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Atenção, memória emocional explícita e implícita em idosos portugueses

By Tânia Elisabete Jerónimo Prata

Abstract

O estudo dos processos cognitivos no curso do envelhecimento humano tem sido alvo de pesquisa por parte de vários investigadores. Em constante interacção com os processos cognitivos encontra-se a emoção. A prevalência de sintomatologia depressiva em pessoas idosas parece ser um fenómeno culturalmente transversal, considerando-se, a depressão, portanto uma das perturbações psicopatológicas de maior complexidade na terceira idade. Perante o acentuado envelhecimento da população torna-se cada vez mais importante gerar um maior conhecimento científico nesta área, e como tal, neste estudo, procuramos avaliar a atenção e a memória explícita e implícita perante estímulos emocionais em idosos portugueses, deprimidos e não deprimidos. Para tal, houve a necessidade de serem realizados dois estudos transversais. No primeiro estudo propusemo-nos construir a tarefa stroop emocional, prova que tem como finalidade medir a interferência atencional perante palavras emocionais em idosos portugueses. No segundo estudo optámos por construir um protocolo de investigação composto por várias provas que, por um lado, permitem-nos avaliar a memória explícita (prova de reconhecimento de palavras) e implícita (prova de completamento de bigramas e de identificação de imagens fragmentadas), e por outro, permitem-nos caracterizar a nossa amostra e servem como tarefas distractoras entre as principais provas de memória (Mini Mental State Examination (MMSE), Questionário de Estado de Saúde (SF-36), Escala de Depressão Geriátrica (GDS) e Ficha de Dados Gerais). Como estímulos foram utilizados palavras e imagens emocionais e neutras. Participaram no estudo 200 idosos com idades compreendidas entre 60 e os 88 anos (M=67.7; DP=6.9), sendo 134 (67%) do género feminino e 66 (33%) do género masculino, da região da Beira Interior. Cento e trinta dos participantes (65%) não apresentaram depressão, ao passo que 70 (35%) apresentaram depressão ligeira e grave. Todos os participantes sabiam ler e escrever, sendo que maioritariamente possuíam o 1º e 3º ciclo de escolaridade e Bacharelato (inclui os antigos cursos médios), 35.5%, 18.5% e 20%, respectivamente. Os resultados obtidos indicam ausência do efeito de interferência stroop emocional em idosos portugueses. Especificamente, quando estudado o grupo dos idosos deprimidos e não deprimidos constatou-se a existência de diferenças estatisticamente significativas em qualquer uma das três lâminas da tarefa stroop emocional (Lâmina 1: t (198) = 4.094, p < .01; Lâmina 2: t (198) = 3.549, p < .001; Lâmina 3: t (198) = 3.739, p < .001), sendo essa diferença mais significativa nas lâminas 2 e 3, o que nos permite dizer que os idosos deprimidos nomeiam menos cores de palavras do que os idosos não deprimidos e, por isso experienciam o efeito de interferência stroop emocional. Nesta amostra, com o avanço na idade em termos mnésicos não se verifica uma deterioração da memória explícita nem da memória implícita, pois não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os três grupos de idade na prova de reconhecimento de palavras (Palavras-emoções: F (2, 197) = .176, p = .839; Palavras-envelhecimento: F (2, 197) = .241, p = .786; Total acertos: F (2, 197) = .213, p =.808), nem na prova de completamento de bigramas (Palavras-emoções: F (2, 197) = .271, p = .763; Palavras-envelhecimento: F (2, 197) = 1.263, p = .285; Total acertos1: F (2, 197) = .806, p = .448). Os resultados indicam ainda a não existência de diferenças estatisticamente significativas quando estudados os grupos dos idosos deprimidos e não deprimidos, quer na prova de memória explícita, quer na prova de memória implícita, o que nos permite dizer que a presença de estímulos emocionais não contribui para um melhor o desempenho em ambas as provas, e por isso, não se verificou o efeito de congruência de humor. Ainda respeitante à memória implícita, quando utilizada a prova de identificação de imagens fragmentadas verificou-se que os participantes necessitam de um menor número de click´s para evocarem com sucesso as imagens anteriormente observadas (M= 29.58), comparativamente com as imagens não-observadas, (M= 31.21). À medida que a idade avança as diferenças encontradas entre os três grupos de idade são estatisticamente significativas (Série 1: F (2, 197) = 7.508, p < .01; Série 2: F (2, 197) = 3.696, p < .05), logo necessitam os participantes do grupo dos “velhos-velhos” de um maior número de click´s para evocarem com sucesso as imagens anteriormente observadas (M= 33.9) e não-observadas (M= 33.2) comparativamente com o grupo dos “velhos jovens”. Estes resultados sugerem que existe um ligeiro declínio na nossa amostra ao nível do priming perceptivo. Por fim, é de referir que comprovamos a existência do efeito facilitador priming em ambas as provas de memória implícita. Os resultados obtidos nesta pesquisa vão de encontro aos numerosos estudos teóricos e empíricos confirmando a existência de uma relação entre os três processos, atenção, memória e emoção em idosos portugueses

Topics: Atenção - Idoso - Portugal, Memória - Idoso - Portugal, Emoção - Idoso - Portugal, Envelhecimento - Portugal, Domínio/Área Científica::Ciências Sociais::Psicologia
Year: 2013
OAI identifier: oai:ubibliorum.ubi.pt:10400.6/3976
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