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Importância epidemiológica de alguns animais silvestres na esquistossomose mansônica Epidemiologic importance of some wild rodents in the schistosomiasis mansoni

By Urara Kawazoe and Antonio Carlos Mattos Pinto

Abstract

Com o intuito de averiguar a importância de alguns roedores como possíveis reservatórios do S. mansoni, na ausência do homem parasitado, foi realizada pesquisa, visando contribuir para o esclarecimento de aspectos ligados à cadeia epidemiológica da esquistossomose, bem como conhecer alguns parâmetros da biologia de certos roedores, em seu habitat semi-natural. O experimento foi realizado num viveiro de 952 m², no município de Taubaté, São Paulo (Brasil), numa área endêmica de esquistossomose mansônica humana, e teve a duração de três anos e seis meses (agosto de 1973 a dezembro de 1976). Foram utilizados como hospedeiros definitivos, Holochilus brasiliensis leucogaster, Zygodontomys lasiurus, Oryzomys nigripes eliurus e Cavia aperea aperea; como hospeideiro intermediário, Biomphalaria tenagophila e posteriormente B. glabrata. Entre agosto de 1973 e janeiro de 1976, não houve encontro de B. tenagophila eliminando cercárias de S. mansoni; não se verificou, também, infecção natural de roedores. Em agosto de 1975, houve introdução acidental de desovas da B. glabrata, cujos adultos, em 1976, apresentaram infecção por S. mansoni em três ocasiões, com índices de 2,0; 1,6 e 0,8%. No mesmo ano de 1976, dois Holochilus, nascidos no Viveiro, eliminaram ovos viáveis de S. mansoni. Foi possível obter dados de 41 H. b. leucogaster, 28 introduzidos e 14 nascidos no local. O exemplar que sobreviveu mais tempo completou 346 dias. Os animais nascidos no Viveiro e capturados pela primeira vez pesavam, em média, 20 a 50 g. Notou-se que o peso corporal aumentou com o tempo e parece não estacionar até a morte do animal. Z. lasiurus e C. a aperea não procriaram e nem adquiriram infecção ao S. mansoni. O. n. eliurus, procriou e permaneceu vivo, em média, menos de 100 dias; não foi observada eliminação de ovos do parasita. É pouco provável que H. b. leucogaster e B. tenagophila mantenham o ciclo da esquistossomose na ausência da contaminação humana, na natureza. Porém, é possível que, futuramente, H. b. leucogaster na presença de B. glabrata, possa servir de reservatório da esquistossomose, na natureza, quando encontrados em abundância e desde que adaptados com cepas adequadas do parasita.<br>The importance of some wild rodents as possible reservoir hosts of S. mansoni related to the epidemiologic chain of this parasite and some biological aspects of these rodents were studied in semi-natural habitats. The experiment was performed in an enclosed area of about 1,000 m² situated in Taubaté, State of S. Paulo, one of the endemic area of human schistosomiasis, during a period of three years and six months (from August 1973 to December 1976). Wild rodents of the following species were used as definitive hosts: Holochilus brasiliensis leucogaster, Zygodontomys lasiurus, Oryzomys nigripes eliurus and Cavia aperea aperea. Biomphalaria tenagophila and B. glabrata were used as intermediate hosts. From August 1973 to January 1976 it was not possible to find any B. tenagophila eliminating S. mansoni cercariae nor any rodents infected with the same parasite. In August, 1975, egg patches of B. glabrata snails were accidentaly introduced into the area and in 1976 some adult snails were eliminating S. mansoni cercariae. In that same year, two Holochilus that were born in the area were discharging S. mansoni eggs in their feces. Some biological data were collected from 41 H. b. leucogaster of which 28 individuals were introduced into and 14 were born in the area. The majority of body weights of rodents born in the area and captured for the first time was between 20 and 50 grams. In this group of 41 rodents observed, body weight continued to increase throughout the life span of each individual sampled. Z. lasiurus and C. a. aperea did not show any infection with S. mansoni and they did not leave any progeny in the area. O. n. eliurus reproduced in the area and remaining there for about 100 days did not show any infection with the parasite. Thus, H. b. leucogaster and B. tenagophila, in the absence of infected humans, will hardly maintain the life cicle of schistosomiasis but Holochilus together with B. glabrata would probably maintain the life cicle of S. mansoni in nature without the presence of infected man, since in the area there is a suitable strain of S. mansoni, both for definitive and intermediate hosts

Topics: Esquistossomose mansônica, Schistosoma mansoni, Biomphalaria glabrata, Biomphalaria tenagophila, Holochilus brasiliensis leucogaster, Reservatório, Schistosomiasis, Schistosoma mansoni, Biomphalaria glabrata, Biomphalaria tenagophila, Holochilus brasiliensis leucogaster, Reservoir, LCC:Public aspects of medicine, LCC:RA1-1270, LCC:Medicine, LCC:R, DOAJ:Public Health, DOAJ:Health Sciences
Publisher: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Year: 1983
DOI identifier: 10.1590/S0034-89101983000500001
OAI identifier: oai:doaj.org/article:4f3b12faf3a2473685692358417e2e9a
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