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Os medos e os processos de segregação sócio-espacial na cidade de Brasília

Abstract

Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Sociologia, 2010.Esta pesquisa apresenta uma análise dos medos urbanos entre moradores do Plano Piloto (Brasília), a partir de uma abordagem que conjuga o foco da sociologia urbana com uma perspectiva de análise afinada com a sociologia psicológica de Bernard Lahire. Objetivamos saber como os medos se articulam a um padrão de comportamento e interação social e como formas de classificação reiteram a segregação sócio-espacial. A partir de entrevistas semi-estruturadas, buscamos captar sensações, valores e práticas, seguindo a lógica de classificação dos entrevistados para os quais o espaço urbano de todo Distrito Federal oferece o quadrante para julgamentos classificatórios. A partir desta pesquisa percebemos como a vivência dos indivíduos no espaço urbano participa da configuração dos medos urbanos. Os indivíduos elaboram, no plano das representações, uma cartografia dos medos urbanos e figuras de perigo materializadas e personificadas. Observamos que a utilização dos espaços públicos do Plano Piloto pelos indivíduos de cidades-satélites é vista como uma “invasão” indesejada. O espaço urbano do Plano Piloto é marcado por premeditação, planejamento, organização, normatização, homogeneidade social. Essas características ensejam afetos ambivalentes nos indivíduos. Ao mesmo tempo em que os brasilienses do Plano questionam a falta de mudança no espaço físico da cidade, defendem a permanência de um espaço socialmente homogêneo. Este discurso tende a corroborar a utopia arquitetônica de Le Corbusier (planejamento, ordem e estabilidade) presente no projeto de Lucio Costa. Frequentemente, os discursos dos entrevistados salientam a proposta original do Plano Piloto enquanto uma cidade administrativa que “foi feita para o funcionário”. Essa definição singular desse espaço garante-lhes marcas de distinção que os caracterizam: “ter alto salário”, “ser funcionário público”, “morar em áreas nobres” e “ter acesso a altos padrões urbanísticos”. Esta pesquisa evidenciou que a cidade é vista como espaço que incita medos e, ao mesmo tempo, corrompe os indivíduos. Os moradores do Plano evocam um ideal de vida segura relacionada à fazenda e ao campo definidos por eles como espaços que incitam sensações de segurança em contraposição aos espaços da cidade vistos como espaços de medos. _________________________________________________________________________________ ABSTRACTThis research presents an analysis of urban fears among residents of Plano Piloto Brasília), departing from the approach that combines the focus of urban sociology with a perspective of analysis of psychological sociology of Bernard Lahire. The aim is to understand how the sensations of fears are linked to patterns of behavior and social interaction, and how patterns of classifications express and legitimize the social and territorial segregation in Federal District. We used as research procedures interviews semistructured in order to apprehend sensations, values, behaviors, and practices based on discourses of individuals that live in Brasilia City. We try to follow the logic of classification which is grounded on the frame of urban spaces. Based on this research, we realized how individual experiences of urban spaces configure urban fears. On the realm of representations, the individuals create a cartography of urban fears and images of danger embodied. We observed that the use of city by individuals from satellite-cities is interpreted as an unwanted “intrusion”. The urban space of Brasília is characterized by premeditation, planning, organization, normalization, and social homogeneity. These attributes arouse ambivalent affections. The individuals disprove the absence of change in the urban space, although they also wish safeguard the space socially homogeneous. Their speech tends to corroborate the architectural utopia of Le Corbusier (planning, order and stability) that inspired the project of Lucio Costa. Very often, the discourses emphasize the original proposal of Plano Piloto as a place constructed for government employees. This idea assures signs of distinction that particularize the residents of Plano Piloto: “to have high wage”, “to be government employees”, “to live in prime districts” and “to have access to urban spaces of high standard”. The city is represented as a space that provokes fears and corrupts individuals. The residents of Plano evoke an ideal of safe life related to farm defined as space of safety as opposed to urban spaces seen as spaces of fears

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