em detergente neutro (FDN), carboidratos totais (CHOT), cálcio e digestibilidade in vitro (DIV). O teor médio de MS da SBL foi de 26,53%. A proteína bruta não diferiu entre as SBL e SM (7,14 e 7,34%, respectivamente). A SBL apresentou maior capacidade tampão do que a silagem de milho (média respectiva de 72,53 e 47,75 n.e.mg/100g MS) e maior produção de ácido lático (média respectiva de 4,40 e 2,94%). Os teores de MS, PB, NNH3 e CHOT da silagem de bagaço de laranja não foram influenciados pelos tempos de abertura dos silos. A média de pH das SBL e SM foram respectivamente 3,44 e 3,84. A silagem de bagaço de laranja apresentou maior DIVMS (96,34%), DIVPB (96,87%) e DIVFDN (97,75%), quando comparado à silagem de milho (69,28%, 62,38% e 76,69% respectivamente). No segundo experimento foram feitas as mesmas determinações, alterando-se os tratamentos, onde avaliou-se o uso ou não de inoculante microbiano e/ou enzimático e ácido acético e propiônico. A SBL apresentou maior teor de MS para a silagem controle (26,04%) e a SM para o tratamento com inoculante enzimático (36,23%). A proteína bruta da silagem de bagaço de laranja (7,38%) diferiu da silagem de milho (7,20%), sendo que o teor de NNH3 em porcentagem do nitrogênio total, foi maior para a SBL (5,35%). As silagens apresentaram pH variando de 3,45 a 3,77. A SBL apresentou maior capacidade tampão (73,82 a 80,39 n.e.mg HCl/100g MS) e maior teor de ácido latico (4,24 a 5,82%) do que a SM (42,43 a 50,92 n.e.mg HCl/100g MS e 1,97 a 2,53%, respectivamente). A SBL apresentou maior digestibilidade in vitro da MS, parede celular e PB do que a silagem de milho, em todos os tratamentos, havendo efeito dos aditivos somente na digestibilidade da silagem de milho. No terceiro experimento avaliou-se a estabilidade aeróbica, contagem microbiana e a presença de patulina e fumonisina, utilizando-se os mesmos inoculantes. O pico de temperatura diferiu entre as SBL e SM em todos os tratamentos, exceto para as silagens com inoculante enzimático. Nos demais tratamentos, a SM apresentou menor pico de temperatura (31,2 a 34,7ºC) e maior tempo para atingir o pico de temperatura (99 a 114h). A SBL com inoculante enzimático demorou mais tempo para atingir o pico de temperatura (104h), apresentando melhor estabilidade aeróbica (65h). A SBL tratada com aditivo microbiano/enzimático, que obteve menor estabilidade aeróbica (43h), apresentou maior média de contagem de leveduras (3,76 log UFC/g). A SBL sem inoculante apresentou menor contagem de leveduras durante as 96h de exposição ao ar. De maneira geral, a SBL apresentou médias menores do que a SM para contagem de leveduras em todos os tratamentos. Não foi detectado presença de fungos e micotoxinas. No quarto experimento, avaliou-se as silagens com diferentes aditivos protéicos, realizando-se as mesmas determinações do primeiro experimento. Os aditivos protéicos aumentaram (P<0,05) os teores de MS das silagens sendo que a SBL e SM adicionados de farelo de girassol (28,38%) e esterco de poedeira (43,50%) apresentaram os maiores teores de MS, respectivamente. A matéria orgânica da SBL, com exceção da silagem com uréia, foi superior à SM. O pH das silagens variou de 3,41 a 4,09, sendo que o maior pH observado foi com esterco de poedeira (3,73 e 4,09, respectivamente para SBL e SM). A CATP variou de 66,44 a 90,07 n.e.mg HCl/100g MS para SBL e de 42,43 a 69,43 n.e.mg HCl/100g MS para SM. Os teores de AL nas SBL (4,17 a 5,68%) foram muito superiores ao da SM (1,97 a 3,41%). A SBL apresentou maior digestibilidade in vitro da matéria seca, parede celular e proteína bruta quando comparada à SM em todos os tratamentos. No quinto experimento, fez-se as mesmas avaliações do terceiro experimento, nas silagens com diferentes aditivos protéicos. O menor pico de temperatura na SBL foi observado para a silagem com esterco de poedeira (28,93ºC), seguido da silagem com farelo de algodão (35,70ºC). Na SM o maior e o menor pico de temperatura foi observado, respectivamente, para a silagem com farelo de soja (36,53ºC) e com esterco de poedeira (27,03ºC). A estabilidade aeróbica não diferiu entre as silagens controle, sendo superior nos outros tratamentos para a SM quando comparada com a SBL, exceto nas silagens com farelo de soja. Na SBL, somente o esterco de poedeira melhorou a estabilidade aeróbica da silagem (84h), e na SM, todos os aditivos, com exceção do farelo de soja, melhoraram a estabilidade aeróbica. A SBL em todos os tratamentos, apresentou menor média de contagem de leveduras quando comparada com a SM. A contagem de bactérias aumentou na SBL com farelo de algodão e com farelo de girassol e na SM com farelo de soja. Não foi detectado presença de fungos nem de micotoxinas. Conclui-se que o bagaço de laranja pode ser bem conservado na forma de silagem sem necessidade do uso de inoculantes ácidos, microbianos e/ou enzimáticos na sua conservação. A silagem de bagaço de laranja apresenta boas características químicas, nutricionais e microbiológicas e bom padrão de fermentação, podendo ser aberta a partir de 10 dias de ensilagem, sendo uma boa alternativa de alimento durante os períodos de escassez de forragens.This work had as objective to evaluate the chemical, nutritional and microbiological characteristics, the fermentation parameters and the aerobic stability of the orange pulp silage (OPS) and corn silage (CS). Experimental mini-silos of orange pulp and corn were prepared. In the first experiment, the different opening times of the silos were