Consumo de antiepilépticos : estudo populacional na Ilha do Pico : experiência profissionalizante na vertente de farmácia comunitária e investigação

Abstract

Após os conhecimentos científicos adquiridos durante os cinco anos na faculdade torna-se fundamental a aplicação dos mesmos na prática diária. Como tal, na primeira parte deste trabalho realizou-se um estágio na Farmácia Melo que teve como objectivo observar todas as vertentes existentes neste ramo. Assim, foram adquiridos conhecimentos no âmbito da organização da farmácia, informação e documentação científica e na área da contabilidade e gestão. Foram também abordadas todas as informações respeitantes aos medicamentos e outros produtos de saúde. Num campo mais direccionado para o utente, aprendeu-se a dominar os princípios e as técnicas que permitem a recolha e transmissão da informação necessária para conciliar as necessidades e expectativas do utente com a promoção do uso racional do medicamento. Foram adquiridos conhecimentos acerca de outros cuidados de saúde prestados na farmácia, como foi o caso das medições de diferentes parâmetros bioquímicos. No entanto, e uma vez que não devemos estagnar o nosso conhecimento, outra vertente não menos importante, que constituiu a segunda parte deste trabalho, foi a realização da parte de investigação. A abordagem do doente epiléptico requer uma atenção especial, não só pelo diagnóstico controverso como pelo posterior acompanhamento. Este trabalho teve como objectivo abordar algumas das temáticas a considerar neste tipo de doentes: quando iniciar e retirar a medicação, o tratamento de mulheres com epilepsia, efeitos adversos e interacções destes fármacos e o seu risco de suicídio. Para isso efectuou-se um estudo populacional na ilha do Pico em que a recolha da informação foi efectuada através de inquéritos realizados aos doentes epilépticos que se dirigiam à farmácia. Foram realizados 40 inquéritos em aproximadamente dois meses, estes permitiram analisar: dados demográficos, a fase de diagnóstico da doença, casos de desmame do fármaco, farmacoterapia antiepiléptica e adicional, existência de sintomas secundários e de sensações depressivas. No caso das mulheres, a incidência de crises durante o período menstrual, ocorrência de fracturas. Para as situações em que há ou houve gravidez, a incidência das crises nesta altura, possíveis complicações durante esta fase, malformações no feto e o facto de se ter ou não verificado hereditariedade da doença. Os casos estudados envolveram 53% doentes do sexo masculino e 47% do sexo feminino com uma média de idades de 36, 0 anos. As fases de criança e jovem foram as que registaram um maior diagnóstico da doença (60%). No entanto a maioria das pessoas ainda não iniciou o desmame da medicação (77%). O fármaco mais consumido, em termos de nome comercial, foi o tegretol® (28%) e em termos de princípio activo o dominante foi o valproato de sódio (35,8%). Em relação ao mecanismo de acção farmacológico o que obteve maior prevalência foi a inibição dos canais de Na+. Na temática dos efeitos adversos, 45% das pessoas experimentaram estes sintomas. Sendo que, os mais descritos foram as cefaleias (15,8%). Em relação à medicação concomitante, 45% dos doentes tomam medicação para outros fins, em que a predominante são antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos. No que diz respeito à relação entre os antiepilépticos e o risco de suicídio verificou-se que 81% das pessoas relataram sintomas depressivos. Quanto às mulheres com epilepsia apenas 8% descreveram uma incidência de crises no período menstrual e a ocorrência de fracturas apenas se verificou em 20% das mulheres. No período da gravidez não existiram relatos de crises nem nenhum tipo de complicações. Não houve registos de teratogenicidade e a transmissão da doença apenas se registou num dos casos

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This paper was published in UBibliorum repositorio digital da ubi.

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