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Manifestações oculares da infecção pelo HIV|

By Eliana Rodrigues Bonifácio

Abstract

A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), reconhecida pela primeira vez nos Estados Unidos da América em 1981, constitui actualmente um dos problemas dominantes de saúde pública em Portugal, sendo este o país que apresenta a mais elevada taxa de incidência de infecção na Europa Ocidental e Central. Considera-se hoje uma doença crónica controlável, muito à custa do desenvolvimento da terapêutica anti-retrovírica de alta eficácia, um marco fundamental na história da evolução desta doença. A infecção pelo VIH provoca, duas a três semanas após o contágio, e em cerca de 50% dos infectados, a chamada síndroma viral aguda, na recuperação da qual acontece a seroconversão, com produção de anticorpos anti-VIH. Decorre, depois, um período de infecção crónica assintomática, de cerca de 8 a 10 anos, verificando-se uma activa replicação vírica, da qual resulta uma progressiva destruição do sistema imunitário. Segue-se uma fase sintomática, ou a Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) propriamente dita, definida pelo aparecimento de tumores ou infecções oportunistas. O envolvimento ocular é, neste contexto, frequente e um importante factor de morbilidade. Estima-se que mais de 70% dos doentes infectados irá sofrer uma complicação oftalmológica em algum momento da evolução da doença. As lesões oculares podem ocorrer a vários níveis, podendo acometer a órbita, os anexos oculares, e o segmento anterior e posterior do globo ocular. As lesões externas incluem tumores dos tecidos perioculares e infecções oculares externas. As manifestações do segmento anterior compreendem as queratites, a queratoconjuntivite sicca e a uveíte anterior. Já as lesões do segmento posterior, mais frequentes, incluem a retinopatia associada ao VIH e um grande número de infecções oportunistas da retina e da coróide. A infecção pelo VIH pode ainda originar manifestações neuro-oftalmológicas, tais como defeitos do campo visual, papiledema e diplopia. As queixas oftalmológicas são geralmente pouco específicas, sendo o diagnóstico baseado na avaliação das lesões oculares, na presença de eventuais manifestações sistémicas concomitantes e no estado imunológico do doente. As lesões oculares podem apresentar-se como a manifestação inicial da doença ou de infecções oportunistas, daí a importância do seu diagnóstico correcto. Assim, o presente trabalho tem como objectivo uma actualizada revisão bibliográfica, focando-se nas manifestações oculares desta infecção, sobretudo nas suas características clínicas, profilaxia e tratamento, bem como as consequências na modificação dos quadros clínicos após a introdução da terapêutica anti-retrovírica de alta eficácia. São ainda abordados alguns aspectos da epidemiologia da infecção pelo VIH, da história natural da doença, das doenças definidoras de SIDA e do seu diagnóstico, tratamento e prognóstico.The infection by the Human Immunodeficiency Virus (HIV), first reported in the United States in 1981, is nowadays one of the main problems in the Portuguese public health, being Portugal one of countries with the highest incidence of the infection in the entire Western and Central Europe. The infection is now considered a chronic disease, controllable due to development of the highly active antiretroviral therapy, one of the greatest achievements in the history of the disease. Two or three weeks after the contamination, the infection provokes a viral acute syndrome which leads to seroconversion, and the production of antibodies anti-HIV. Subsequently, there is a period of asymptomatic chronic infection during about 8 to 10 years where occurs an active viral replication, which leads to a progressive destruction of the immune system. AIDS (Acquired Immune Deficiency Syndrome) occurs later in HIV disease, when the immune system has become severely damaged, allowing opportunistic infections to develop. The ocular involvement is very frequent in this context and a major factor of morbidity. About 70% of the infected patients will probably develop an ophthalmic complication in one of the disease stages. The ocular disorders may occur at many levels: in the orbit, ocular adnexae, anterior segment and posterior segment of the eye. The external ocular disorders include tumors and opportunistic ocular infections. The anterior segment manifestations comprise keratitis, keratoconjunctivitis sicca and anterior uveitis. The posterior segment disorders include HIV retinopathy and a high number of opportunistic infections of the retina and choroid. The HIV infection may also originate neuro-ophthalmologic manifestations such as visual field defects, papilledema and diplopia. HIV-infected patient complaints are nonspecific, so the diagnosis is based on characteristic of the ocular lesions, on the presence of systemic manifestations and on the patient immune condition. The correct diagnosis is very important since the ocular disorders may be the first manifestation of the disease or the first sign of an opportunistic infection. This study is a comprehensive update on the ocular manifestations of the infection, reporting its clinical features, prophylaxis and treatment, as well as on the consequences of the clinical picture modifications after the introduction of the highly active anti-retroviral therapy. Some aspects of the epidemiology of the HIV infection, its history, AIDS defining diseases, diagnosis, treatment and prognosis will be also focused on this study

Topics: HIV, Síndroma da imunodeficiência adquirida, Manifestações oculares
Year: 2010
OAI identifier: oai:estudogeral.sib.uc.pt:10316/19483
Provided by: Estudo Geral

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