analysed. They were determined: pH, lactic acid (LA), ammonia-N (NH3-N), buffering capacity (BC), dry matter (DM), crude protein (CP), ether extract (EE), ashes for calculation of organic matter (OM), neutral detergent fiber (NDF), total carbohydrates (TC), calcium (Ca) and in vitro digestibility (IVD). The DM average of OPS was 26.53%. The crude protein did not differ between OPS and CS (7.14 and 7.34%, respectively). The OPS present higher buffering capacity than the CS (average of 72.53 and 47.75 meq HCl/100g of DM, respectively), and higher lactic acid production (average of 4.40 and 2.94%, respectively). The DM, CP, NH3-N and TC of the orange pulp silage were not influenced by the opening times of the silos. The pH averages of OPS and CS were 3.44 and 3.84, respectively. The orange pulp silage presented higher DMIVD (96.34%), CPIVD (96.87%) and NDFIVD (97.75%), when compared to the corn silage (69.28%, 62.38% and 76.69%, respectively). In the second experiment the same determination were accomplished in the silages with or without microbial and/or enzymatic inoculant and acetic or propionic acid. The OPS presented high DM content for control silage (26.04%) and the CS for treatment with enzymatic inoculant (36.23%). The OPS presented higher crude protein content (7.38%) when compared with CS (7.20%), and the NH3-N was highest for OPS (5.35%). The silages presented pH varying from 3.45 to 3.77. The OPS presented higher buffering capacity averages (73.82 to 80.39 meq HCl/100g of DM) and higher lactic acid average (4.24 to 5.82%) when compared with CS (42.43 to 50.92 meq HCl/100g of DM and 1.97 to 2.53%, respectively). The OPS presented higher DM, cellular wall and CP in vitro digestibility when compared with CS in all treatments, having effect of additives only on corn silage digestibility. In the third experiment, aerobic stability, microbial count and patulin and fumonisin presence was evaluated using the same inoculants. The temperature peak differed between OPS and CS in all treatments, except for silage with enzymatic inoculant. In the other treatments, the CS presented the lowest temperature peak (31.2 to 34.7ºC) and highest time to reach the temperature peak (99 to 114h). The OPS with enzymatic inoculant delayed more time to reach the temperature peak (104h), presenting better aerobic stability (65h). The OPS with microbial and enzymatic additive, had lowest aerobic stability (43h), and presented higher yeast count average (3.76 log CFU/g). The OPS without inoculant presented lowest yeasts count during 96h of air exposure period. In general way, OPS presented lower averages than CS for yeasts count in all treatments. Presence of molds and mycotoxin was not detected. In the fourth experiment, it was evaluated the silages with different protein additives, the same determination of the first experiment were accomplished. The protein additives increased (P<0.05) the DM averages of the silages, being that the OPS and CS added of sunflower meal (28.38%) and poultry waste (43.50%), presented the highest DM values, respectively. The organic matter of OPS, except for the silage with urea, was superior to CS. The pH of silages varied from 3.41 to 4.09, and the highest pH observed in the two silages was with poultry waste (3.73 and 4.09, respectively for OPS and CS). BC varied from 66.44 to 90.07 meq HCl/100g of DM for OPS and from 42.43 to 69.43 meq HCl/100g of DM for CS. The LA content in OPS (4.17 to 5.68%) were very superior to the CS (1.97 to 3.41%). The orange pulp silage presented higher in vitro digestibility of dry matter, cellular wall and crude protein when compared to the corn silage in all treatments. In the fifth experiment, the same determinations of the third experiment were accomplished, in the silages with different protein additives. The lowest temperature peak in the OPS was observed for the silage with poultry waste (28.93ºC), followed by silage with cotton seed meal (35.70ºC). In the CS the highest and the lowest temperature peak was observed, respectively, for the silage with soybean meal (36.53ºC) and poultry waste (27.03ºC). The aerobic stability did not differ among the control silages, being superior in the other treatments for CS when compared with OPS, except in the silage with soybean meal. In the OPS, only poultry waste improved the aerobic stability (84h), and in the CS, all additives, except for the soybean meal, improved the aerobic stability. All treatments of orange pulp silage, presented lowest yeasts count averages when compared with corn silage. The bacteria count increased in the OPS with cotton seed meal and sunflower meal and in the CS with soybean meal. Presence of molds and mycotoxin was not detected. It can be concluded that the orange pulp can be conserved in silage form, without need of acid, microbial and/or enzymatic inoculant use. The orange pulp silage presented good chemical, nutritional and microbiological characteristics and good fermentation pattern, being able to be opened starting from 10 days of ensilage, being a good alternative to be used during the periods of food privation

Topics: Milho - Silagem, Bagaço de laranja - Silagem, Nutrição animal, Microbiologia, Animal nutrition, Corn - Silage
Publisher: Universidade Estadual de Londrina. Centro de Ciências Agrárias. Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal.
Year: 2006
OAI identifier: oai:agregador.ibict.br.BDTD_UEL:oai:uel.br:vtls000119602
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